Viajantes Interplanetários

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

FILOSOFANDO Á TOA 22




SOBRE ASSÉDIO SEXUAL
(NOS COLETIVOS E AGLOMERAÇÕES)
Por: Marcos Lima
“São códigos culturais que são compartilhados. É difícil você descrever objetivamente, mas as pessoas sabem o que se passa quando vivem a situação” (Júlia Rabahie)

Há bem pouco tempo um parlamentar pernambucano elaborou um projeto de lei no qual previa vagões exclusivos nos trens do metrô para mulheres. O autor esperava que estas aderissem de forma entusiasmada ao seu projeto. Ocorre que em entrevistas realizadas pela imprensa local elas não se manifestaram a favor, resultado: o projeto de lei sequer chegou a ser votado.
Os motivos para o projeto de lei.
Possivelmente o ilustre parlamentar foi buscar inspiração nos noticiários do Rio e São Paulo onde com freqüência ouvimos falar em assédio nos ônibus e metrôs quando lotados. Em Recife praticamente não foram registradas reclamações neste sentido
Como se comporta a mulher nordestina diante desse tipo de assédio?
Certa ocasião uma amiga em bate-papo de barzinho me fez uma confissão sobre o que ela disse ter ocorrido com uma amiga casada moradora no conjunto Marcos Freire. Todos os dias esta senhora pegava o ônibus (quase sempre lotado) para o centro do Recife onde trabalhava. Nestas condições ensejava a aproximação de algum homem, este toque lhe proporcionava momentos agradáveis, mas de um passageiro ela guarda até hoje uma inesquecível lembrança. Estava ela no ônibus, próxima a cadeira do motorista, quando um sujeito se aproximou e em alguns segundos encontrava-se absolutamente encaixado em seu enorme traseiro. Uma sensação eletrizante percorreu todo o seu corpo e a partir deste momento tudo o que ela mais queria era que a viagem não terminasse nunca.
Certo senhor que mantinha uma relação aberta com uma profissional da área da saúde, certa ocasião perguntou-lhe se já havia sofrido esse tipo de assédio, e qual foi sua reação, ela confirmou e disse que em muitos casos era indescritivelmente prazerosa provocando um desejo quase incontrolável de fazer sexo.
Fatos como estes ocorre, ao que tudo indica, em todos os pontos do planeta, havendo até locais que simulam estas situações. Certa ocasião no programa do Jô Soares, em que estava sendo entrevistado um ex-diplomata brasileiro no Japão, este dizia que naquele país havia uns locais que reproduzia o interior de um transporte coletivo e homens e mulheres pagavam para passar alguns momentos neste roça-roça.
O que dizem os estudiosos.
Magnus Hirschfeld, em sua Enciclopédia da vida Sexual, pag. 151 Edições Spiker- Rio, citando Edgard Poe: “Há homens e mulheres que não podem resistir à tentação de estar em contacto com outros seres da sua espécie, mas de sexo diferente. Não são poucos os homens que não perdem a oportunidade de misturar-se a uma multidão qualquer com a simples intenção de sentir o calor de uma pessoa do sexo oposto, de poder apreciar a dureza de sua carne a turgescência das suas formas. E não poucas são as mulheres que sobem a um ônibus ou a um trem, sem necessidade alguma, quando vêem que está cheio de gente, sabendo de antemão que terão de viajar em pé e serão apertadas invariavelmente durante a viagem. Não me refiro evidentemente a mulheres depravadas, e anormais, porém a mulheres tidas e havidas como honestas, que aproveitam o momento para estar em contato com um desconhecido que, provavelmente nunca mais voltarão a encontrar, mas que durante alguns minutos lhes terá proporcionado uma impressão agradável, tanto faz moço como velho, contanto que se trate de uma pessoa de sexo oposto. Durante esses momentos desaparecem também todas as diferenças sociais. Estão em contacto apenas um macho e uma fêmea” É importante acrescentar que como conseqüências destes episódios surgiram paixões duradouras.
Este tema já foi abordado também pelo cinema. Quem não se lembra de uma produção brasileira de 1978, protagonizada por Sônia Braga, cuja produção foi baseada no romance de Nelson Rodrigues A DAMA DO LOTAÇÃO, onde a Sonia dá um show de erotismo, e bateu recordes de bilheteira. O enredo é mais ou menos o seguinte:
“Carlos (Nuno Leal Maia) e Solange (Sônia Braga) se amam desde jovens e, após um casto namoro, se casaram. Na noite de núpcias, Solange se recusa a fazer amor com ele. Primeiro ele implora, então em um acesso de raiva a estupra. Solange afirma que o adora, mas nos meses que se seguiram ao casamento ela não pode ser tocada por Carlos. Para provar a si mesma que não é frígida, começa uma rotina diária de seduzir homens em coletivos, homens que ela nunca viu nem verá novamente e nem mesmo sabe seus nomes.... Enquanto isso, ela busca ajuda psiquiátrica, pois não sente nenhum remorso” ( Anônimo).
É evidente que neste tipo de comportamento não se instala o sentimento de culpa, pois para os personagens envolvidos estes momentos de prazer não pode se caracterizar infidelidade, e tem ainda como atenuante o sentimento de tranqüilidade de não se ter exposto ao contágio de alguma enfermidade sexualmente transmissível. Contudo não são poucos os casos, relatados por passageiros, de que em viagens interestaduais durante a madrugada enquanto os demais passageiros dormem pessoas de comportamento tanto heterossexual  como gays fazem sexo, na maioria dos casos oral.
Os anormais
São inúmeras as reportagens levada ao ar pela imprensa televisada sobre este assunto, e em uma destas um entrevistado revoltado denunciava um sujeito que havia ejaculado sobre a roupa de sua mulher. É evidente que mulher alguma deseja passar por tal constrangimento, e segundo a opinião de muitos, um sujeito que assim procede é um tremendo canalha e tal procedimento tem o repúdio de todos, alguns já foram vítimas de alguma agressão por parte de alguém mais exaltado. Se a mulher consente nesta aproximação ela deseja o prazer do toque, mas não autoriza (segundo um marido revoltado) vagabundo algum a colocar o seu sêmen sobre sua roupa, ou ser tocada pelas mãos de alguns atrevidos que se julgam neste direito. Ouvimos relatos de que algumas mulheres conduziram as mãos de alguns homens (nestas circunstâncias) até sua genitália, mas por iniciativa dela. E algumas mulheres afirmam que certos elementos por não entenderem até onde a mulher está permitindo que ele vá, levaram tapa na cara.
Escancarar ou fingir
Entrevistamos um famoso sexólogo que afirma: que ao contrário do homossexualismo que é debatido, estudado e incentivado, esta questão será sempre tratada como sendo um perigoso desvio de comportamento, embora a coisa mais natural seja que dois seres de sexo oposto desejem estarem próximos. Em alguns, este desejo é mais forte e em outros ele é ausente. Claro que um pai ou marido vendo sua filha ou esposa envolvidas nesta fantasia prefere deduzir que elas estão sendo incomodadas, a ter que admitir que tudo que está ocorrendo naquele momento é resultado do consentimento delas. E o ciúme é o sentimento que eclode nestas situações ensejando cenas por vezes desagradáveis, quando tudo poderia ser resolvido com um apenas “quer fazer o favor de se afastar”. Muito dificilmente alguém resistiria a tal pedido, mas se o sujeito é insistente neste caso a melhor atitude da mulher é trocar de lugar.
Talvez em um futuro próximo, continua o sexólogo (que pediu para que seu nome não fosse revelado), quando as pessoas estejam libertas do sentimento de posse e o espírito de amor e compartilhamento faça parte de nossa natureza humana, manifestações de carinho e desejo externados em comportamentos como este, serão vistos com absoluta naturalidade. Mas fica uma advertência: ninguém, absolutamente ninguém, em circunstância nenhuma, ou em qualquer época, tem o direito de importunar quem quer que seja, sobretudo quando sua aproximação é repulsiva.

Marcos Lima dos Santos (Filósofo Urbano)




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