Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ESTUÁRIO



Bem-vindo ao silêncio da terra pisada de conchas e guerras onde se esviscera o veneno azul das mortes macias. Procure algum tronco se sente e se cale deixando que o vento espalhe seu corpo no barro da estrada. Quando a fome vir não tenha pudores do desejo e coma como se esta fosse a refeição última que fazes na terra. Ao sobreviver abra seus ouvidos pra outra travessia e escute os fantasmas do tempo presente converse com eles e se funda ao cenário. Percorra o caminho que o verde farfalha entre as bancarrotas dos tijolos brutos até que seus pés estejam banhados pelo caldo espesso no cais do estuário. Espere que a lua mostre sua silhueta num descortinar breve e inevitável como se esperasse pela tua chegada pra que assim pudesse selar tua partida.

FRED CAJU

Um comentário:


  1. Acróstico

    Espere que a lua mostre a silhueta
    Se funda ao cenário como se fosse
    Tudo mais este pecado não cometa
    Uma travessia cheia de certo doce.

    Álacres são os melhores caminhos
    Rios de tempos deveras insolventes
    Incline-se ante tais dias comezinhos
    Ou será guerra total em duas frentes.

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