Viajantes Interplanetários

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domingo, 7 de julho de 2013

CAPINAR


         Esporadicamente a gente tem que fazer algumas limpezas, disso já falei repetidamente... Mas quem disse que o tema se esgota? No jardim da minha casa tenho o hábito de jogar cascas e sementes de frutas para ajudar na sua vitalidade. Fertilizante grátis diariamente, ou quase.
         De vez em quando é preciso dar uma “capinada” nele. Enquanto o adubo improvisado se deterioriza, crescem fungos e plantas menos exuberantes: mato, trocando em miúdos. Para garantir maior beleza e longevidade ao acervo de flores que cultivo, faz-se mister a retirada do verde intruso.
         Laboro em prol do jardim ideal até que... Ridícula, minúscula e anônima, vejo uma flor roxa brotando da relva indesejada. Fora dos padrões ornamentais estabelecidos — que eu covardemente aceitei — como um simulacro do que seria considerado belo, ela nasce. E se impõe.
         Me vejo de suor na testa e ferramentas em mãos, incapaz de prosseguir. Me vejo diante da minha gaveta de poemas renegados e sei: daquele nicho de lixo há uma flor anônima prestes a se impor.


Fred Caju
(aquele do Sábados de Caju, saca? não? pô... é...)

6 comentários:

  1. profissional é diferente de mim escrevendo, belo texto

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  2. Limerique

    Era uma vez um monte de lixo
    Em que só vicejam curiosos bichos
    Sem ao menos querer
    Veio a flor florescer
    Ali se encontrava seu perfeito nicho.

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  3. Gostei imenso do texto!! Feliz terça-feira eu te desejo,fica com deus!! http://pontodecruzdamafalda.blogspot.pt

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  4. Seu olhar atento até pelas pequeninas coisas.
    Um mirradinho de flor ostentando toda a beleza do universo.

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