Viajantes Interplanetários

domingo, 26 de setembro de 2010

HAICAIS DE DOMINGO

O chute inicial na bola do haicai

Por: D.Everson

Bem, apesar de minha coluna está passando despercebida, estou aqui postando nela mais uma vez.


Tratarei hoje daquele camarada baiano que deu o chute inicial na bola do haicai aqui no Brasil: Afrânio Peixoto médico legista, político, professor, crítico, ensaísta, romancista, historiador literário (uffa!!! Tudo isso), segundo a Academia Brasileira de Letras¹, ainda segundo a ABL Afrânio fora eleito em 7 de maio de 1910 para a Cadeira n. 7, na sucessão de Euclides da Cunha como imortal. A sua entrada no mundo literário deu-se dentro da atmosfera simbolista, com a publicação, no ano de 1900 do livro Rosa mística. Porém mais tarde comentará a respeito do primeiro livro: “incorrigível. Só o fogo.”¹
Afrânio Peixoto procurou resumir sua biografia o seu intenso labor intelectual exercido na cátedra e nas centenas de obras que publicou em dois versos: “Estudou e escreveu, nada mais lhe aconteceu.” ¹
No entanto fora anos mais tarde em Missangas (1931) que o escritor revelou-se um Haijin de extrema sensibilidade, criando cerca de 50 haicais...² Fiel a regra clássica da composição do poema japonês fugiu um pouco a blague usada pelos modernistas nos tercetos.
Em fim sou um dos poetas gratos pela atitude desse nordestino porreta que preservou e divulgou a cultura japa, e, que por isso agora podemos condensar nossos sentimentos nas 15 palavrinhas que cabem no haicai, ou, nas três frases que dá forma ao sentimento com o número de palavras que couber na inspiração. Sem mais leriado com vocês o poeta: Afrânio Peixoto.


Na possa da lama,
como no divino céu
também passa a lua




Fontes:

1. PEIXOTO, Afrânio. História do Brasil. Diponível< http://www.scribd.com/doc/3431616/Historia-do-Brasil-Afranio-Peixoto > em Acesso em 25 set. 2010.

2. BOA companhia: haicais. São Paulo: Companhia das letras, 2009. 189 p.


5 comentários:

  1. Daniel apaixonado por haicais só poderá dizer: Lindo, divino, maravilhoso.

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  2. Também adooooro haicais!
    Conheci na 8 série, quando frequentei no horário contrário das aulas um curso de criação literária. É mágico o click da imagem em 3 linhas e tanta, tanta sensibilidade. Adorei saber sobre esse autor. Só sabia da história da vinda do haicai para o Brasil por Leminski.Vou procurar asobras de Afrânio, veleu pelo esclarecimento no post!

    E, coincidência... ontem postei um de meus haicais no meu blog! http://negosseki.blogspot.com/

    Até mais,
    Aline

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  3. "Bem, apesar de minha coluna está passando despercebida, estou aqui postando nela mais uma vez."
    Posso saber que drama é esse? ¬¬'
    Assim como Aline, Adorooo haicais e não conhecia o Afrânio Peixoto!
    Muito bom conhecer essas personalidades brasileiras que tiveram a ousadia de reformular e fazer sucesso com as bases orientais.
    Obrigada pelas novas informações e parabéns pela coluna.
    PS: Aline *-*, lí seu blog ontem :D Ainda estou aguardando a parte IV da história.

    :*

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  4. Não conheço nada desse caboco. Vou perguntar ao Google sobre o Peixoto. Sempre é bom conhecer caras novas. Ah, e tem uma coisa, "15 palavrinhas que cabem no haicai"... Teoricamente não há limites para as palavras em um haicai. Há, sim, a restrição às sílabas: 17.

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  5. Coluna desapercebida?! Devo desculpar-me. A dinâmica da vida instrumental tem me roubado da poesia. MAS SAIBA: suas colunas a respeito dos Haicais me inspiraram a estudá-los e produzir alguns. Sim! E agradeço-lhe por isso.
    Um cheiro!
    Continuemos...

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