Viajantes Interplanetários

E-MARTE: Cadastre-se para receber nossas novidades em primeira mão!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A POESIA

Bruscamente recordas-te de que tens um rosto. Os traços que formavam o seu relevo não eram todos traços de desgosto, antigamente. Em direcção a essa paisagem múltipla erguiam-se seres dotados de bondade. Nela, o cansaço não seduzia apenas naufrágios. Nela respirava a solidão dos amantes. Olha. O teu espelho transformou-se em fogo. Insensivelmente, recuperas a consciência da tua idade (que saltara do calendário), desse acréscimo de existência cujos esforços construirão uma ponte. Recua no interior do espelho. Se não consumires a sua austeridade, pelo menos a sua fertilidade não se esgotou.


René Char
           

Um comentário:

  1. Poxa velho essa poesia ficou muito bonita... ta doido, sem palavras...

    ResponderExcluir