Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

POSTO DE LADO

Ninguém reclama minha ausência

apenas a dor que nunca se distância da cama:

local onde alguns debulham-se em lágrimas

e onde outros também se “amam”.


Do pó ao pó não sei nada de viver.

Ainda continuo em dívida com as estrelas:

nunca aprendi nada de brilho, por quê?

Sempre me faltou amor rente aos trilhos.

Isto de ser humano não está no gibi,

isto de ser humano é desumano.



Hoje não é dia para lamentações,

acontece que o ser humano não se contenta

em ser posto de lado como um cachorro, ou,

apenas aceitar a ração como um cachorro.



Talvez tudo seja um grande engano,

quem sabe não sou eu que andei mentindo:

enquanto monologava de mim para mim.


Quem de vocês me diria me dirá:

Que Maiakovski estava errado

Que Sá-Carneiro estava errado

Que Florbela não era tão flor assim?




O gado apenas come, caga e espera ser abatido

sem um pingo de dignidade SEM NENHUMA PIEDADE.



Não quero ser tachado de pós-não-sei-quê...

Não quero! Teus olhos? Não quero!

Quero apenas o que vem sem lucros:

trazido aos quatro ventos.



Não quero aqui chorar as angústias de outros,

apenas as minhas, e não deve ser egoísmo

não querer engolir meias verdades.



A vida mano, ela, não é assim tão viva!

Às vezes agente entra pelo cano...

(...)

Daniel Andrade


4 comentários:

  1. Essa segunda estrofe foi uma das coisas mais bonitas que já li de você.

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  2. Vindo dum cabra que admiro muito como poeta e camarada só tenho a dizer obrigado.

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  3. É, Dani! Voltei com tudo, sim! ;D

    Adorei teu poema!! MUITO lindo! Ah, concordo com Caju.

    =*

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