Viajantes Interplanetários

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terça-feira, 1 de maio de 2012

Visão Periférica: Kafka de Crumb



Depois de uma longa ausência, publico aqui mais uma Visão Periférica. Desta vez serei curto o suficiente para resumir o meu texto em poucas palavras: leiam Kafka de Crumb!






No entanto, sei que preciso explicar-lhes do que se trata. Bem, Franz Kafka dispensa apresentações, é um dos maiores gênios literários que já passaram pela face desta terra esquisita. Atormentado e vivendo com seus pais até o final de sua vida, não publicou nada e quando morreu pediu a seu melhor amigo que queimasse praticamente tudo o que tinha feito. Para nossa sorte, o amigo tratou de editar e publicar cada linha e assim chegaram até nós textos como O Processo, A Metamorfose e Um Artista da Fome, só para dar alguns exemplos.
Por outro lado, Robert Crumb é um pouco menos conhecido do grande publico, no entanto isso não o faz para nada menos genial. Crumb é o que se pode chamar de um patrimônio vivo dos quadrinhos e o maior expoente daquilo que um dia se chamou quadrinhos underground.
Dono de um traço muito característico e usando apenas nanquim e bico de pena, ele recria a vida de Kafka, seus tormentos cotidianos e reconta também alguns de seus principais contos com seu tom sombrio e único. Traz também o excelente texto de David Mairowitz, que dá um tom pouco usual a biografia, pois ela é não linear e está repleta de tentativas de demonstrar qual era o imaginário que Kafka havia se encontrado previamenteUma obra digna de usar o título de kafkiana.
Por isso, se tiverem a oportunidade leiam o quadrinho. Vale a pena ler tudo assinado por Franz Kafka. E vale também muito ler qualquer coisa que carregue o nome de Robert Crumb. Não é todo dia que vemos dois gênios de tamanho quilate reunidos .



diretamente da periferiadomundo

19 comentários:

  1. Caro Lucas, bom dia!

    Muito bom,não conhecia Crumb! Não sei se você já teve a oportunidade de ler o quadrinho muito bem feito de Peter Kuper. A adptação de Metamorfose para as páginas de HQ dele são sensacionais!

    Muita paz!

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  2. Eu tenho um quadrinho também do Kupper, Desista! e outros contos. Neste momento está com Caju. Também é excelente, mas ainda assim prefiro Crumb.

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    1. Fui procurar sobre ele na net e encontrei um domentário da década de 90. Vou procurar ver. O cara já foi posto como um dos 100 gênios vivos. Ele adaptou também histórias do Bukowisk.

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  3. E o Gênesis também! O bicho é foda, pow! Num to dizendo! hehehehe!

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  4. Caro Lucas,
    Li Kafka desde sempre, até já fiz menção à Metamorfose em meus haicais. Conheço os quadrinhos de Crumb e o li muito na extinta revista "Grilo", mas os dois juntos eu não conhecia. Parabéns pela postagem e vou procurar a essa estranha fusão de dois gênios. Abraços, JAIR.

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  5. Já tinha visto esse traço antes, mas sem menção de autoria. Confesso que essa segunda ilustração do post me causou recusa imediata. Quem me conhece sabe que não acredito no ato de escrever como algo externo a quem escreve, como se fôssemos apenas marionetes de seres superiores, sem vontade própria de dizer: "hoje eu vou escrever e fazer uma parada do caralho". Como posso estar me precipitando vou baixar o arquivo e ver qual é.

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    1. Bem, Crumb tenta retratar o que o próprio Kafka dizia do de lhe impulsionava a escrever. Isto não diminui a genialidade de um nem de outro.

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    2. Fred, meu camarada, sem fazer menções a coisas sobrenaturais ou metafísicas, pois a cada dia que passa fico mais descrente em qualquer religião, mas nunca houve situações em que, ao acabar de ler o que você escreveu, se perguntou: caramba, fui eu quem escrveu?

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    3. De fato, eu não consigo acreditar nessa espécie de psicografia que alguns alegam ter tido ao escrever um poema, conto, crônica, etc.

      Estendo a pergunta aos outros comentarista!

      Curiosidade minha, já que o Caju levantou a bola. Queria saber se somente eu tenho essa sensação algumas vezes!

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    4. Caro Cristiano,
      As vezes me vejo surpreso com coisas que escrevi num passado um pouco distante. Os texto os quais considero de boa qualidade que produzi, SEMPRE são espontâneos e não sei explicar a mecânica ou a sequência de eventos que me levaram a fazê-lo. Não sei o que isso significa, mas lembro que o Millôr dizia que só o que é espontâneo é verdadeiramente criação, o resto é cópia ou reprodução. Abraços e parabéns a todos pelos comentários inteligentes. Aliás, isso me faz lembrar: O que estou fazendo aqui?

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    5. Não descarto a intuição e o subjetivismo no trabalho, mas penso: o cara que criou, por exemplo, o soneto, ele deve ter se perguntado: "porra, fui eu?", e ele pode até ter levado como criação única e como produto desconhecido de suas capacidades. Entretanto (não sei se foi o mesmo cara), a partir do momento que se pensa: "sim, eu posso fazer de novo", aí entra o processo racional da escrita, sem mensageiros do além. Penso que assim se vão solidificando estilos. Tenho meus insights, mas sempre tenho de sobremesa o suor no rosto para produzir mais, perseguindo o rastro inconsciente que me levou a escrever da primeira vez. A atividade literária é algo inexplicavelmente vital para quem a faz, mas ressignificando o maluco beleza: "Eu que não me sento/ No trono de um apartamento/ Com a boca escancarada/ Cheia de dentes/ Esperando a morte chegar".

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    6. Concordo. Simplesmente não creio em psicografias. Mas concordo também que a espontaneidade é fundamental. Basta encontrar sua própria forma de pensar.
      A única questão que coloco é que o Kafka (que era muito doido, vale salientar) acreditava que havia uma força quase que demoníaca que o levava a escrever. E como vivia em uma casa pequena com várias pessoas, entrava numa espécie de auto-hipinose para conseguir fazer seus textos.
      Não necessariamente concordo que ele precisava disto ou que de fato essa força o tomava.
      De todas as formas, leia a obra. É muito menos sobre o ato de escrever, tema que sei que te toca e preocupa muito, porém é muito mais sobre outros tantos aspectos da vida dele. Não concordar não diminui em nada, como já falei, a genialidade das obras tanto de Kafka como de Crumb. Afinal de contas, Kafka não tinha a mínima intensão de ser guru de ninguém. Ao contrário, achava-se uma barata, uma toupeira ou um homem condenado a morte, o que não são metáforas muito positivas sobre o seu interior.

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    7. Caros marcianos

      Todos acabam confirmando minha suspeita: a ideia vem,contudo ela não será nada(absolutamente nada) se não for bem trabalhada, sofrida, suada e vomitada no papel.

      Queria eu ter a rigorosidade e disciplina de um João cabral de Mello Neto, por exemplo. Talvez isso fizesse com que as coisas saíssem com mais facilidade nas teclas de meu notebook.

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    8. Bem, a menos que alguém se aventure a ser Aldous Huxley, que pregam o uso responsável do LSD como um tipo de catalisador dos processos mentais. Eu estou fora!

      Ainda assim,como o Lucas afirmou e reafirmou, nãose tira o mérito do cara!

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    9. Caju esse é aquele livro q vc me mostrou?

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    10. Não creio que seja, Daniel. Ele deve ter te mostrado o Desista! e outros contos, que também é de Kafka. E é também sensacional. Esse outro é ilustrado pelo Marcel Kupper.

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    11. Lucas, meu caro, você confundiu! É Peter Kuper!

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  6. É verdade, Cristiano. Obrigado! Realmente é o Peter Kuper.

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