Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

FILOSOFANDO A TOA 27













SOBRE DANIEL ALVES & A BANANA, JARDS MACALÉ & A VAIA, NEY MATOGROSSO & A COPA.


Por: Célio limA.

“Soou profundamente infeliz a meus olhos (e ouvidos) a tag #somostodosmacacos, lançada por Neymar e a agência de publicidade Loducca, e urgentemente capitalizada por Luciano Huck em forma de camisetas logo postas à venda, após o igualmente infeliz episódio da banana envolvendo o jogador brasileiro Daniel Alves na Espanha. Duplamente infeliz, eu diria, porque antes de tudo corrobora de forma burra o argumento dos racistas (de que “negros se assemelham a macacos”), depois porque, a julgar verdadeira a tese de Darwin, o slogan presume e sugere um retrocesso de pelo menos alguns milhões de anos. Sim, porque, se viemos mesmo dos macacos, é certo também que evoluímos a um ponto altíssimo, o ponto de aprendermos incríveis capacidades, legadas apenas a humanos (até onde se sabe), como fazer arte, escrever livros, criar campanhas antirracistas, apresentar programas de tv e jogar futebol. E também de aperfeiçoá-las ao máximo e colocá-las a serviço da vileza (“escrotidão” talvez fosse mais apropriado), do cinismo e do arrivismo mais desbragado. Os idiotas consumistas têm um fetiche: querem ser update, estar na “crista da onda”, como se dizia no tempo em que eu era jovem e o mundo um inferno um pouco menos inóspito e mais poético. A massa ignara certamente comprará milhões dessa estúpida camiseta, mas não tenho dúvidas: #somostodosbabacas seria mais adequado.” (Zeca Baleiro)


Recentemente o senador Cristovam Buarque opinara que o brasileiro precisa se indignar com o atual modelo educacional e que a partir dessa indignação talvez surja enfim um processo de uma revolução no quesito educacional. Eu vejo que a indignação brasileira ainda seja uma “mosca sem asas” e digo isto principalmente quando penso que “o gigante” que disseram que tinha acordado ou estar sonolento ou por certo está muito ocupado em colar as figurinhas do álbum da copa. Dito isto falarei de algumas indignações que me ocuparam nesses últimos dias. Três acontecimentos que me levaram a pensar um pouco sobre a importância da indignação na vida do indivíduo. Principalmente quando esta deixa um retorno no popular o cuspir ao invés do engolir, melhor explicitando: o digerir e o retornar na forma de um vômito tal acontecimento.


O primeiro fato não em seqüência cronológica. Ocorrera com o jogador Daniel Alves em uma partida de futebol um torcedor adversário arremessa em sua direção de forma preconceituosa uma banana (https://www.youtube.com/watch?v=6L47VQ9H1oo). Ele em um momento de ação/reação acertadamente engole e a digere como fonte de vitamina auxiliar ao seu cruzamento melhorando até o seu desempenho isto por o seu psicológico não ter sido abalado negativamente com o acontecimento. Essa reação do jogador fora de uma grande importância para uma luta inteligente contra a burrice que é o preconceito, lamento a manipulação da mídia e algumas celebridades se alto promoverem em cima desse ocorrido, assim como algumas asnas campanhas quando não canalhas que tomaram conta das redes sociais. Mais quero valorizar essa atitude do jogador baiano que interpreto abusadamente como se ele ao comer a banana desse o seguinte recado ao adversário: “Seu burro macaco branco europeu, que com esse seu preconceito desperdiça alimento em um país também em crise” realmente vejo isso como um gol que nesse momento ele derrotou o preconceito.


O fato descrito me lembrou de um outro ocorrido em 1969 com o cantor Jards Macalé no IV Festival Internacional da Canção em que o próprio com o conjunto negro “Os Brasões” sofreram uma tremenda chuva de vaia na apresentação/teatral da canção “Gotham City” parceria do Macalé com o poeta Capinam (https://www.youtube.com/watch?v=DqJ0kF1_oL0&feature=youtu.be). Uma letra que era uma critica ácida ao seu tempo. Vejo que o Jards Macalé digerira bem aquela ignorante vaia, vomitando-a aos berros com os próprios versos da canção: “Cuidado… há um abismo na porta principal. Há um morcego na porta principal. A saída é a porta principal”.


O terceiro, fora a entrevista do cantor Ney Matogrosso concedida a uma emissora portuguesa(https://www.youtube.com/watch?v=DqJ0kF1_oL0&feature=youtu.be). Em que o brasileiro desabafa e cospe críticas pesadas a nossa política, a economia, a precariedade na saúde, a corrupção descarada e escancarada como nunca antes na história desse país fora vista tão banalmente excessiva. Além das medidas paliativas do governo como o bolsa família, a má educação de um lado e do outro o superfaturamento e gastos do erário publico para a realização da copa 2014. Que até o atual momento não deixará melhorias visíveis para a população, talvez a farra das empreiteiras desfrutem tais melhorias que edificará simbolizada nos elefantes brancos.


 "O Brasil não só tinha condição de sediar uma Copa, como tinha a condição de sediar a maior Copa de todos os tempos. Assim como todos, eu fui enganado. Eles tinham divulgado que 90% do gasto seria de dinheiro privado. Hoje temos quase 98% de dinheiro público, gasto totalmente errado. Dinheiro que a gente poderia colocar em outras áreas que são extremamente precárias, como educação e saúde. O que vejo de mais errado é esse gasto astronômico, totalmente fora do planejado, e o enriquecimento ilícito de vários políticos (...) Acreditei nos três. No Lula, na Dilma e no Ricardo Teixeira. É uma maioria bem grande que acreditou. Quem não quer uma Copa do Mundo no país? Principalmente com todos os gastos vindo de empresas privadas. Mas, infelizmente, virou totalmente contra o que era lá atrás e virou uma roubalheira". (Romário)


Célio limA. (ATIVISTA CULTURAL) É filósofo por natureza; anarquista por tesão e poeta por diversão. Membro fundador dos movimentos literanarkos: A Sociedade dos Filhos da Pátria; A Liga Espartakista-Sempre Mais & O Movimento Poético Geleista!!!. AtuanosBlogs:http://salveopoetasalve.blogspot.com.br/http://sexopoemaserocknroll.blogspot.com/http://poetasdemarte.blogspot.com/ http://tribunaescrita.blogspot.com/

2 comentários:

  1. Críticas pesadas de Ney? Só vi vômitos banais de uma classe média acéfala. Entrevista rasa. Não é a toa que a Veja o elencou como herói da semana. Esse tipo de raivinha, a la TV Revolta do Facebook tem sempre uma base reacionária, de discurso de ódio que bate na porta do fascismo.

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  2. O PROBLEMA NÃO É A COPA? É sim! Pois o problema é o que se põe como problema. A Copa mostrou aos brasileiros que havia dinheiro para construir estádios. Havia também possibilidade de mobilização ministerial para fazer as coisas rapidamente. Então, as pessoas tiveram na cara, estampado, a verdade que elas sabiam, mas que nunca foi tão evidente e tão jogada como tapa no focinho de todos. Isso não revolta alguns. Mas revolta outros. Há brasileiros como eu que não se conformam de ver as pessoas jogadas no chão em hospitais ou então andando quilômetros para chegar numa escola em que não haverá aula (às vezes nem água), com o professor ganhando nove reais a hora aula. Sim, sou um bobo. Para mim, não vai ter Copa. Não vou conseguir ficar alegre. Mas sei que muita gente vai ficar bem alegre. Aos alegres, a alegria. Paulo Ghiraldelli

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