Viajantes Interplanetários

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sábado, 11 de maio de 2013

Cinemarte




Musicais

Se existe um gênero que represente bem a magia do cinema, este gênero é o musical. O musical talvez seja o tipo de filme que mais desperta o amor e o ódio nos cinéfilos em geral. Há quem não suporte o fato da narrativa ser interrompida por canções que ilustram as emoções e os sentimentos dos personagens, há quem ache este o seu principal encanto. Afinal, na nossa vida, não nos dá vontade de sair cantando por aí num momento de extrema felicidade, quando conseguimos alguma coisa que muito desejamos, ou ficamos com a pessoa por quem nutrimos algum sentimento? Quando estamos tristes não preferimos nos trancar no quarto e colocar a canção mais depressiva, pois ela expressa aquilo que nos oprime, magoa etc.? Que forma melhor de arrumar a casa do que com um som bem alto e cantando junto com o intérprete do CD ou disco? Nossa vida é um tanto quanto regida pela música, uma das mais belas invenções humanas. Por que negá-la?


O musical somente retrata aquilo que nossas mentes tanto almejam: cantar para os nossos males espantar. Antes do cinema, aquela que era considerada como a obra de arte mais completa em si mesma era a ópera, outro sinônimo de cantoria em notas mais altas e em tons ainda mais dramáticos. Que bom que esta tradição passou para a sétima arte (sem equivocadas comparações, claro) e nos presenteou com obras como Cantando na Chuva, querendo ou não, uma dos maiores filmes da história (como esquecer Gene Kelly cantando Singin’ in the Rain?), Amor, Sublime Amor (as cores, as coreografias de Jerome Robbins, a presença de George Chakiris e Rita Moreno), Os Guarda-Chuvas do Amor (Catherine Deneuve no esplendor de sua beleza, o primeiro filme totalmente cantado), as acrobacias de Sete Noivas Para Sete Irmãos e a ousadia de Bob Fosse em Cabaret ou All That Jazz, a Judy Garland infantil de O Mágico de Óz e a adulta de Nasce Uma Estrela, Julie Andrews cantando nas montanhas em A Noviça Rebelde ou a elegância de Fred Astaire e sua partner Ginger Rogers em O Picolino, além de muitos outros títulos que a memória falha em lembrar no instante em que escrevo este post, sem querer ser injusto com estes.


O próprio Brasil, país tão reconhecidamente musical, berço do samba, da bossa nova, também contribuiu com seus musicais na forma de divertidíssimas chanchadas que revelou talentos da comédia como Dercy Gonçalves, Zezé Macedo, Grande Otelo, Oscarito, Ankito e tantos outros. A Atlântida tem um lugar reservado no coração daqueles que acompanham o cinema tupiniquim. O Brasil também exportou Carmen Miranda, que brilhou em comédias e musicais em Hollywood, produtos da política da boa vizinhança  que os EUA pregavam com retratos pouco fiéis, equivocados e preconceituosos de países latino-americanos como Argentina, o próprio Brasil e Cuba, por exemplo. Seus balangandãs, seus turbantes de frutas e flores, seu gingado e simpatia marcaram o cinema dos anos 40 e 50. 



Os musicais estavam em baixa até que Woody Allen ressuscitou a atenção com o seu Todos Dizem Eu Te Amo. O cinema de arte também produziu o seu exemplar com Lars Von Trier e Dançando No Escuro, com uma impressionante Björk no papel principal. Mas foi com Moulin Rouge! e todo o seu exagero kitsch, o resgate de canções emblemáticas da música pop e a despretensão de soar realista, além do melhor uso da beleza de Nicole Kidman (como a prostituta Satine) na tela do cinema, que o musical voltou com força total reconquistando a audiência perdida dos anos anteriores. Mérito de Baz Luhrmann que não teve medo de ousar e arriscar-se, renovando um gênero envelhecido. Chicago seguiu na esteira deste sucesso, foi premiado e estabeleceu o musical definitivamente no cenário cinematográfico atual, apesar do então estreante Rob Marshall ser credor do falecido e genial Bob Fosse, que levara a obra para os palcos da Broadway décadas antes. Mesmo assim, diverte o espectador com a desesperada luta pela fama de duas celebridades presas (Renee Zellweger e Catherine Zeta Jones) por assassinato.


Apesar de Dreamgirls e Hairspray e das tentativas do francês Christophe Honoré e seu Em Paris e As Canções de Amor (mesmo estes não foram exemplos tão retumbantes do musical, porém serviram para manter o interesse no gênero mesmo assim), não houveram outros títulos tão memoráveis. Os Miseráveis, por trazer às telas um musical da Broadway, sucesso em todo o mundo, talvez tenha maiores chances de passar à posteridade, junto com as obras de Rob Marshall e Baz Luhrmann, sua estreia também suscitou reações negativas e positivas, igualmente acaloradas. 


Assim como o western, o musical enfrenta instabilidades e oscilações, no entanto sempre se mantém com as obras marcantes que contribuem para a manutenção da magia do cinema em toda sua história recente e pregressa. Danças, músicas, cenários, romance, comédia, drama, tudo se mistura e se justifica, afinal a intenção é o encantamento e a catarse, é marcar o espectador e fazê-lo sonhar e fugir de sua realidade tão dura e, muitas vezes, tão gris, apática e mal humorada. O musical cumpre a máxima cantada por Donald O’Connor no já mencionado Cantando na Chuva: “Make them laugh!”.


7 comentários:

  1. São muitos filmes =]]] vc tem que dá uma dica de algum sítio eletrônico onde seja possível baixar/ver essas joias

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  2. Eu estou acostumado a baixar no Melhor da Telona: http://www.omelhordatelona.biz/ Tem uma grande diversidade de filmes, não somente hollywoodianos, mas aqueles mais alternativos também. Abraço!

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    1. Opa! Estou pronto para baixar os filmes. Aliás baseado nessa postagem ontem assisti cantando na chuva - muito bom, fantástico.

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    2. Cantando na Chuva é simplesmente o melhor, não tem como não se contagiar com todas aquelas canções.

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  3. Você deu uma aula magna sobre o gênero musical.Quando era pequeno, me lembro de ter assistido "Funny Girl", com a Bárbara Streisand(acho que é assim, o seu sobrenome).Muito bonito!

    Ótima postagem, caro amigo!

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    1. Realmente Funny Girl é um belo filme e Barbra Streisand cantando "Don't Rain on My Parade" ou "My Man" é inesquecível.

      Um grande abraço!

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  4. Rapaz não gostei de os miseráveis - prefiro mesmo os grandes clássicos das antrolas

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