Viajantes Interplanetários

E-MARTE: Cadastre-se para receber nossas novidades em primeira mão!

segunda-feira, 1 de julho de 2019

.

ÁRTEMIS

Como um Prometeu
eu gostaria de roubar teu fogo
abusar do teu pescoço
me perder em tuas mechas
refrescar-me eu tua boca
e mergulhar nas tuas gretas
maçãs e segredos

mas longe das chamas
caminho errante
enquanto tuas mãos
serpenteiam meu peito
e meu coração insone
derrama solidão
por sobre os teus olhos

- Daniel Andrade -

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Mexendo na sua Radiola - Vamos dançar um coco de Roda?

Coco de Dona Zefinha - A cultura que vem do sertão paraibano:

Fazer  um registro fonográfico em tempos nebulosos é um desafio da besta fubana, ainda mais  se o caboclo enveredar pelos caminhos da cultura popular batucando um Coco de Roda. Mas,  vamos começar do começo com redundância e tudo. Foi assim que aconteceu: em   outubro de  2016 um amarelozinho miúdo, aspirante a cigano, após rodar meio nordeste, resolveu descansar as asas em Cajazeiras-PB. A saudade dos batuques pernambucanos despertou no maluco uma viagem  de  montar  um  grupo  de  coco  de  roda  em  pleno  sertão  paraibano.  Vê  só  se  isso  tem cabimento!  O cabra misturou Selma do Coco, Zabé da Loca, Coco Raízes de Arcoverde, Steve Jobs e Nação Zumbi para fazer uma tapioca,  quero dizer um som híbrido de Coco entoado por uma poesia marginal e urbana, cheia de candomblé e das  histórias pós-ficcionalizadas de uma certa Zefinha de Sairé-PE. Ainda por cima botou engenheiro para tocar caixa, uns cabras das informáticas  para  cantar  e  tocar  caxixi,  e  rasgou  a  boca  do  balão  com  uma  morena  arretada puxando um refrão, enquanto um cabra  das automações sapecava umas pancadas numa alfaia guerreira. E daqueles tempos pra cá esse grupo começou a cair nas graças da praça, do NEC, de Jampa e da gente. Foi assim seu menino que nasceu esse disco que você vai ouvir agora. E esse  é  só  o  começo  do  fim  dessas  nossas  estórias  de  um  Trancoso  u rbano  malasarteado sambando um Coco e tomando uns tragos.



Baixe aqui: https://drive.google.com/drive/folders/1vgueDUKVfqVPTJ7RWBZaKJaRTYFyoKCY?usp=sharing

quarta-feira, 26 de junho de 2019

MEXENDO NA SUA RADIOLA

Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba


Desde de 2006 que o gênio da MPB marginal brasil tupiniquim tropical não lança um disco. Mas, por esses dias ele lançou uma trave no olho dos conservadores, mexendo na gangrena que condenou uma perna do Brasil e desde então caminhamos mancos pela cultura. Jorge Mautner espalha o terror entre os conservadores nacionais com seu mais novo álbum Não há abismo em que o Brasil caiba

Nele o poeta do caos lança/detona uma poética que fala de Marielle Franco, do Analfabetismo e do condenado momento cultural que a republiqueta das bananas passa. Como a ditadura ainda está mole a gente pode encontrar o disco em todos os espelhos da internet, e o recado começa logo com a música desse clip show aí em baixo. 

clip danado de bom



 Toda tempestade no fim termina em sol, faz muito tempo que o artistas brasileiros andavam quietinhos, contudo agora a coisa começou a esquentar. O conterrâneo China também deu o seu recado em seu disco novo, mas esse é assunto para outra postagem mis amores.


DISCO arretado da mulesta




sexta-feira, 21 de junho de 2019

.


DIVINA

Nada que no perfore mi pecho
Nada que no tenga cura
Lagos fondos
Ojos negros
Cabellos de oro
Algas marinas
No sé en qué barco
Fue naufragar mi pecho



- Daniel Andrade -

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Emergir




Nada me interessa
A não ser uma ideia fixa
De não sobreviver ao mar
E asfixiado atiro-me
E a pedra amarrada aos meus pés
É um alívio que não encontro
Ao emergir novamente a superfície
E diante do meu Nariz
Fitar o amanhã com um sorriso


- Daniel Andrade -

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

* Colecionando borboletas

BORBOLETAS 


Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza,
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de
uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.


- Manoel de Barros, em "Ensaios fotográficos", Rio de Janeiro: Record, 2000.

* série de notas sobre borboletas

sábado, 21 de julho de 2018

MEXENDO NA SUA RADIOLA: Wish You Were Here

Em meados de 2017 adquiri uma vitrola semiprofissional desde então trago na bagagem das viagens a Recife-PE meia dúzia de discos de vinil (novos e usados). A minha Meca fica na Av. Dantas Barreto onde conheci uns camaradas que não guardam a Pedra Negra, mas bolachas pretas que causaram e causam muita satisfação aos ouvidos tarados por música. Segue as dicas sobre umas das minhas últimas aquisições:

Wish You Were Here trata-se do 9ª disco da Banda Pink Floyd clara homenagem a Syd Barretts (gênio criativo dos primeiros anos da banda), assim como faz uma crítica a indústria musical, indústria essa que não é muito diferente da atual que só pensa no lucro, vide a música de massa sendo reproduzida ipsis litteris de América a América

Segundo os críticos esse é um disco que fez renascer o espírito da banda, com a gigante missão de vir na sequência do fuderoso The Dark Sid of The Moon. “Além de levar a preferência de muitos fãs, Wish You Were Here também é o favorito do antigo tecladista Richard Wright e do vocalista David Gilmour (Gabriel Tukunaga, 2015).

O disco conta com apenas cinco faixas, mas é um show de musicalidade e técnica. Destaque para a faixa título Wish You Were Here, aliás a minha preferida.

FICHA TÉCNICA:

Wish You Were Here
Artista: Pink Floyd
País: Inglaterra
Gravadora: Estúdios Abbey Road
Lançamento: 12 de setembro de 1975
Estilo: Rock Progressivo


FONTE

TUKUNAGA, Gabriel. Wish You Were Here: Pink Floyd. Disponível em: <http://www.planocritico.com/critica-wish-you-were-here-pink-floyd/>. Acesso em: 21 de jul. de 2018.

WISH YOU WERE HERE. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Wish_You_Were_Here_(%C3%A1lbum_de_Pink_Floyd)>. Acesso em:  21 de jul. de 2018.


Ouça aqui:




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Contracapa de FaceTime

&  tem dias em que é preciso botar o mundo no chão e descansar meia hora antes de pegar de novo

&  não adianta pedir a vinda do meteoro: nosso castigo é que não virá nenhum

&  falta alguém inventar pratos com base imantada para usar com bandejas de metal

&  há duas coisas que sempre dão a impressão de melhorar aquilo que acompanham: violinos e molho vinagrete
 
&  aquele momento em que um cara é apanhado com a boca na cumbuca e a mão na botija

&  nunca foi tão fácil dizer que tá difícil

&  achar-se moralmente superior não difere muito de achar-se socialmente superior

&  uma caixa com um boneco-de-molas que salta e sai correndo

&  condecorações de guerra tatuadas no peito

&  uma escola de tradução onde pinturas a óleo são transpostas para xilogravuras

&  posso não morrer de pé mas vou morrer de frente

&  chuva só presta bem forte, pra gente tomar a decisão firme de não sair de casa

&  todo livro de memórias tem algo de maquiagem diante do espelho

&  não gosto de aniversários porque me parecem uma espécie de contagem regressiva

&  toda campanha política é a subida de uma montanha-russa que chega ao ponto mais alto no dia da posse

&  um museu só de objetos aleatórios, com fichas em branco ao lado, onde caberá ao público explicar que coisa é aquela

&  certos nomes próprios moderninhos parecem uma camisa e uma calça que não combinam

&  como zumbis fazendo fila no caixa do açougue de cérebros

&  tá cheio de gente por aí que nasceu e não sabe

&  redes sociais se alternam entre a babação-de-ovo e o linchamento gratuito

&  só as grandes catástrofes públicas são capazes de nos unir no mesmo suspiro de alívio

&  de vez em quando a gente percebe como é fácil ter certeza de alguma coisa

&  duvido que alguém fazendo as malas num dia de calor ache necessário botar casacos e lãs

&  reencontrei um amigo dos velhos tempos e só consegui identificá-lo pela arcada dentária

&  o mundo tá cheio de carrapato que só por gostar de sangue acha que é tubarão

&  máquinas caça-níqueis onde você bota uma moeda, puxa uma alavanca, e ela produz um poema randômico e irrepetível

&  ergui o binóculo e avistei uma banquisa de gelo à deriva e sobre ela 200 ursos polares com mochilas às costas

&  quando estiver na cama com ela não pergunte o que é o recheio daqueles travesseiros

&  eu estou como quem levou uma surra de um grupo de fantasmas

&  certas pessoas começam a decepcionar a gente já no primeiro aperto de mão

&  em pleno sol do deserto surge uma miragem de dunas de areia, fazendo crer que o deserto é maior ainda

& não vai demorar muito até cada cidadão se transformar no robocop de si mesmo

&  quebrar um recorde é como quebrar uma vidraça barata e botar um cristal caro no lugar

&  o discurso ideológico é uma roupa que quando o menino cresce começa a estourar nas costuras

&  tem gente que não quer aceitar a morte e nunca foi capaz de aceitar a vida


&  não sei o que faço numa cidade onde a gente tem que dormir com as janelas fechadas e os olhos abertos


Por: Braulio Tavares in Mundo Fantasmo