Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 2 de março de 2012

BOCA DA NOITE

Era uma palmeira assobiando ao vento,
Leda, balançando ninhos de canários.
Era da capela o bronze centenário
Embalando o sol vermelho, sonolento.

Era uma mangueira. Era uma cantiga
E uma cigarra, um mugido, um grito.
Era um violão chorando um choro aflito
E um cantochão, uma novena antiga.

Uma monjopina no balcão da venda;
E um caçador multiplicando os feitos.
Uma conversa, um gol, um par de peitos
E uma tocáia, um plano, uma contenda.

Um morcego pendurado à telha;
Uma dona esguelha um gajo na esquina.
No sermão o padre tudo recrimina
E ainda um cheiro de jabá na grelha.


Edvaldo Bronzeado