Viajantes Interplanetários

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sábado, 29 de maio de 2010

Um casal, dois poemas

     
AS FRUTAS DE PERNAMBUCO

Pernambuco, tão masculino,
que agrediu tudo, de menino,

é capaz das frutas mais fêmeas
e da femeeza mais sedenta.

São ninfomaníacas, quase,
no dissolver-se, no entregar-se,

sem nada guardar-se, de puta.
Mesmo nas ácidas, o açúcar,

é tão carnal, grosso, de corpo,
de corpo para corpo, o coito,

que mais na cama que na mesa
seria cômodo querê-las.


(João Cabral de Melo Neto)


EPIGRAMA

Bom é ser árvore, vento:
sua grandeza inconsciente.
E não pensar, não temer.
Ser, apenas. Altamente.

Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte.
Com o mesmo rosto tranqüilo
diante da vida ou da morte.


(Marly de Oliveira)

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E não esqueça! Todo sábado, uma nova overdose semanal de cajuína: Sábados de Caju

2 comentários:

  1. o que eu vou dizer de tal dupla tão fuderosa: Deus me de sorte de escrever assim

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  2. Hehehehe!

    É verdade, Everson.

    Adorei os poemas, eu bem que gostaria de ser árvore... uma das flamboyant de minha cidade natal.

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