Viajantes Interplanetários

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sábado, 15 de junho de 2013

Conversas Vadias de Sábado

Coimbra, as suas gentes e os estudantes da sua velha Universidade criaram um canto e um toque irrepetíveis e únicos.
Teve evolução e contributos variados para ser o que é hoje. Contributos de estudantes e não estudantes, seja no canto seja nos instrumentos que acompanham o canto.
Num canto com tão limitada extensão geográfica, torna-se relativamente fácil "agarrar" as figuras míticas que o cultivaram e transformaram - Augusto Hilário,  Manassés Lacerda, Agostinho Fontes, António Menano, Edmundo Bettencourt, Paradela de Oliveira, o estudante brasileiro de Matemáticas Lucas Junot, Armando Goes, José Afonso, Luiz Goes e muitos mais no canto. Anthero da Veiga, Gonçalo Paredes, Manuel Paredes, Francisco Menano, Paulo de Sá, Artur Paredes, Flávio Rodrigues, António Brojo, António Portugal, Octávio Sérgio na guitarra. Muitos nome se podiam referir nesta mostra, quer num campo, quer no outro, mas os referidos são figuras incontornáveis desta Arte de cantar e tocar.
Seja confundidos com a noite, como que amortalhados nas suas capas negras, seja em ilumibados salões, as vozes e as guitarra de Coimbra são uma parte de se ser e sentir português.
Fica a voz de Luiz Goes acompanhado a guitarra pelo magnífico guitarrista João Bagão como ilustração da Arte do canto de Coimbra.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

DIA DOS NAMORADOS

Só por hoje...
Isso de pensar o que a vida é,
Atrapalha viver.
Isso de pensar o que é o amor,
Atrapalha amar.
Hoje é dia de amar...
Não é dia de pensar
Ame hoje
Pense amanhã
Mas só por hoje
Porque quem passa a vida amando sem pensar
No fim perde a vontade de amar.
Então...
Para quem ainda consegue amar...
Feliz dia dos namorados.

V.B.Mello.

terça-feira, 11 de junho de 2013

MEXENDO NA SUA RADIOLA

            13


Com oito músicas sombrias, o novo disco da banda britânica de heavy metal Black Sabbath, batizado de "13", é o primeiro disco de estúdio em 35 anos com o vocalista Ozzy Osborne. Nesta terça-feira (11) chega às lojas o novo trabalho da banda de Birmingham, fundada em 1968 e cuja música representa um marco na história do rock em geral e do heavy metal em particular.
Apesar do tempo transcorrido, a formação original do Black Sabbath retorna ao estúdio de gravação sem trair o estilo que os colocou entre os grupos mais influentes do rock: som pesado, instrumentos em tons baixos e letras sinistras.
Além de Ozzy (64 anos) e sua voz característica, estão presentes o guitarrista Tony Iommi (65) e o baixista Geezer Butler (63). Da formação original só falta o baterista, Bill Ward, que abandonou o projeto por não chegar a um acordo financeiro. Ward é substituído pelo americano Brad Wilk, de 44 anos e que se destacou na banda de rap metal Rage Against The Machine.
Os fãs de Black Sabbath já podem conferir o disco através da internet, pois está disponível no iTunes. Em abril foi lançado o primeiro single do 19º álbum de estúdio do grupo, "God is Dead?" ("Deus está morto?"). Um tema de quase nove minutos de duração e que a banda quis relacionar rapidamente com a filosofia do pensador alemão Friedrich Nietszche, o niilista autor de "Assim falou Zaratustra", livro em que proclamou o conhecido grito de "Deus está morto!".
Em "13", os riffs de Iommi são destaque em canções como "Live Forever", "Dear Father" e "The End of the Beggining", a música que abre o disco e que foi lançada no último dia 15 de maio em um capítulo da série americana "CSI" (Crime Scene Investigation).
Em geral e com a exceção de canções como "Zeitgeist" e "Damaged Soul", os fãs reconhecerão em "13" o típico universo musical sombrio e pesado do grupo que é admirado desde 1970 graças aos discos "Black Sabbath" e "Paranoid".
Uma inspiração para bandas que surgiram posteriormente como Metallica, Iron Maiden, Black Flag e Judas Priest, entre muitas outras, os rapazes de Birmingham abriram um novo caminho para o rock - que nos 1970 vivia uma época de plena efervescência - ao potencializar o som e a força da guitarra para compor uma música com muito peso e potência.
Com sucesso de público, mas não tanto de crítica em um primeiro momento, um ano após seu oitavo trabalho, "Never Say Die" (1978), Ozzy deixou o Black Sabbath para se lançar em carreira solo e foi substituído pelo vocalista americano Ronnie James Dio, morto por um câncer em 2010.
Muitos anos depois, em 1997, a formação original do grupo encenou uma reunião com uma série de shows e um disco ao vivo, "Reunion", mas foi somente em 2011 que os roqueiros ingleses anunciaram com estardalhaço um novo disco de estúdio sob comando do produtor americano Rick Rubin.
Los Angeles foi a cidade escolhida para gravarem 15 canções em 2012. Destas, apenas oito foram incluídas no novo lançamento, apesar de a edição de luxo de "13" contar com mais três músicas ("Methademic", "Peace of Mind" e "Pariah").
Após o lançamento de "13" nesta terça-feira, o grupo continuará com a turnê mundial iniciada no último dia 20 de abril na Nova Zelândia e que até agora já passou por Austrália e Japão.
Em 25 de julho, Houston (Texas) será a primeira de 20 apresentações programadas para a América do Norte. A banda prossegue em outubro para a América Latina com shows no Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), Chile, Costa Rica, Colômbia e Argentina, contando com os americanos do Megadeth como banda de abertura. Em novembro e dezembro a excursão dos veteranos do metal continua por diversas cidades do continente europeu.
O retorno do Black Sabbath é o último dos grandes e mais esperados da música britânica em 2013, que já viu um novo disco do pai do "glam rock", David Bowie, que esteve afastado dos estúdios de gravação por uma década.

Fonte: Folha de Pernambuco: http://www.folhape.com.br/

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"Todo mundo está farto da Amazon", declarou a ministra de Cultura da França, Aurélie Filippetti

Paris ajudará livrarias contra concorrência da Amazon

Motorista entrega dois pacotes da Amazon.com em Boston, Massachusetts
A ministra insistiu que "é preciso respeitar o preço único do livro", algo que, segundo sua opinião, não é seguido pela Amazon

Paris - A ministra de Cultura da França, Aurélie Filippetti, defendeu nesta quarta-feira um plano de ajuda a favor dos livrarias independentes, ao mesmo tempo que revelou a preparação de "medidas muito fortes" contra a companhia americana de venda online Amazon, acusada de concorrência desleal.
"Todo mundo está farto da Amazon", declarou a ministra francesa em entrevista à emissora de rádio "RTL", na qual, inclusive, assinalou que esse sentimento existe em seu país de origem, os Estados Unidos, onde 10 mil empregos foram perdidos nas livrarias.
Segundo Aurélie, as medidas começaram a ser apresentadas na última segunda-feira aos profissionais franceses, com uma verba suplementar de 2 milhões de euros para o Centro Nacional do Livro (CNL), valor que se soma aos nove milhões de euros anunciados em março.
A ministra insistiu que "é preciso respeitar o preço único do livro", algo que, segundo sua opinião, não é seguido pela Amazon. A lei do preço único foi implantada na França em 1981 para proteger as livrarias independentes frente à concorrência das grandes cadeias de lojas de produtos culturais.
Os livrarias independentes, essencialmente pequenas e médias empresas, supõem entre 2,5 mil a 3 mil pontos de venda e 13 mil empregos. Segundo a ministra, seu faturamento caiu 8% entre 2003 e 2012.

FONTE: EXAME.com

domingo, 9 de junho de 2013

Haicais por haicais....

HAICAIS DE DOMINGO

Eu fui passear
ao lado do meu amor
à beira do mar


Bela morena
em minha Ilíada
és a Helena
 
 
O sol matinal
brilha nos seus cabelos
num tom divinal
 
 
Não tenho visto
um preconceituoso
que seja quisto
 
 

sábado, 8 de junho de 2013

O Duplo

Debaixo de minha mesa 
tem sempre um cão faminto 
-que me alimenta a tristeza. 
Debaixo de minha cama 
tem sempre um fantasma vivo 
-que perturba quem me ama. 

Debaixo de minha pele 
alguém me olha esquisito 
-pensando que eu sou ele. 

Debaixo de minha escrita 
há sangue em lugar de tinta 
-e alguém calado que grita.
 
Affonso Romano de Sant'Anna
Sábados Vadios

Descendente directa do cistre, a guitarra portuguesa, a partir do séc. XIX ganha larga adesão popular, e não só, e inicia a sua caminhada para a consagração.
Usada em ambientes musicais variados, em Lisboa fixa-se como o instrumento de acompanhamento das e dos fadistas e também como instrumento solista, tocando sobretudo as chamadas variações. Noutras regiões tem aplicações diversas. Os modleos de construção vão-se fixando e originam três escolas de constructores de guitarra portuguesa: Lisboa, Porto e Coimbra.
A afinação, depois da afinação proposta por Silva Leite vaiou desde a afinação natural, do agudo para o grave - Si, Sol Mi, Si, Sol, Mi, a afinação preferida do guitarrista João Maria dos Anjos, a afinação Mouraria - Si, Sol, Mi, Si, Lá, Mi, a afinação do Fado ou de Corrido - Si, Lá, Mi, Si, Lá, Ré,.
Em Coimbra floresceu um nicho de toque de guitarra portuguesa, que originaria uma escola própria de toque e afinação.
Foi o genial Artur Paredes quem primeiro iniciou os estudos para a transformação da arte de tocar guitarra na Coimbra dos anos 20. Estudando a afinação e as formas e dimensões e o toque da guitarra portuguesa. Acabou por ser em Lisboa por volta de 1940 que Artur Paredes fixou a forma da guitarra portuguesa que pretendia, e que em virtude do seu enorme contributo para a música de Coimbra, passou a ser designada por Guitarra de Coimbra e com a afinação - Lá, Sol, Ré, Lá, Sol, Dó.
Pai do futuro genial guitarrista Carlos Paredes, Artur Paredes é o Mestre incontestado da arte da guitarra a que se chama "de Coimbra".
Carlos Paredes, desenvolveu um estilo próprio e com um toque algo diferente do seu pai, mantendo embora as características do chamado toque de Coimbra, e conduziu a guitarra para voos e sons que exprimem de uma forma exemplar a difícil "arte de ser português".
Deixo um trecho de Carlos Paredes, Em Memória de uma camponesa Assassinada:



sexta-feira, 7 de junho de 2013

VENTO



Mais que massa de ar em movimento é transparência que se desloca, é espírito invisível que se move pressuroso. É fluido etéreo que passeia alegre sobre campinas verdes, escala montanhas, levanta poeira e varre desertos. Enfuna a vela do barco inocente que singra as águas mansas da lagoa azul; sustenta ave de papel colorido do garoto caçador de pipas; refresca o camponês solitário, concentrado no amanho da terra; cria ondulações regulares no pasto do gado preguiçoso. É imanente com traços de eterno; não pede passagem nem se desculpa; ultrapassa artefatos confeccionados pelo homem e tem personalidade (ou seria ventalidade?). Seguro de si, estável e presunçoso não respeita obstruções edificadas em seu caminho, a tudo acomete sem indulgência ou temor.

Se condições de umidade, pressão e temperatura lhe forem favoráveis, avoluma-se em massas compactas e espetaculares, as quais o homem nomeia furações, ciclones ou tufões, não importa. Colunas gigantescas e de extensões ciclópicas, deslocam-se com fúria avassaladora a centenas de quilômetros por hora erigindo, sobre a água, vagalhões mortais que danificam navios, afundam barcos mais frágeis e transformam o oceano de chumbo em cadeias de montanhas fluidas e fatais. Na terra seca, avança sem se deter carregando adiante pontes, casas, carros e objetos de fabricação humana; como catadupa infernal, despeja zilhões de galões mortais, num átimo, em espaço mínimo; só respeita montanhas eternas, campinas e vales perenes, pois estes, construções sólidas da natureza, têm caráter permanente e feições que lhes são análogas. Impetuoso no grau máximo varre, literal e metaforicamente, vilas e cidades, mostrando ao homem soberbo sua descomunal potência capaz de esmigalhar tudo e todos que se interponham no seu caminho, quase sempre errático.

Se o furacão espraia seu poder destruidor por amplo espaço geográfico e atua por tempo dilatado de vários dias, existe sua versão mais breve, porém muito mais aguda e percuciente, autêntico pacote de violência concentrada: o tornado. Verdadeira verruma colossal e impiedosa, em minutos, corta cicatrizes no flanco da terra, desgalha árvores centenárias, dizima florestas e destrói patrimônios. Causa danos materiais, tira vidas e modifica a paisagem, exibe-se como se fora saltimbanco de má índole, movido de furor assassino. Após tornar patente sua força extraordinária, vai diluindo-se – consonante sua posição geográfica - em siroco, alíseo ou monção, sopros mais moderados que não causam maiores danos.

Já agora, tendo cumprido seu destino de força da natureza, atenua-se ainda mais e torna-se fraca brisa, viração, corrente branda de ar. Aragem que acaricia o cabelo da criança distraída na calçada; que eleva levemente a saia rosa da moça alegre que cruza a rua; que seca o suor do atleta que corre no parque; que empurra com suavidade o ciclista afogueado; que balouça com languidez a roupa colorida no varal doméstico; que ondula o trigal maduro na campina distante; que ampara a queda suave da folha outonal; que empurra nuvens de algodão rumo ao horizonte remoto; que sustenta a aeronave tranquila no céu cerúleo. Agora é amigo, é companheiro e camarada. Agora, sabe-se útil, precioso, vital, mais até, fundamental.

Adentra, benfazejo, os pulmões e outros órgãos de todos os seres que respiram, e é primordial para sustentar a vida que a natureza criou. Tem consciência plena que se não existisse, a vida no Planeta azul seria uma impossibilidade, a Terra seria uma rocha estéril e fria vagando solitária no espaço insondável. Vento que venta viçoso é vetor vital que vai levando vida ao viúvo vivaz que verseja e ao vetusto velhinho visionário. 


JAIR, Floripa, 02/10/09.

terça-feira, 4 de junho de 2013

CORRA

Carro
Corro
Escarro
Socorro
Tenho pés
Vocês estão loucos
Onde estacionaremos
Nossas almas
Se as ruas estão cheias
De carros, carros, carros...
CORRA!
 
D.Everson

sábado, 1 de junho de 2013

Sábados Vadios

Teria os meus 15 anos e estava sentado á mesa de um café olhando para a televisão a preto e branco.
Derrepente começa um programa, algo diferente.
Tratava-se de artistas brasileiros em digressão por Portugal. Eram eles Vinicius de Moraes e Baden Powell.
Não conhecia e comecei a ver com interesse o desenrolar do programa.
De súbito a imagem em plano grande de Baden Powell, a acender um cigarro e com ele entre os dedos tocar no violão a Manhâ de Carnaval.
Foi um momento musical impressionante para mim. Nunca mais deixei de seguir a carreira desse extraordinário músico e violonista.
Fica a Manhã de Carnaval, aqui tocada num concerto na Alemanha e com o inevitável cigarro e como sempre atingindo alturas olímpicas na sua expressão musical.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

ALHOS & BUGALHOS

“EU é um outro”
Arthur Rimbaud
  

Num livro tribal muito conhecido no ocidente – precisamente no Evangelho de São Marco, 5:9 – um possesso denomina-se “Legião (...) pois somos muitos”, mas o Filho do Homem exorciza-o e transfere Legião para uma vara de suínos.
Hoje pela manhã descascava cabeças e dentes de alhos, creio que me levaram quinze minutos. Esqueci de ligar a tevê ou algum som, também não tinha saído de nenhum texto que li ou escrevi. Ou seja, estava descascando alhos completamente só. Nisso, não demorou muito e comecei a falar comigo mesmo, mas sem voz. Minha legião estava me fazendo retornar entre 2003 e 2006: quando comecei a esboçar a vontade de escrever poesia.
Naquela época intui certamente que havia muitas vozes dentro dos meus quase-poemas. Apesar do acerto, havia um equívoco aceitável para quem já começava a se achar um poeta.  Havia, sim, conflitos harmônicos nas temáticas e nas estruturas que utilizava. Entretanto, poucos eram meus.
Na maioria das vezes não escrevia, deixava-me escrever. Outras gerações, outras vozes, outros outros. Não sei bem quando comecei a transformar os “outros” em “eus” – alteridade, acredito, não é dádiva, é conquista paulatina. Sei, porém, que quando comecei a exorcizar o que não me pertencia mas estava dentro de mim, pude começar a ser outros e, finalmente, deixar de ter outros.


Fred Caju 
(aquele do Sábados de Caju, saca? não? pô... é...)
        

quarta-feira, 29 de maio de 2013

radical livre


uma imensa árvore sobre o mar
segura o balanço de meu vai e vem
enquanto eu sinto o vento o tempo
e algumas outras coisas
que não sei nomear
.
quero ficar longe e perto
de todos
de tudo
ter a linha do horizonte
sempre
ao meu alcance
.
pois paredes me cansam
as pernas
a mente
mentindo o tempo todo
sobre si mesmas
.
acho que vou mesmo partir
mergulhar no lilás do arrebol
enquanto cicatrizes se constituem
e o coração
pare de se ferir