Viajantes Interplanetários

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Gullar

Quando um poeta morre, uma estrela aparece
Fixa e transcendente no vasto firmamento
Será o cosmos reconhecendo no momento
Este bardo falecido que resplandece?

Então lá, Ferreira Gullar tomará assento
Onde por certo brilhará quando anoitece
Quando, na noite, vai colhendo sua messe
Espalhando poemas sujos pelo vento.

Porém o bardo fecundo não se vai, apenas
E deixa trabalho que pra todos cai bem
Os versos homéricos e as rimas pequenas.

Mensagens, todas obras de Gullar contém
Exaltadas umas, outras de feições serenas
Contudo, inspiradas e brilhantes também.

domingo, 4 de dezembro de 2016

SEMANA DO LIVRO DE PERNAMBUCO

MILKSHAKE LITERÁRIO 


Aloha Marcianos!

Vocês já devem ter percebido que eu sou rata de evento literário. Estar em contato com autores e palestras, livros e gente que gosta de livros é o meu próprio carnaval, frequento todos os dias com aquele fôlego de sábado de Zé Pereira. Essas feiras são deliciosas iniciativas que deveriam ser promovidas e instigadas sempre.

Desta vez foi a comemoração da Semana do Livro de Pernambuco, com o tema Narrativas Possíveis do Presente, realizada no Museu do Estado. Além da programação com foco nos debates, no auditório Cícero Dias, sobre a nossa literatura nacional contemporânea, temos o espaço para as crianças que foi denominado Bienalzinha. A área de alimentação, o palco principal onde ocorrem as apresentações musicais e alguns recitais e ainda conta com stands de livros e a feirinha de artesanato.

Bienalzinha - Semana do Livro de Pernambuco.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

Bienalzinha e Stands- Semana do Livro de Pernambuco.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

Roda de Leitura - Semana do Livro de Pernambuco.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.
Espaço Livro Aberto - Semana do Livro de Pernambuco.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

Praça de Alimentação - Semana do Livro de Pernambuco.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

Feirinha de Artesanato - Semana do Livro de Pernambuco.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

Teve início dia 30/11 e finaliza dia 04/12. Conferi os dias 01 e 02, as palestras de Elvira Vigna e Raimundo Carrero, respectivamente. Desde já, foi um privilégio ter a oportunidade de ver e ouvir esses dois autores nacionais que já estão na condição de Clássicos na minha estante. 
Raimundo Carrero e a Gestação de Pérolas Porcas - Semana do Livro de Pernambuco.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

Confesso que apesar da maravilha que foi ver Raimundo Carrero recitando trechos de sua obra ainda inédita, Pérolas Porcas, e de finalmente conseguir o autógrafo em Sombra Severa, saí de coração pesado.

Mesmo com tanta coisa boa para conferir, algo no formato do evento me incomoda. Vai ver eu já estou virando a Tia da Biblioteca que só sabe resmungar, mas o livro ainda me parece O artigo de luxo. E as feiras ficam com cara de vitrine e não de inclusão social. Falta calor humano de leitor! Falta ver gente ocupando cada espacinho, falta parcerias com as Bibliotecas Públicas e Comunitárias, falta ver livros na Semana do Livro...
Não me entendam mal, não é que eu não tenha gostado, eu só queria poder conseguir enxergar mais possibilidades narrativas nesse presente.

Enfim, o evento é gratuito em todas as instâncias e está tudo muito bem organizado estruturalmente ao que foi proposto. Hoje (04/12) ainda tem um dia inteiro de muita programação. Minhas dicas ficam para a a Oficina Cartonera com Wellington Melo (9h) e a apresentação de Miró no palco Espaço Livro Aberto (18h30). Programação Completa aqui.

 Quem é da terrinha, está convidado a conferir e depois vir me contar quais as suas impressões! Quem não é, poderia vir me dizer quais as experiências com o eventos literários na cidade de vocês.


 Mahalo :*









P.S: Ainda em tempo, esse ano não teremos Fliporto!

sábado, 29 de outubro de 2016

SEMANA NACIONAL DO LIVRO E DA BIBLIOTECA

MILKSHAKE LITERÁRIO 


Essa semana (do dia 23 a 29 de novembro) comemorou-se a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, instituída pelo Decreto n° 84.631, de 09/04/80. Apesar de pouco difundida em muitas instituições, essa semana tem por objetivo incentivar a leitura, trazer visibilidade ao livro e as bibliotecas como equipamentos de cultura e transformá-los em símbolos do acesso a informação para a construção do conhecimento.

Esse também foi o Decreto que instituiu o Dia do Bibliotecário (12 de Março), em homenagem a data de nascimento do bibliotecário e poeta Manuel Bastos Tigre.

Para fecharmos a semana aqui no MilkShake, vou responder a TAG Livros Nacionais, minha paixão nada secreta, com livros que eu peguei emprestados ou tomei conhecimento nas Bibliotecas da UFPE, com algumas exceções.
Achei a Tag no blog Infinitos Livros, para conferir as respostas da Samy é só clicar aqui.


                                    #TAG Livros Nacionais


1 - Qual o último livro nacional que você leu?

O livro de poesia Bagagem da mineira Adélia Prado. Livro maravilhoso que em breve vou trazer novidades sobre ele por aqui. Por enquanto, o que posso dizer é que recomendo DEMAIS!

Adélia Prado - Bagagem. Exemplar da Biblioteca Central da UFPE.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

2 - Que livro nacional você está lendo?

Vocês já sabem que eu sou fã de carteirinha do José de Alencar, não é? Então o livro nacional da vez não será novidade para ninguém.  A Vida de José de Alencar, do Luís Viana Filho. Adoro biografias e essa já é a segunda do autor que leio.


A Vida de José de Alencar - Luís Viana Filho. Exemplar da Biblioteca Central da UFPE.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

3 - Qual o próximo livro nacional que irá ler?

Eu não faço a menor ideia! Não planejo nada para as minhas leitura de lazer, vou lendo o que dá vontade na hora, o que trago da biblioteca, o que compro em promoção, o que ganho de presente... A ordem aqui em casa é não ter ordem. No entanto, estou devendo há uns 3 anos a leitura de Menino de Engenho do José Lins do Rego. Pode ser que a vez dele tenha chegado agora...


Meu exemplar de Menino de Engenho - José Lins do Rego.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

4 - Um livro nacional que você amou?

UM só??! Mas que pergunta ingrata foi essa?
Eu vou indicar uma novidade que eu amei ler em 2016: Cacau de Jorge Amado.
Esse foi o ano que conheci a escrita de Jorge e não quero mais largar. Ando com fixações de conhecer Ilhéus e o autor tem sido meu primeiro guia nessa futura viagem. Terras do Sem-Fim já está na lista, será o próximo do autor.

Cacau - Jorge Amado.
Fonte: Sebo Traça, 2016.

5 - Um livro nacional que te decepcionou?

A Namorada do Meu Amigo da escritora Graciela Mayrink. Foi um livro que li torcendo para o fim chegar logo, não consegui me envolver com os personagens ou com o enredo. O que foi uma pena, tinha muitas expectativas com essa obra, pois amei o primeiro livro da autora: Até Eu Te Encontrar. 


Meu Exemplar de A Namorada do Meu Amigo - Graciela Mayrink.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

6 - Uma capa que você amou?

Amplitude Compacta do poeta pernambucano Fred Caju.
O livro foi produzido em todas as suas etapas pelo próprio autor, que utilizou filtros de coar café como matéria prima para compor sua capa. E o resultado ficou original e personalizado, uma verdadeira preciosidade que já vai sendo revelada desde o esmero da capa. E ainda trás de bônus aquele cheirinho bom de café :D
Ainda não conhece o trabalho de Fred como poeta e editor? Não perde mais tempo! Vem aqui.

Vai um café com poesia aí?
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.


7 - Uma capa que você odiou?

Não é ódio, apenas acho sem graça as capas dessa série Inferno Provisório do escritor Luiz Ruffato, da qual eu tenho o primeiro e o terceiro volume: Mamma, Son Tanto Felice e Vista Parcial da Noite. São aquelas capas que não te chamam atenção em uma livraria, você só vai pegar para ler se já estiver atrás do livro ou se já conhecer outros trabalhos do autor.


Meus Exemplares da Série Inferno Provisório.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

8 - Um livro que deu vontade de ler várias vezes?

O Tempo e O Vento, isso mesmo, série completa do Erico Verissimo!
A série já foi tema de postagens aqui no MilkShake, para conferir ou relembrar aqui estão os links: O Continente, O Retrato e O Arquipélago
No entanto, eu ainda não tenho os volumes, li emprestado da Biblioteca. Então não dá para reler sempre...

Por isso, vou indicar outro livro que sempre gosto de reler - A Noiva da Revolução: O romance da República de 1817 - de Paulo Oliveira. Totalmente Pernambucano, mistura ficção e não-ficção e já é um dos meus livros preferidos da vida inteira!
Ele estava esgotado há um bom tempo nas livrarias (e até nos Sebos estava difícil encontrar). Para a minha felicidade, em 2014 ele ganhou uma nova edição. Claro que eu não perdi tempo e corri para garantir a minha. Mas, a primeira vez que li foi emprestado da Biblioteca do CAC - UFPE. 


Edição mais recente de A Noiva da Revolução.
Fonte: Arquivo Pessoal, 2016.

9 - Livros nacionais lidos em 2015?

Literatura Brasileira: modos de usar
Luís Augusto Fischer

Pai e filho, filho e pai
Moacyr Scliar

TOC 140, ANO I, II e III
Cláudia Cordeiro, Antônio Campos (Org.)

Paisagens Sépias 
Fred Caju

A Namorada do Meu Amigo
Graciela Mayrink

Armadilhas do Destino
Cristina Pereyra

Fim do livro, fim dos leitores?
Regina Zilberman

Como e Por que Ler o Romance Brasileiro
Marisa Lajolo

Escolhida pelo Lobo
Flávia Cunha

A Emparedada da Rua Nova
Carneiro Vilela

O Medalhão de Ísis
C. S. Camargo

Arqueologia até debaixo d´água
Gilson Rambelli


Agora é a vez de vocês me contarem: Quais os autores e enredos nacionais que andam povoando as suas estantes? 


   Mahalo :*





segunda-feira, 10 de outubro de 2016

SEDUÇÃO

Fonte: Mônica Nóbrega, 2012


A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela. 

Adélia Prado


PRADO, Adélia. Sedução. In:_______. Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 62.



terça-feira, 16 de agosto de 2016

2 Marcianos publicando:

De acordo com o dicionário Michaelis da língua portuguesa POESIA é:


1 LIT Arte de compor versos.
2 LIT Composição poética, com rimas ou em versos livres, em que o autor expressa seus sentimentos, ideias, impressões etc.
3 LIT Composição em versos de pequena extensão.
4 Capacidade criadora; inspiração.
5 Caráter do que eleva a alma.
6 O que faz o belo manifestar-se.


Em minha opinião poesia também é um modo de olhar as coisas diferente, sejam elas coisas profanas ou sagradas, sejam cores, pessoas, bichos. O olhar do poeta vai mais além da margem do rio e mergulha com os peixes no mais profundo simbolismo, como um prisma nos ajuda a enxergar muito além da cor branca.


Ser um poeta nunca foi fácil em nenhuma época, quiçá nos dias atuais onde “adultos” abandonam a vida para caçar pokémons. Conseguir publicar um livro então, não é tarefa menos árdua. Por isso viemos aqui pedir a colaboração de todos os colegas das redes sociais para publicarmos nosso livro novo: PORRADA NO JUÍZO, escrito em parceria com Marcone Santos ou Jimmy para os mais chegados. Você pode fomentar essa ideias a partir de R$ 35 e receber o livro na pré-venda exclusivamente em sua casa.




quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Solucionática

Existe uma lenda tribal africana, a qual conta que pai, avô e filho estavam num pequeno barco prestes a afundar no caudaloso Okavango. Apenas o pai sabia nadar e podia salvar um dos restantes: seu próprio pai, ou seu filho. A sua consciência lhe dizia que ambos eram igualmente importantes, mas ele salvou seu próprio pai. O velhos, naquela tribo, eram depositários de toda a sabedoria e, sem eles,  a própria tribo perderia sua identidade e estaria fadada a desaparecer.


Hoje as coisas são diferentes na tribo internética, então fiz um soneto que esclarece como aconteceu recentemente na África quando um homem branco, seu filho e seu pai foram encurralados por um leão feroz e faminto:


Perigo de morte a todos naquele grotão
Encurralados os três no interior do mato
Pois faminto a espreita estava um leão
Pai, o menino, o avô com medo de fato

Como fazer? Alguém seria sacrificado
Para que se salvassem os outros dois
Seria o avô querido ou o filho amado?
Qualquer solução dor causaria depois

O pai, aos céus, fazia pungente oração
Pedindo resposta para tal problemática
Porque parecia inviável qualquer opção.

Não via como podia empregar uma tática
Mas de repente ouviu-se a voz do ancião:
Salve o menino, ele conhece informática!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Réquiem para um polímata

A humanidade segue seu rumo normal, produzindo homens também normais como eu e grande parte dos que vivem neste planeta. Mas, as vezes, por um capricho que foge a nossa compreensão, surgem vultos acima de todos, que fazem sombra aos comuns mortais.
Foi assim no passado, como é assim no presente, dentre os bilhões de seres que por aqui trafegam, uns poucos, bem poucos, se enquadram na categoria de gênios.
Tive a ventura de conhecer, trabalhar e conviver com um prócer do quilate de gênio: o polímata RODOLFO RODRIGUES BARCELLOS, que ontem nos deixou. Barcellos, como sempre o chamamos, oficial da Força Aérea, era um exímio profissional de aviação que deixou marca por onde passou; violonista talentoso; conhecedor profundo da teoria musical: autodidata, fluente em inglês, falava e escrevia como fora sua primeira língua; excelente jogador de xadrez; poeta inspiradíssimo; escritor de ficção científica; espírito generoso; blogueiro prolífero; sujeito amigável, super inteligente; arguto; franco; cético; filósofo; bem humorado; fantástico contador de casos; tranquilo e muito mais. Era meu guia, se é que se pode dizer assim. Escreveu o prefácio de meu primeiro livro.
Foi-se o Rodolfo Barcellos, porque a morte é a única e indelegável certeza desta vida. Hoje nosso planetinha azul ficou mais pobre e bem mais triste, e Érato tem menos um vate a sua disposição para os vagares idílicos de seus versos.
O espaço que esse amigo ocupava estará para sempre vazio. Vai, meu amigo! com a calma a reflexão e o espírito inquisitivo que sempre te acompanhou! Nós ficamos aqui nesta dimensão aguardando o dia que também seguiremos esse caminho que ora se inicia para você. Aos seus familiares, nossos sentimentos.

Jair & Brandina.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A merda continua

De Brasília emana o grande cheiro,
Lá onde o maldito caldeirão cozinha,
Não se sabe se da privada ele vinha,
Entretanto, embostece o país inteiro.

Tornou-se esta nação fedido bosteiro,
Que duma fatal catástrofe se avizinha
Entre merda e o político não há linha,
Mas um entrelaçamento verdadeiro.

Brazucas no exterior envergonhados,
Aos estrangeiros não têm explicação,
Por essa cagada em todos os lados.

Se bosta fosse bala e político canhão,
Garanto-lhes, eleitores acomodados,
A bem da pátria faríamos a revolução.

terça-feira, 24 de maio de 2016

.

te mer cu nha
mer cu te nha
nha te cu mer
nha te mer cu
cu te nha mer
mer te nha cu

não dá pra separar
um abre outro fecha
um treva outro brocha
um zero outro traço
fuinhas do mesmo asco

Chacal


domingo, 8 de maio de 2016

Nossa Alma

Nossa alma essa entidade tão passiva
Quando silenciosa nosso corpo habita
Certamente com seus dotes ela cativa
Outra alma que lhe pareça mais bonita.

Talvez numa relação um pouco lasciva
Na qual a nossa preciosa alma acredita
Essa bonita interação tão discreta viva
Sob nenhuma norma até então escrita.

E, nada disso nos deixa amargurados,
Somos veículo que alma anda apenas
Por mais que tal não tenhamos anelado.

Porque se as almas não são pequenas
E que nós estejamos de vida animados
As relações corpo/alma serão serenas.