Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

 PRATELEIRA DA PIÚLA - I


Por causa da Ialy, que é uma flor de romantismo, eu passei a frequentar o Poetas de Marte. E vim me deliciar com seu “Milk Shake Literário”. Conheci os marcianos e vi que tinha uma coluna dedicada a nada menos que os grandiosos Haicais! que me encantam há pelo menos uma década... Aprendi muitas coisas no “Haicais de Domingo” e como tenho versos correndo na alma como fora sangue metafísico, muitas outras coisas foram me encantando!
Eu nunca imaginaria que me tornaria também colunista – e marciana. Agradeço por ser convidada a estar no sarau e espero abduzir quem ousar futricar na "Prateleira da Piúla" a um marte cheio das alegrias que só a literatura infantil/infanto juvenil pode proporcionar. A "Prateleira da Piúla" não tratará de poesia. Ou talvez sim. Vai depender das aventuras literárias que eu viver com a Piúla e vier vos confidenciar. A Piúla é a minha filha, que tem esse apelido por causa da minha avó. Ela, mina avó, falava um italiano de um brasileiro interiorano, uma bela mistura que se tornou num dialeto que só a família entendia. Significa, segundo minha mãe, pequena, terna... Minha mãe era a Piúla quando pequena. Eu, não sei por que, nunca fui. Tive meus próprios apelidos carinhosos. Mas quando nasceu a Sarah ela se tornou quase que automático em Piúla.  Não lembro bem como foi, mas quando percebemos a chamávamos todos assim. E quando ela foi ganhando entendimento e a chamávamos pelo nome, ela protestava com um belo bico: “Só sô Piúla...” Até que entendeu que poderia ter os dois...
Então essa coluna será a “Prateleira da Piúla”. O que será que tem na prateleira de livros da minha filha? É que vamos descobrir ao longo do tempo.
Desde que ela estava na barriga, tenho lhe dado a ler muitas obras.
Há duas semanas li para ela a história de um elefantinho muito bobo, que todos haveriam de querer levar para casa. Eu tinha, afinal, de dar um jeito de começar falando em Erico Verissimo aqui... É que muitas pessoas não sabem, mas ele também escreveu para crianças.


A Vida do Elefante Basílio



Você sabe o que é biografia?
Bem, o autor, logo de início, explica de um modo lúdico o que é. E para iniciar a heroica vida do elefantinho mais fofo que já vi na literatura, ele remonta aos tempos da arca de Noé. Sim. O Erico e suas genealogias... Irresistíveis genealogias...
Os antepassados de Basílio, o protagonista do mini enredo, foram mesmo aqueles que com Noé e sua família, embarcaram para salvar os paquidermes de tromba da grande destruição pelas águas.
Sabem o que é engraçado? Fiquei imaginando ao ler, e depois lendo em voz alta para a Sarah Piúla, as personagens conversarem em gauchês! Como não “ouvir” o sotaque quando lemos algo que o Erico escreveu?
Depois o tempo passa bem depressa, e o tataraneto do tataraneto, do bisneto do tataraneto e etc do casal de elefantes que entraram na arca é o pai dum elefantinho roliço, engraçadinho, que vem a luz em plena selva indiana.
Então é narrada de forma muito clara e nítida para a imaginação a infância, a adolescência do elefante que ainda mal começou a viver suas aventuras. Chega a ser engraçada as recomendações que o pai elefante faz a seu filho sobre os cuidados que deve tomar com os animais da selva e, com o pior de todos, o humano está entre os piores na “lista temível” para a manada de elefantes.
Eles capturam, arrancam as presas, e podem fazer todo tipo de horror.
E nosso herói já está adulto quando se afasta da manada e vai parar no fundo de um buraco. Passa um medo... morremos de dó dele. A Sarah tem grandes olhos castanhos brilhantes e pude ver que ela sentia a aflição por “ver” o já seu amiguinho preso no fundo escuro.
No outro dia ele acorda sendo erguido por cordas.
Fica sem suas belas presas e a Sarah sofreu um bocadinho quando ouviu eu narrar esse trecho. Ainda por cima, eu faço um drama, entonando os fatos e dramatizando tudo...
O elefante, vendido, vai parar num zoológico em Londres e gostei muito da postura otimista que ele teve, baseado nos ensinamentos de seu pai. Quando se sabe que não adianta de forma alguma controverter ante uma situação, ao menos que se tente tirar aprendizado disso.
Há lá um hindu que entende elefantês e ensina nosso amigo a falar inglês e ele já se sente até feliz com a presença constante das crianças, amendoins, torrões de açúcar... quando é vendido para um circo português.
Lá ele aprende a fazer números, e ganha um nome: Basílio.
Basílio fica feliz com seu nome cristão e sente muita saudade de casa, da família. Mas é um pouco feliz ali, com seu amigo Tristeza, o palhaço!
O Circo viaja para o Brasil, para o Rio de Janeiro. Basílio sofre como o quê na viajem, mas se emociona com a beleza carioca quando a trupe chega ali.
Na noite de estreia acontece o inesperado: entre a efusão maravilhosa da noite de espetáculo, Basílio entrou para apresentar seu número, quando vê ao longe um menininho pulando e gritando em desespero para seu pai para que lhe comprasse aquele elefantão! Basílio distraiu-se e só sei que logo o circo estava pegando fogo, uma algazarra tremenda de correria e fuga e gritos.
Basílio que só tinha olhos para o menininho salva-o em seu choro do pior, e se torna o herói da noite.
O pai do garoto, que é milionário, compra logo Basílio para o filho e o leva para casa, que é uma mansão. Basílio ganha não só um fiel amigo, mas um quarto, um rádio (esse livro deve ter sido escrito na era do rádio *-*) e todo o tempo livre para fazer ginástica, porque se acha gordo, comer amendoim e ir ao cinema.
E até recebe aulas de Português.
Um dia Basílio vê pela janela, em minha opinião esse é o trecho mais lindo da história, uma borboleta a voar, flanando com sua beleza excelsa de rainha dos insetos e ele fica condoído, comovido, tanta é a beleza e a graça que vê diante dos olhos.
Quando encontra Gilberto, o menininho, Basílios diz a chorar:
“Quero ser baaarbuleta...”
Oooounnnnn *---*
Barbuleta? Morri do coração, e a Sarah também, de tanto achar terno. Imaginei perfeitamente a cena de um elefante falante, choramingando para seu “amo” desejando o impossível com tanta emoção.
Basílio se acha grande demais, desajeitado e quer ser belo e simples como uma borboleta. Mas Gilberto insiste que ser elefante é ainda muito melhor que borboletear, mas e quem convence nosso herói disso?
A borboleta, ser borboleta, já estava marcada em seu coração.
Naquele mesmo dia, quando todos dormiam pela tarde, ele saiu desesperado para o campo, pensando em seu infortúnio elefantístico, ansiando borboletícies...
Encontra um ser, digamos, estranho, e não vou entregar as pequenas emoções... mas Basílio se torna, acreditem!!!, uma borboleta. Porém, não como imaginava. Ele continua elefantão, com enormes asas de borboletas que lhe saem pelas costas.
Ora, é melhor que coisa nenhuma!
Vocês imaginam o que acontece quando enlevado com sua recém borboletície, ele tenta pousar numa flor?
Mas essa ainda não é a última peripécia pela qual ele passa. Depois, magoado por uma lagoa zombeteira, ele acaba chumbado, estropiado num hospital...  ôôôôô dóóóó que eu tive, que a Sarah teve!!
Bom, resumi um pouco no final porque o post está ficando grandão.
Vocês acham que é pouco uma garotinha de 5 anos ficar entretida por “longas” 24 páginas de leitura (sem uma ilustração sequer), em velhas páginas de papel jornal, querendo e querendo saber o que vem? Por uma história publicada em 1957?

Já temos aqui em casa 3 cachorros, uma ovelha, 5 galinhas, um marreco, um gato, um vaga-lume, trocentas formigas, lagartixas e aranhazinhas de estimação. E sabem o que deu vontade máxima depois de ler A Vida do Elefante Basílio?
Ter um elefante aqui em casa! *-*
A-hã. Eu queria.
Eu disse:
“Sarah, que tal se a gente pedir para o papai comprar um elefante?”
Ela, entre um pulo empolgado e uma verdadeira esperança:
“Ebaaaa!”

Espero que tenham gostado! Esse livro que é para toda idade tem muito a divertir, enternecer e ensinar.
Beijos e um fim de semana abençoado a todos...

Leia A Vida do Elefante Basílio em: Gente e Bichos, VERISSIMO, Erico, 4.ed. – São Paulo: Globo, 1996


Aline Negosseki Teixeira -- 20h12min



3 comentários:

  1. Mais uma vez acertei no convite! =] e olha que tudo isso começou com um acanhado blog que eu a mal sabia mexer e que provinha de uma idéia originalíssima, que vês ou outra ainda ronda pelas mãos de alguns seletos leitores da UFPE: O panfleto de poesia marginal POETAS DE MARTE, criado originalmente por volta de 2005. Deixando a biografia do blog de lado adorei a postagem, essa Piúla tem a mãe dos sonhos: escritora que lê historia do Veríssimo. Seja bem vinda a Marte nossa mais nova colunista e que essa coluna dê frutos tão doces como fora esse de hoje. Paz, amor e harmonia para todos.

    OBS: adorei o desenho do elefantinho =]

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  2. Eu tmb entrei a ter um blog por causa da literatura, dos livros e não sabia mexer em nada, e as vezes ainda não sei. Mas temos o google aí pra isso "como fazer tal coisa no blog". =D Adorei conhecer a bio do blog e em breve pretendo conhecê-lo ainda mais.
    Que bom que gostou da postagem! e obrigada pelas boas vindas... já pressinto fora da ficção a boa acolhida Pernambucana. Já respondi o comentário lá na postagem de lançamento do livro e felizes compartilhares, mesmo, a todos nós.

    A Sarah tem que desenhar tudo que ouve... =]

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  3. Diga a ela que o desenho dela está fazendo o maior sucesso em Marte =]

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