Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Receitas Musicais

Por: Kleves Gomes


Receita Musical -

Aula número 3



Na aula passada, nós fomos apresentados às claves, mas não antes de entendermos como elas funcionam. Vimos, através do exemplo da seta, que mesmo quando mudamos a nota de referência a leitura acontece normalmente, mudando somente a sequência das notas a serem lidas. Dando continuidade veremos hoje a aplicação das claves no pentagrama, assim como todas as funções que elas exercem na escrita e, consequentemente, na leitura. Vamos lá?

Ops! Só uma pequena colocação! Quem está acompanhando a coluna deve comentar para que suas dúvidas, críticas, conselhos e tudo mais possam resultar na melhoria das nossas aulas! Costumo dizer aos meus alunos que o monstro da dúvida nasce pequeno, mas fica grande num piscar de olhos! Você, que está acompanhando essa coluna com fins de aprendizado, não deve deixar as suas dúvidas para as próximas aulas. Certo? Agora sim vamos lá!

Já sabemos o porquê dos nomes de cada clave (Fá – Dó – Sol). Sabemos também que cada uma tem a função de determinar a escrita dos sons de acordo com a sua altura (grave, médio e agudo). Passaremos agora para a aplicação das claves na pauta (pentagrama), mas primeiro vamos entendê-las mais um pouco.
NOTA: Para melhor visualização das figuras click com o botão esquerdo do mouse sobre as mesmas, com isso elas serão abertas em uma nova guia no tamanho original, facilitando sua análise.

Na escrita e na leitura é preciso pensar em como adequar a escrita dos sons em toda a sua extensão de altura, do grave para o agudo, no pentagrama. Vamos imaginar que precisamos escrever para um contrabaixo, instrumento que é basicamente produtor de sons graves e médios, indo pouquíssimas vezes aos sons agudos (isso é mais comum nos improvisos jazzísticos e em estilos influenciados pelo jazz). Vamos analisar a figura abaixo para entender essa necessidade de adequação.



amos observar bem a figura acima, só continuaremos a leitura após uma observação bem aprofundada, procurando entender o máximo dela possível!

Pronto? Pronto mesmo? Então vamos às explicações.

Pelo que diz na própria figura, temos:
• Seta = Dó médio (nem grave nem agudo).
• A chave azul indica que a primeira nota, lá embaixo, escrita no pentagrama é um Dó duas vezes mais grave do que o nosso Dó Central. Por essa razão podemos contar três notas Dó, entre a nota vermelha (que só está indicando o nosso ponto médio, que é o Dó central) e a preta imediatamente abaixo dela.

Deixando a primeira figura de lado por um breve instante, vemos ao lado a indicação do que acabamos de falar. Vejam que o Dó mais grave foi chamado de 1, o menos grave de 2 e o nosso médio de 3. Na teoria musical, por outras razões (que serão explicadas e dadas nas próximas aulas), a nota média é chamada de Dó3, por essa razão quando falarmos em Dó3 será o mesmo que estarmos falando de Dó médio ou central. À medida que os sons ficarem mais graves ou agudos em relação ao Dó3 aumentaremos ou diminuiremos os números, exemplo:
Dó1 e Dó2 são mais graves que o Dó3.
Dó4, Dó5... Dó7 são mais agudos que o Dó3.
As notas acima do Dó (Ré – MI – Fá – Sol – Lá – Sí) recebem o número dele, as notas abaixo recebem o número do Dó anterior:
Dó1 – Ré1 – Mi1 – Fá1 – Sol1 – Lá1 – Si1 – Dó2 – Ré2...
Fica claro que uma nota qualquer com o número inferior a outra é mais grave que ela e vice-versa:
Dó3 é mais agudo que Mi2 Mi2 é mais grave que Dó3 Sí1 é mais grave que Sí2 que é mais grave que Sí3, e assim por diante.

Voltando para a figura anterior...

• As bolinhas escritas (atenção senhor(a) musicista leitor(a)! Não abordamos ainda as figuras musicais, por enquanto é bolinha mesmo!) indicam as sete notas mais a repetição da primeira, Dó, uma oitava mais aguda:
Dó1 – Ré1 – Mi1 – Fá1 – Sol1 – Lá1 – Sí1 – Dó2.
• As linhas abaixo do pentagrama são chamadas de linhas suplementares (de auxílio extra) inferiores.
• A chave laranja indica que a Seta (igual a Dó3) equivale a Clave de Dó. Já podemos esclarecer que a Clave de Dó tem exatamente essa a função de indicar qual linha será o Dó3. Ela é a Clave dos instrumentos de som médio (a exemplo da Viola sinfônica). Observemos que ela se parece com a letra “B” no meio dela temos uma fenda que está sobre a linha do meio do pentagrama, isso indica que o Dó3 sempre será nessa linha, a não ser que mudemos a Clave de Dó de linha (falaremos disso depois).

A forma como as notas estão escritas é bastante complicada pelo excesso de linhas suplementares, isso é visível. Para o Dó1 temos cinco linhas suplementares, ou seja, dobramos o pentagrama. É agora que surge a Clave de Fá!
• A Clave de Fá aparece indicando que o Dó3 será representado em uma linha suplementar superior (é só olhar a nota vermelha). É visível uma linha verde indicando que a nota vermelha na Clave de Fá é a mesma da Clave de Dó. Se contarmos do Dó3 até a linha que fica entre os dois pontinhos da Clave de Fá encontraremos a nota Fá2: Dó3 – Sí2 – Lá2- Sol2 – Fá2 (vou deixar por conta de vocês a verificação disso lá na figura, é um exercício). Vejam como a escrita fica bem mais organizada após a colocação da Clave de Fá. As notas continuam as mesmas, a única coisa que alterou foi a posição delas. Com essa pequena mudança, causada pela Clave de Fá, diminuímos de 5 para 2 linhas suplementares inferiores, o que fez com que a escrita e a leitura ficassem mais simples.

Gostaria de chamar a atenção de você para uma coisa. A aula hoje foi bastante teórica, mas acredito que uma boa observação das figuras possa, junto com a explicação, fazer com que as dúvidas morram rapidinho. Porém, quero pedir que os comentários sejam feitos! Não podemos prosseguir, a partir de agora, com dúvidas muito pesadas, ok? Continuando.

Depois de tanta teoria voltemos ao nosso contrabaixo! Lembremo-nos que estávamos querendo escrever para ele, quando começamos subitamente o estudo teórico da necessidade da adequação da escrita. Pois bem, a Clave de Fá que surgiu para salvar a nossa figura da bagunça causada pelas linhas suplementares, quando usamos a Seta em Dó3 e a Clave de Dó, é justamente a Clave indicada para o nosso caso. O contrabaixo pertence ao grupo de instrumentos que utilizam a clave de Fá na sua escrita. Não poderíamos usar a Clave de Dó para isso, devido aos problemas visualizados na primeira figura (precisaríamos usar muitas linhas suplementares inferiores), tão pouco a Clave de Sol, que sabemos, desde a aula anterior, que é a Clave dos sons mais agudos. Em breve faremos uma abordagem mais específica disso.

Vamos mais uma vez aguardar a próxima aula. O conhecimento que temos já nos permite exercitar a leitura em Clave de Fá e de Dó e é o que faremos agora.

Na próxima aula continuaremos com o conteúdo visto hoje, além de iniciarmos os estudos com a Clave de Sol e suas especificações. Até lá!


Hora do Exercício

Até agora exercitamos uma sequência fixa de notas, hora com as sílabas, hora com a seta. Passaremos agora para outras sequências agora, só que utilizaremos as Claves de Dó e de Fá ao invés das sílabas e da seta. Caso vocês consigam sem muitos problemas, teremos alcançado nosso objetivo número 1, a leitura em menos de um mês de um trecho simples de partitura. É com vocês!



Especialmente essa semana, devido a carga teórica de hoje, teremos uma publicação extra de exercícios na sexta-feira. Serão cerca de 10 exercícios para Clave de Dó e 10 para a de Fá, totalizando 20 exercícios. Estudem! Abraço e até lá!



Originalmente postado no blog Panela Musical

2 comentários:

  1. Bem posso dizer que baixei um teclado on line aqui na net e estou praticando quando dá... espero que essa coluna duere tanto que eu saia por aqui tocando mais mais

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  2. Boa Noite Kleves :D
    Eu estava dispersa dos meus estudos de música...
    Por isso, a caratér de revisão, vou passar nos outras duas aulas para relembrar algumas coisas.
    Dúvidas:A clave de fá complicou minha vida! Até o Dó está tudo certo. Poderia falar mais sobre ela aqui nos coments?
    No mais, estou me sentindo a própria musicista leitora! E que felicidade *-*, agora eu sei o que significa uma Oitava :D kkkkkkkkkkkkkkkkk'
    Muito Obrigada pelos Posts super bem explicados,
    e pela visita ao meu leite batido!
    Parabéns pela Coluna,

    :*

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