Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ORAÇÃO PELO POEMA

XXVI

A cem quilômetros por hora,
solto a direção do automóvel,
para escrever alguma coisa
mais urgente que minha vida.

Devo portanto utilizar
o vocabulário econômico
do século: é proibido
amar, fumar, pisar na grama.

Mas gostaria que restasse
algum tempo para dizer
no poema as palavras súbitas
de recompensa e remissão.

Ó meu Deus, eu quero escrever
a minha vida, não teu Céu.
Eu estou só e enlouquecido
como as ovelhas mais longínquas.

Dá pelo menos a esperança
de terminar o doloroso
poema. Dá isso a teu filho,
caído, e coberto de sal.


Alberto da Cunha Melo
     

4 comentários:

  1. Pra quem ainda não viu, D.Everson já fez um vídeo com o poema: http://www.youtube.com/watch?v=H32iH8coNdE

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  2. Diga à Vilma

    que gostei do poema!

    Saudações poéticas!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. A cem quilômetros por hora,
    solto a direção do automóvel,
    para escrever alguma coisa
    mais urgente que minha vida.

    Por causa de versos assim que Alberto é tão PHoDa.

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