Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Dançar com a morte


no vazio da cabeça cavalgar

guiado por pensamentos errantes
aspirinas
entorpecentes
e
álcool vendido na esquina
amar e depois odiar
teus olhos profundamente
conscientes da cor da minha dor
dormir ao relento
estendido por sobre lembranças pálidas


- Daniel Andrade -



sábado, 10 de agosto de 2019

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Ela sumiu
Passou por cima da minha cabeça
E se escondeu no extremo oeste
Dizem que os japas a avistaram
Mas eu não tenho provas
Ela sumiu
Tomou um copo de cerveja
Viajou que é beleza
Se é Sport ou Santa Cruz
De satanás ou de Jesus
Ela sumiu
Nunca me deu um beijo
Mas cheirava a cigarros
Era de gim aquele hálito de abril
Pálida dúvida
Uma farta juba
Não é de Ipanema
Ela sumiu
Anda meio nua
Seu signo é leoa
Tem umas unhas negras

Um pingente com X
Nunca viu TV
Ela sumiu
Dizem que foi embora
Agora mora fora
E eu dentro sem saber
A que santo pedir pra ela nascer

- Daniel Andrade -

segunda-feira, 1 de julho de 2019

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ÁRTEMIS

Como um Prometeu
eu gostaria de roubar teu fogo
abusar do teu pescoço
me perder em tuas mechas
refrescar-me eu tua boca
e mergulhar nas tuas gretas
maçãs e segredos

mas longe das chamas
caminho errante
enquanto tuas mãos
serpenteiam meu peito
e meu coração insone
derrama solidão
por sobre os teus olhos

- Daniel Andrade -

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Mexendo na sua Radiola - Vamos dançar um coco de Roda?

Coco de Dona Zefinha - A cultura que vem do sertão paraibano:

Fazer  um registro fonográfico em tempos nebulosos é um desafio da besta fubana, ainda mais  se o caboclo enveredar pelos caminhos da cultura popular batucando um Coco de Roda. Mas,  vamos começar do começo com redundância e tudo. Foi assim que aconteceu: em   outubro de  2016 um amarelozinho miúdo, aspirante a cigano, após rodar meio nordeste, resolveu descansar as asas em Cajazeiras-PB. A saudade dos batuques pernambucanos despertou no maluco uma viagem  de  montar  um  grupo  de  coco  de  roda  em  pleno  sertão  paraibano.  Vê  só  se  isso  tem cabimento!  O cabra misturou Selma do Coco, Zabé da Loca, Coco Raízes de Arcoverde, Steve Jobs e Nação Zumbi para fazer uma tapioca,  quero dizer um som híbrido de Coco entoado por uma poesia marginal e urbana, cheia de candomblé e das  histórias pós-ficcionalizadas de uma certa Zefinha de Sairé-PE. Ainda por cima botou engenheiro para tocar caixa, uns cabras das informáticas  para  cantar  e  tocar  caxixi,  e  rasgou  a  boca  do  balão  com  uma  morena  arretada puxando um refrão, enquanto um cabra  das automações sapecava umas pancadas numa alfaia guerreira. E daqueles tempos pra cá esse grupo começou a cair nas graças da praça, do NEC, de Jampa e da gente. Foi assim seu menino que nasceu esse disco que você vai ouvir agora. E esse  é  só  o  começo  do  fim  dessas  nossas  estórias  de  um  Trancoso  u rbano  malasarteado sambando um Coco e tomando uns tragos.



Baixe aqui: https://drive.google.com/drive/folders/1vgueDUKVfqVPTJ7RWBZaKJaRTYFyoKCY?usp=sharing

quarta-feira, 26 de junho de 2019

MEXENDO NA SUA RADIOLA

Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba


Desde de 2006 que o gênio da MPB marginal brasil tupiniquim tropical não lança um disco. Mas, por esses dias ele lançou uma trave no olho dos conservadores, mexendo na gangrena que condenou uma perna do Brasil e desde então caminhamos mancos pela cultura. Jorge Mautner espalha o terror entre os conservadores nacionais com seu mais novo álbum Não há abismo em que o Brasil caiba

Nele o poeta do caos lança/detona uma poética que fala de Marielle Franco, do Analfabetismo e do condenado momento cultural que a republiqueta das bananas passa. Como a ditadura ainda está mole a gente pode encontrar o disco em todos os espelhos da internet, e o recado começa logo com a música desse clip show aí em baixo. 

clip danado de bom



 Toda tempestade no fim termina em sol, faz muito tempo que o artistas brasileiros andavam quietinhos, contudo agora a coisa começou a esquentar. O conterrâneo China também deu o seu recado em seu disco novo, mas esse é assunto para outra postagem mis amores.


DISCO arretado da mulesta




sexta-feira, 21 de junho de 2019

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DIVINA

Nada que no perfore mi pecho
Nada que no tenga cura
Lagos fondos
Ojos negros
Cabellos de oro
Algas marinas
No sé en qué barco
Fue naufragar mi pecho



- Daniel Andrade -

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Emergir




Nada me interessa
A não ser uma ideia fixa
De não sobreviver ao mar
E asfixiado atiro-me
E a pedra amarrada aos meus pés
É um alívio que não encontro
Ao emergir novamente a superfície
E diante do meu Nariz
Fitar o amanhã com um sorriso


- Daniel Andrade -

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

* Colecionando borboletas

BORBOLETAS 


Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza,
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de
uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.


- Manoel de Barros, em "Ensaios fotográficos", Rio de Janeiro: Record, 2000.

* série de notas sobre borboletas