Viajantes Interplanetários

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Matsuki - Sérgio Francisco Pichorim

O haicai é uma arte que me tocou o coração aos 14 anos.
Eu estudava em uma escola pública, oitava série.
Um poeta começou a dar aulas de Criação Literária no período da noite.
Eu que sempre adorei escrever, adivinhem se não fui...
E ele nos explicou sobre o haicai. Eu adorei. Aliás, eu fui a que mais adorou!
Escrevi, sobre um beija flor. Eles sempre iam beijar os jardins da minha mãe...
Ele me ensinou que eu devia aperfeiçoar e eu fui burilando meus haicais.
Assim eu ia aprendendo novas palavras.

Desde então fui saboreando algumas tantas experiências haicaísticas! :)
Hoje vou falar do Sérgio Pichorim.
No lançamento da antologia dos participantes do concurso de literatura da Biblioteca
Municipal de São José dos Pinhais, conheci um haijin de verdade...
De verdade, pois além de já haver publicado seus haicais, já até atuou como jurado
em concursos de haicais, e participa desde 1999 do grupo de discussão de haicais,
o site na internet, kakinet..com. Tem haicais publicados no Jornal Nipp-Brasil, Jornal
Memai, Jornal Nikkey Bungaku, entre tantas outras publicações e antologias
 Ele, Sérgio Francisco Pichorim, o Matsuki, me presenteou naquela noite com
o seu 'Che Paraná Porã'.

Depois, tive a alegria de, no dia do escritor, 25.07.2011, ter a oportunidade de lançar
meu romance Por Falar em Disputa..., junto dele e mais dois poetas da cidade, no Museu
Municipal Atílio Rocco.
Ele estava publicando seu belíssimo 'Luar de Abril', com o qual também me presenteou.


cheparana.jpg


luardeabril.jpg

A apresentação dos livros em si, que cabe no bolso, é uma poesia.
Com papel de qualidade, gravuras, papel pólen soft. 
Desses que os bibliófilos de plantão, adoram ficar contemplando.

Ele me ensinou sobre o haijin de mesa. Que se cria a partir da imaginação.
E sobre o valor daquele de campo, que registra-se aquilo que se viu.
Escreve haikai, enquanto eu, haicai.
Ele me disse que haicai não é poesia, o que eu não diria! Mas não o estou contrapondo!
Quem sou eu?... Não tenho pretensões. Sou só mais uma apaixonada pelos haicais.
E tenho a fome de divulgá-lo para que, desde crianças, possa surgir nas pessoas uma paixão
por essa literatura tão incomparável.
Acontece que para mim, tudo, tudo, tudo que é belo e existe, logo, é poesia!
Essa postagem é apenas para expressar minha admiração por sua obra e recomendar aos 
amantes dassa arte que adquira seus livros, procure ler suas criações.
São de uma incrível sensibilidade.


in Che Paraná Porã


Recanto no Miringuava.
Faço a sesta em uma sombra.
(Gosto muito desse, meus antepassados viveram do rio Miringuava...)



Estrada rural.
Em cada curva surgem
novas araucárias.



Outro dia gélido
amanhecendo lá fora.
Lenha no fogão.



Ao redor do tanque
o casal vaga a procura
de estrelas cadentes.



A lua cheia
sobre a alta chaminé...
Um pingo no i.



Meu preferido:

Tarde de outono.
A velha casa de madeira
já foi semente.



Terra araucana.
Os teus bosques trazem
lembranças dos meus.
Araucanía, Chile.



in Luar de Abril
(Dividido por kigôs)

Pedaços de folhas
caminham pelo quintal.
Ah, essas formigas!



Surpresa de maio.
A cor azul da gralha
em meio as grimpas.



Céu cor de rubi
no entardecer de abril.
A primeira estrela.



Na densa  neblina
uma figura sem forma.
Luar matinal.



Dádiva

Caídos no chão
De graça para quem passa.
Tempo de pinhão.



O índio na mata
segue em busca da
yvy marã ei...



Termina a Copa
A bandeira enrolada
volta pro baú.



Aparecida do Norte.
No caminho do calvário
os CDs piratas.



Campo afuera gime
el viento, em mi rancho
la vieja mbakará.




Uma tanka, para concluir:

A menina Ana
um dia ficou moça !
e se tornou mãe

      e se tornou vó
      e se tornou pó...


Até  a próxima, em que pretendo trazer mais sensibilidades poéticas ao planeta vermelho, de onde olho minha belíssima Terra, cheia de doces nostalgias! :)

Aline. N. T. -- 15h17min








3 comentários:

  1. Haicai é realmente uma arte... dizer tanto falando tão pouco é difícil. Me encanta a simplicidade e a capacidade de evocar ideias. Talvez de fato não seja poesia, ao menos no sentido formal de classificação... já que dizem que a poesia é subjetiva, metafórica e desperta a emoção interna. O haicai, para mim, é direto e objetivo e sempre me faz pensar e sentir coisas concretas, pois fala da vida cotidiana de cada um, desses momentos que às vezes não valorizamos mas que na verdade são os que constituem a nossa essência.

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  2. Agradeço à Aline seus comentários aos meus singelos haicais.

    Isto nos ajuda a crescer e lapidar nosso trabalho.

    S.F.Pichorim - Matsuki

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  3. Aline poeta
    Haicais maravilhosos
    Uma esteta.

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