Viajantes Interplanetários

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sábado, 2 de abril de 2011

MilkShake Literário



“Era uma vez...
E foi assim que tudo começou!"

Salve, salve caros amigos do planeta marte! Sejam bem vindos a mais um Milk Shake Literário. *.*
Hoje, como minha querida amiga Aline Negosseki bem lembrou, é o Dia Internacional do Livro Infantil! Esta data é comemorada em mais de 60 países e vem como um apelo para tentar despertar nas crianças o gosto pela leitura. Mas nada disso é válido, caso as crianças não tenham todo o apoio, exemplo e incentivo que são necessários para que elas desenvolvam esse hábito que vão carregar para o restante de suas vidas...
Eu sou uma apaixonada por livros e mais ainda por seus leitores fiéis, imagina quando são crianças que sentam no chão da livraria com aqueles livros enormes, cheios de cor e desenhos e ainda dizem a mãe: - Vou ficar aqui, depois você pode vir me buscar. Vocês acham que uma cena dessas derrete meu coração? Penso que nem preciso mais responder a esse questionamento. E muito me deixa triste ver a situação que a leitura caminha por este país e em contra partida poucos esforços estão sendo feitos pelos profissionais e entidades responsáveis para que o cenário possa mudar. Os primeiros passos vem sendo dados por ONGs e eu acredito na mudança que pode acontecer através dessa fonte... Pode parecer que bato na mesma tecla de sempre, mas se vejo que algo novo pode surgir dessas iniciativas, então baterei sempre que possível.
Um parabéns especial ao Maurício de Souza que tanto acompanhou a minha infância e que até hoje me arranca alguns sorrisos com os gibis do Cascão. E ao mestre Monteiro Lobato que me levou ao Reino das Águas Claras de mãos dadas com a menina de nariz arrebitado. A vocês, sempre o meu respeito!
Agora eu deixo vocês com um texto do Federico García Lorca, com uma livre tradução de Frei Betto, que tudo tem a ver com o post e o dia de hoje. Foi indicação de D. Everson e essas foram suas próprias palavras ao me apresentar tal achado, “é a sua cara”.

Meio Pão e Um Livro - Federico García Lorca
Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa, se lhe agrada, lamenta que as pessoas de quem gosta não estejam ali. “Como minha irmã, meu pai iriam apreciar”, pensa, e desfruta tomado por leve melancolia.
Esta é a melancolia que sinto, não pela minha família, e sim por todas as criaturas que, por falta de meios e por desgraça, não gozam do supremo bem da beleza, que é a vida com bondade, serenidade e paixão.
Por isso nunca tenho livro, pois presenteio todos os que compro, que são muitíssimos, e portanto estou aqui honrado e contente por inaugurar esta biblioteca do povo, a primeira na região de Granada.
Não só de pão vive o homem. Eu se tivesse fome e estivesse abandonado na rua, não pediria um pão, pediria meio pão e um livro. Critico violentamente os que falam apenas de reivindicações econômicas, sem jamais ressaltar as culturais, que os povos pedem aos gritos.
Ótimo que todos os homens comam; melhor que todos tenham saber. Que gozem todos os frutos do espírito humano, porque o contrário é serem transformados em máquinas a serviço do Estado, convertidos em escravos de uma terrível organização social.
Lamento muito mais por um homem que deseja saber e não pode, do que por um faminto. Este aplaca a fome com um pedaço de pão ou algumas frutas. Mas um homem que tem ânsia de saber e não possui os meios, sofre uma profunda agonia, porque são livros, livros, muitos livros, de que necessita. E onde estão esses livros?
Livros! Livros! Palavra mágica que equivale a dizer: “amor, amor”, e que os povos deviam pedir como pedem pão ou anseiam por chuva após semearem.
Quando Dostoiévski, pai da revolução russa muito mais que Lenin, se encontrava prisioneiro na Sibéria, isolado do mundo, retido entre quatro paredes e cercado de desoladas extensões de neve infinita, em carta à sua família pedia que o socorressem: “Enviem-me livros, livros, muitos livros, para que minha alma não morra!”
Tinha frio e não pedia fogo; sede e não pedia água; pedia livros, ou seja, horizontes, escadas para subir ao ápice do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural de um corpo faminto, provocada pela fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a da alma insatisfeita dura toda a vida.
Disse o grande Menéndez Pidal, um dos sábios mais autênticos da Europa, que o lema da República deveria ser: “Cultura”. Porque só através dela é possível solucionar as dificuldades que hoje enfrenta o povo cheio de fé, mas carente de luz.
Em: Caros Amigos, Edição de Março de 2011.
P.S:
· Realmente o texto é a minha cara, mas só para consertar uma coisinha, ainda não cheguei a presentear todos os livros que compro! KKKKKKKKKKKKK’ Posso comprar outro exemplar e presentear x) Adoro dar livros de presente.
· Meu coração palpita cada vez que leio esse texto, quem me conhece sabe o quanto meu coração é ponto chave para as leituras!
· E por último, mas não menos importante, quero deixar aqui as minhas boas vindas ao Marcantonio por sua coluna ainda inédita aqui no Poetas de Marte: Coluna Invertebrada ou Coluna sem Vértebras. Saudades das colunas de Fred Caju, Laut Iong Fu e Kleves Gomes, voltem logo a postar garotos ;)

Por hoje é só.
Saúde e Paz a todos.
Beijocas :*
Ly Cintra

2 comentários:

  1. Ilay,
    que lindeza de postagem... fico muito contente em ter sido a sua ´´lembradora´´ hoje!!
    Lindo este texto que vc postou. Senti-me a ponto de choro.Quisera os pais entendessem profundamente a importância do ato de ler, a importância do que dar a ler a seus pimpolhos.
    Que soubesse que a leitura não é só pedagógica, mas prazer...Eu vi a cena que vc mencionou, da criança com o livrão *---* A Sarah é assim, mas eu fico tmb, maravilhada com tudo, e chateada em ver como tudo é caro e longe do alcance da maioria.
    Meio pão e um livro.. Realmente, sempre lembro da música: comida é pasto.. queremos ´pensar na vida´, diversão e arte..
    bjs
    Aline

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  2. Mas uma vez o agradeço as postagens dessa garota especial - que deve está lendo um romance nesse exato momento e/ou vivendo um... !].

    Esse texto aí do grande poeta espanhol deveria ser lido pelos políticos ao redor do Brasil - eles deveriam meditar cada palavra do Federico.
    Nossa eu vindo de uma família de analfabetos tive que ler os livros velhos que meu padrasto deixou na estante e que enfeitaram ela por um bom tempo até minha mãe resolver tacar eles no lixo, eles não serviam de nada para ela (ela não sabe ler), dessa forma arrebatei um tal de Tormenta a bordo - dentre outros títulos comidos de traça e com folhas faltando - e comecei a ler: naquele tempo nasceu o leitor que moldaria o artista sem pé nem cabeça que daria voos rasantes na poesia e na música. De lá para cá, não no mesmo ritmo de Ialy Cintra, venho lendo um romance ou outro e tenho umas 3 caixas de livros de poesia que vai decepcionar todos aqueles que esperam uma vida complicada e prolixa dentro do meu baú de espantos. Ahhh como eu gostaria de voltar a ser criança – se bem que eu nunca deixei: sou uma criança velha que ao invés de jogar o velho botão agora brinca de escrever...
    essa coluna é um arraso de luxo. Vou sentir falta dessa menina quando ela for para Itália, mas ela será minha eterna correspondente internacional. Vida longa a galáxia marciana, vida longa a poesia e toda formar de driblar essa vida minha....

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