Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

É NODA! — #07

O que vem a seguir não é inédito, nem de exclusividade da coluna. Trata-se de um escrito da minha coletânea CONTRADIÇÕES COERENTES. As palavras aqui expostas foram organizadas entre 2010 e 2011, mas depois que a postei no Sábados de Caju, achei digno abduzi para o planeta vermelho. A eloquência do discurso difere — naturalmente — do meu tom na coluna, peço desculpas, portanto. Fiquem à vontade para me chamar de preguiçoso. Tudo bem, tranquilo, concordo. Mas não será regra, será exceção. 

A EMERGÊNCIA DE UM ÉDIPO

Há algo maior para ser escrito. Não por mim; muito menos por mãos preguiçosas de poetas pós-modernos que se dizem herdeiros legítimos da criatividade. Não sei quando a poesia inventará os novos iconoclastas para derrubar os estigmas e as insígnias dos poetas medíocres que nos rodeiam, mas é urgente que alguém seja o parricida de meu tempo.
Ontem rezava ao túmulo dos meus pais: visitava a estante de minhas ambições cada vez mais empoeirada e renegada por meus ideais. Hoje rezo para que surja um novo Édipo para reinar sob a morte dos nossos genitores. Não estou desprezando as forças que me impulsionaram. Muito pelo contrário, estou homenageando-as ao desejar que alguém siga o mesmo caminho outrora trilhado por elas mesmas.
Estão tão cegos que ainda querem entrar em uma luta que não diz respeito a nenhum de nós. Pobres poetas, acaso não veem? O leviatã, cujas suas adagas penetram, há muito, não tem mais vida...
Ainda não vi o impulso de uma nova geração que pare de se preocupar em derrubar metralhas e construa o seu legado. Existe muito que se desconstruir, não nego. Apenas me preocupo com o futuro de uma era que não sabe erguer tijolos sólidos, mas apenas querer que os muros não fiquem mais de pé. Mesmo que tais muros já não protejam muita coisa.
O que quero apenas é que alguém silencie minhas angústias. Não preciso de um destruidor de ruínas, procuro alguém que venha do pó, pó me torne e pó se finde. E, que, tão somente, após me satisfazer, surja um vendaval para renovar o ciclo. Porque as brisas renovadoras não mais me empolgam: que o novo Édipo venha galopando em furacões.

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Fred Caju responde pelas suas próprias opiniões, que não estão necessariamente em unanimidade com a equipe do blog, que preza pela livre iniciativa de seus colaboradores.
                

5 comentários:

  1. Cajuíno amigo,

    primeiramente falando sobre os que recheçarem por conta da preguiça:vão todos para o inferno! Não a nada melhor do que o ócio extremamente necessário para reiniciar nossos sistemas operacionais.

    Quanto ao texto, foi ótimo! não me lembro de tê-lo lido nos outros blogs.

    Se me permite, nosso novo Édipo deveria decifrar e devorar a Esfinge incorporada por aqueles que não se atrevem, de um modo atenuado ou agressivo, inovar na produção literária. Repete-se a fórmula dos escritos desmedidamente.

    É fato que devemos ler, admirar e nos espelhar os grandes escritores.Aqui mesmo nesse blog eu insisto em dizer sobre a necessidade de leitura para conseguir construir algo, além de se dispor a criar comprometidamente.Contudo devemos nos esforçar criar nossa própria identidade.

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    1. Todo a problemática pra mim é a falta de leitura. Falou bem.

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  2. Eu hein!
    Não ouso pitacar tal assunto de alto coturno. Vocês, vates hodiernos, que balestram lonjuras efêmeras que o façam. Nós, os mortais que resfolegamos no lodo viscoso do conformismo literário medíocre, ficamos de butuca. Amplexos a ambos, JAIR.

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