Viajantes Interplanetários

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sábado, 2 de abril de 2011

Entrevista com Célio Lima, o POETA-MATUTO-MARGINAL

FRED CAJU – Célio, qual a gênesis do personagem c.p.b.p.jr: (POETA-MATUTO-MARG!NAL !!!)? O que significa a sigla e o que o levou a criá-lo? Onde e quando ele surgiu?

CÉLIO LIMA – Fred, dos meus personagens, o principal é o Poeta-Matuto-Marginal !!!! celiopintobrauliodopenisjunior. Ele nascera em 1989, a partir d'uma experiência filosófica q'eu tivera com a senhora morte! Esse personagem ganhou vida (corpo) no final dos anos 90, com o surgimento e criação da Sociedade dos Filhos da Pátria, a FDP. A sigla é um nome repleto de palavrões, uma critica à Sociedade-Estado e à Ciência, que naqueles tempos quisera mudar o nome do órgão sexual masculino: pênis para bráulio. Bicho, já faz tempo... Eu creio que ele surgiu na rua, na lama, ou andando na chuva de Bezerros-City, cidade-bunda do interior pernambucano, Brasil (risos). Como diria o poeta “Marceleza”: "se quiseres falar sobre poesia vá pra capitá, se quiseres fazer venha pro interior" (risos).


FC – Segundo o que você acabou de dizer, existem outros personagens além do c.p.b.p.jr: (POETA-MATUTO-MARG!NAL !!!), você poderia revelar quem são, ou prefere sair pela tangente?

CL – Caro Caju, os outros personagens que posso citar como concretos são: o “Plinio Cedo” que é um poeta existencialista, residente nas margens do rio Capibaribe; o outro é o “Poeta Isidoro”, um poeta preguiçoso pra caralho... Até agora o peste só fez um poema... (risos). Tem outros, entre eles, uma poetisa lésbica, que ainda tô bolando o perfil... (risos).


FC – Você também falou da FDP... Fala aí um pouco sobre o que é essa onda e como essa parada surgiu. E não perdendo o gancho, você participou de mais algum coletivo?

CL – A FDP fora um projeto musical punk rock que não deu certo. Absorvi, de certa forma, algo em potencial disto... Juntando com as idéias anarquistas de Bakunim, a Sociedade Alternativa de Raulzito e a panfletagem da Plebe Poética de Abreu e Lima. Bolamos – Davi San Cruz, Marceleza, Aline de Andrade, entre outros – um movimento libertário e artístico de ativismo cultural no interior pernambucano... Levando cultura, indignação, revolta e amor por onde passamos e até hoje eu permaneço fiel ao Fdpeismo... A Sociedade FDP tem uma grande importância no cenário alternativo da cidade de Bezerros... Pois ela influenciou na construção de dezenas de movimentos culturais... Entre eles... “A Sociedade dos Poetas Vivos”, ”A Moska Vigarista”, ”O El Nino”, “Porra de Peixe”, “A Liga Spartakista Sempre Mais !!!”, entre outros que não me vêm na memória agora.


FC – Gostaria que você falasse um pouco do, digamos, “alfabeto c.p.b.p.jr:”, o que o leva a subverter a gramática em sua poesia?

CL – Bicho, certa vez eu disse no “Philosophate Channel” que começei a fazer arte por causa da necessidade. E foi essa necessidade de querer falar-gritar-cantar... Que me fizera ver, acho que em Paul Verlaine, “que um novo uso da língua, faz surgir na língua, uma nova linguagem”. Isso de certo modo despertara em mim a idéia de jogar meu próprio jogo. Ter presunçosamente meu próprio alfabeto... Escrachar com a gramática... Recorrendo aos meus vícios próprios de linguagem... Pura anarquia delirante! E fazer algo que na música brasileira já fora feito pelos meus ídolos (Raul Seixas, Mutantes, etc...): utilizar signos de outras linguagens... Na minha própria “linguarquia” eu utilizo o “!” como “i” o “y” como “e”, numerais, alfabeto romano... Eu me considero originalmente como a cara da “nova poesia universal”! Digo isso sem modéstia nenhuma... E sem nenhum pingo de humildade... Quanto a nossa gramática tá podre, decadente e falha... (Risos).


FC – Em relação às influências, quais as principais? E não estou me referindo apenas à poesia, mas quaisquer tipos de movimentações artísticas ou políticas que influenciam em seu processo criativo...

CL – Porra, minhas influências vieram principalmente da música de: Elvis Presley, Raul Seixas, John Lennon, Beatles, The Doors, Camisa de Vênus, Cordel do Fogo Encantado, Mercedes Sosa... Pois eu pequenino, achava poesia coisa de boêmio ou de boiola. Através da poesia de Jim Morrison e da plebe poética (Anarco Marginal Nunca Mais !!!) de Abreu e Lima-PE, eu percebera que os porra-loucas também eram poetas... Daí bebi na fonte da poesia de Carlos Drummond (o maior), Miró, Lara, Malungo, Aline de Andrade, Davi San Cruz, Marceleza, Dinha Love, Silvia Plath, Ana Cristina César, Marcelo Nova, Cazuza, Renato Russo, Arnaldo Antunes, Lirinha, Chico Pedrosa, J. Borges, Zé Limeira, Zé Vicente da Paraíba, Maiakovisk, Baudalaire, Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Picasso, Salvador Dalí, Gabriel Garcia Marquez, Saramago, Machado de Assis, Jorge Amado, Paulo Leminski, Tatit, Mário Quintana, Brennand, Bakunin, Proudhon, 04, Chico Sciense, Joaquim Sabinas, Plinio Cedo, etc...


FC – Atualmente, você está satisfeito com a produção poética em Pernambuco?

CL – Caro Caju... Eu sou a produção pernambucana! Irá se fazer 15 anos de atividade poética e ativismo cultural... Tô começando meu décimo sexto (manuscrito) "Masturbações Mentais"... Eu tô produzindo bem... Insatisfeito o tempo todo pelo processo de divulgação, apoio, incentivo cultural... Mas, escolhi, e prefiro, remar contra a corrente... Nunca ganhei um tostão se quer com arte minha... Mas pouco importa... A arte já me deu muito prazer e muito ela me dará ainda... Além da necessidade de expressão, o tirar onda pra vida não me tirar, a busca pela poética perfeita, eu escrevo por tesão, pois como diria o nosso eterno Roberto Freire (não o político, e sim o somaterapeuta): “sem tesão não há solução”. E vejo excelentes grandes novos poetas em Pernambuco. A cena tá boa...


FC – Massa. Velho, essa é a primeira vez que você está divulgando via e-book, mas você falou dos seus manuscritos, de coletivos e tal... Como, então, você procurou divulgar a sua poesia ao longo desses anos?

CL – A minha obra sempre fora distribuída... Principalmente por ela ser livre em si... A divulgação ocorrera na base da panfletagem... Mão a Mão... Zine e recitais pelo estado Pernambucano. Com o advento da popularidade da internet... Eu que sendo matuto, mas não besta e nem de perder pra bascuia... Entrei no mundo virtual com blogs e outros mecanismo desta área... E a conquista da confiança de vários leitores virtualmente, que a distância dos dois mundos não impediu a renovação, as parcerias, o afeto e laços de amizades que com o passar do tempo você descobre ser verdadeiro... E agora em maio será lançado o e-book que será uma homenagem a vários poetas que me influenciaram de certa forma em algum momento dessas estradas literárias... O livro estará disponível para download para todo o universo paralelo e alternativas galáxias...


FC – Sobre “OS CANT!COS A SAUVA... (ALGUNS M!CROCONTOS & OUTRAS COS!TAS)”, fala aí um pouco sobre essa tua reunião de poemas. O que são as saúvas, os microcontos e as outras cositas? E fiquei sabendo que a edição e diagramação são feitas por um cara arretado da porra... Verdade?

CL – “OS CANT!COS A SAUVA” são as homenagens aos amigos poéticos... Serão 30 cânticos a saúva... Saúvas são formigas... Seres pequeninos, mas que com uma grande organização e uma força de potência que filosofarei à toa a dizer de vontade... É assim que eu observo esse universo de formigas... Tanto os cânticos, como os microcontos, foram uma brincadeira que eu fiz para fugir do feijão com arroz que tava sentido em minha arte. Tava achando tudo muito parecido, decidi, feito moleque maravilhoso... Cantar hinos sem saber cantar... Escrever contos pequeninos para os pequenos cidadãos... E entre isso algumas cositas... Umas pérolas poéticas... Que as curto muito... É engraçado que tinha falado a Dani (D.Everson – Poetas de Marte) em 2010 sobre esse projeto... Em início de 2011 o Fred Caju entra em contato para bolar um e-book... Então maravilha... Fora muito produtivo esse intercâmbio... Principalmente pelo respeito que o Caju tem pela obra do artista em si... O fato dele não alterar nem uma vírgula, sempre pedir opinião para a direção da obra... Fora algo sensacional de respeito e de bom caráter. Estou satisfeito com o resultado final e pela compêtencia do poeta Caju.


FC – Agora, uma provocação: para o Poeta-Matuto-Marginal, o que significa fazer poesia?

CL – Puta que pariu... Que pergunta, hein... É necessidade... Tesão... Vida... Confronto... Guerra-morte-ressurreição e paz... Tá me provocando... Vou provocar... (risos). Pra mim, a poesia não precisa do poeta! E o poeta é a parte de menos importância da sua própria poesia... Esse sou eu... “UMA PONTE ENTRE O SAGRADO E O PROFANO... QUANDO PERD!DO !LUD!DO, QUANDO G!GANTE PROVOCA-DOR !!!”


FC – Meu nobre, extremamente grato pelas elucidações. Gostei muito de conhecer um pouco mais da sua produção. Para encerrar, quer fazer alguma consideração final? Agradecer alguém, cobrar alguma dívida, mandar alguém tomar no cu?

CL – O prazer fora todo meu... Estou agraciado... Sauva, Sauva! Encerro com: “a vida não é como essas estradas do meu pensamento que não levam a nada” (Lula Cortês). Com amor e com maldade, um abraço e até outra vez.

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