Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CONFRONTOS E CONFLUÊNCIAS

          No último sábado (01/01), sacudi lá no SÁBADOS DE CAJU o primeiro poema escolhido para entrar na internet via o próprio blog. Calma, o SÁBADOS está no ar desde o sétimo dia da última semana de abril, mas durante todo o ano só houve repostagens, sobretudo extratos daqui do POETAS DE MARTE e do CRONISIAS. Tudo devidamente repostado, agora já posso escolher os poemas por conta própria. O primeiro da lista foi um poema do meu primeiro e-book, Poemas de Gaveta, e o escolhido foi "O jabuti". A escolha foi tão certeira que me rendeu material para escrevet o Confrontos e Confluências dessa quinta-feira.
          Um multi-artista e camarada chamado Marcantonio acabou utilizando "O jabuti" como epígrafe para um verdadeira manifesto contra a acomodação. Lisonjeado e empolgado com o seu post no AZUL TEMPORÁRIO, trago para a atmosfera marciana os nossos jabutis. Mas antes, quem quiser conhecer mais do Marcantonio, existem três possibilidades: o DIÁRIO EXTROVERTIDO, O AZUL TEMPORÁRIO e os CADERNOS DE ARTE.


O JABUTI
(Fred Caju)

Lento, passo a passo, passivo.
O jabuti tem sua vida monótona e previsível:
nascer e morrer.
Durante a vida não se preocupa em mudar o seu ritmo,
já está conformado com o destino
que seus antepassados escolheram.
Poderia mudar se quisesse,
mas, permanece totalmente estático.

Nota ao leitor:
Quaisquer semelhanças, neste poema,
entre o jabuti e o homem é mera coincidência.


APONTAMENTO NA BORDA DO DIA (40)
(Marcantonio)

Hoje acompanhei alguém a um posto de saúde
Da rede pública da cidade do Rio de Janeiro.
Eu era um guia para um inferno de indiferença.
Todo um pensamento revoltoso meu
Tornou-se um bestiário pasmado num beco sem saída:
Vi jabutis “trabalhando”. Vi jabutis na fila, 
Aguardando para serem encaminhados
Para outras filas e destas para uma fila de meses
À espera de um exame.

Uma funcionária-jabuti surge não sei de onde
E diz à fila:
- Desculpem a demora, mas eu estava resolvendo
Um problema de um “colega” de vocês.

Ó grande deus dos jabutis, então é isso?
O povo pobre é uma subespécie de jabutis,
Colegas de anonimato e desesperança,
Colegas de aceitação do próprio destino.
Talvez a funcionária expressasse alguma vergonha
Por fazer parte desse grande jabuti-sistema ineficaz
Mantido por uma natural jabuticidade de todos nós.
Mas em algum lugar deve haver um jabuti cínico
Mentindo aos seus não-colegas de que tudo corre bem
No interesse da subespécie. E parece que eles acreditam
Que não possa ser de outro jeito, cândidos jabutis.
Afinal o dinheiro é a única coisa que apressa um jabuti
E quem não o tem se dá menos conta da própria condição.

E eu, jabuti-poeta de merda, saí dali revoltado
Com os meus poeminhas anódinos onde tasco
Alguma flor babaca, algum canto de pássaro,
Alguma nesga de mar abstrato, como se a poesia
Não pudesse ser senão escapismo diante dos extremos
Da condição humana. Tento me desculpar a mim mesmo.
Tornar a vida suportável pela ilusão 
Talvez seja a mais natural forma de revolta, 
Incluindo a desilusão e o cansaço do próprio revoltado.

Ah, os otimistas se esforçam para pensar por fatias,
Para rolar acima a pedra da justificativa da existência.
Pasmo, no meu pessimismo talvez tão disparatado
Quanto qualquer otimismo, arco apenas com o absurdo
De apenas existir ou não,
No desconforto de sonhar com algum jardim
Em que a minha condição de jabuti seja menos contrastada.
   

6 comentários:

  1. Como diria meu Grande amigo o trombonista Hilton de Sousa: Ficou massa véi!

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  2. Então....existem muitos jabutis a nossa volta,basta termos coragem e reagirmos em resposta a tudo ...sinto pena literalmente do verdadeiro jabuti que nada tem a ver com toda esta confusão.Penso faltar coragem para mudarmos e nos tornarmos grandes personagens nesta nossa História.Beijos!

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  3. é Marli tem muito Brasileiro que virou Jabuti e muitos que ainda irão virar. Espero que um dia Jabuti seja apenas um bichinho na natureza selvagem =]

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  4. Rapaz, lendo o comentário da Marli fiquei pensando: o que fizemos com o pobre jabuti! A culpa é sua, Fred, que o submeteu à nada lisonjeira comparação com o homem. Rs.

    Sério, essa foi uma confluência-reflexo, urgente, necessária. O seu poema (inspiradíssimo e contundente)surgiu ali, in loco, misturado à minha reflexão indignada. Talvez uma comprovação de que a boa poesia permanece na memória, se aplicando constantemente à vida, viva e incisiva, portanto. Valeu muito.

    Um grande abraço pra você e pro Daniel.

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  5. !NTERESSANTE OS "JABUT!S"...
    ME LEMBRO DE T!M MAIA F!LOSOFANDO A TOA D!ZENDO ELE Q SOL OS SERES HUMANOS E QUEM SE PREOCULPAM COM TAMANHA FACILIDADE POR TAMANHAS FUTILIDADES... PERGUNTE HA 1 JABUT! OU HA 1 MACACO Q D!A´E HOJE , Q ANOS ESTAMOS... SE JA E 2010 OU SE E 3016?
    ...NAO, ESTAO VIVENDO O MOMENTO SEU... A PROCURA DE COMPLETAR O SEU CICLO Y NAO O SEU C!RCULO V!C!OSO...
    -D!GO !STO POR NAO ACHAR O AN!MAL-!RRAC!ONAL HUMANO S!M!LAR AO JABUT!...
    VEJO O B!XO HOMEM + PROX!MO DO CACHORRO DEMENTE-ACOMODADO, MAS SEMPRE "F!EL"...
    BASTA APENAS PASSAR AMAO EM SUA KBÇ... ENGANAR OS SEUS LAT!DOS COM ALGUM PEDAÇO DE CARNE, 1 AUMENTO DE SALARIO, 1 PUNHADO D RAÇAO, OU ALGUMA M!GALHA DE PROMOÇAO POR PARTE DO PATRAO.. PRA ELE ESQUECER O Q E RAZAO !!! O Q E SER RAC!ONAL ?!?

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  6. hahahahahah Célio vc botou furando mais flw a verdade hahahaha

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