Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

CONFRONTOS E CONFLUÊNCIAS

          Fala, galera! Bom, a coluna não anda com a mesma frequência de antes, sei. Mas a gente vai tentando por a ordem em casa. Então, a partir de agora a coluna acontecerá quinzenalmente sempre às quintas, beleza? Depois eu penso em algo para compensar.
          Alguns poderão dizer que é forçação de barra os dois textos que estaram aqui hoje. Mas os dois poetas prometem um dos mais emocionantes embates do Confrontos e Confluências: João Cabral de Melo Neto e Alberto da Cunha Melo, separados pela diferença de uma letra no título dos seus poemas, aqui vamos nós:

TECENDO A MANHÃ

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

*                         

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


(João Cabral de Melo Neto)


TEMENDO A MANHÃ

Não corras da manhã:
enquanto vivas,
ela te alcança
com sua ameaça
ou sua promessa;
enquanto vivas,
a manhã te persegue
com dedos de luz
invadindo teu quarto
por baixo da porta,
feito carta acesa,
gritos de crianças
ou buzinas da pressa,
que já te acordaram
para sua ameaça
ou sua promessa.


(Alberto da Cunha Melo)
 

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