Viajantes Interplanetários

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terça-feira, 13 de março de 2012

Quatro sonetos-amputados de deserto e ódio.

           I

Caminho neste deserto de abril,
arrasto meu cadáver branco-anil.

O sol torra minha cara imbecil,
há sangue seco em meu nariz quebrado
e ressentimento em meu olho vidrado.

Nas areias, vejo o enésimo cantil,
- Talvez nele haja um gênio ou um anjo alado...
Não. Tal qual meu corpo está vazio.

           II

Carrego meu peso morto nas costas...
Na duna, escorrego pela encosta.

Caímos ombro a ombro e nos encaramos,
olho a bocaberta com que falei...
já não importa ter sido poeta ou rei...

Minha pele mais parece um pano,
Acaricio a face com desengano:
não posso mais retroceder, eu sei!

           III

Resta seguir até um oásis qualquer...
E vago incrédulo, como São Tomé...

Busco água, não para matar a sede,
pois ela já me matou sem piedade,
nem se importou com minha pouca idade.

Busco água e um rio com pradaria verde,
Onde possa recordar, me vingar.
Lá, me dissolver e o contaminar.

           IV

E, assim, quando me tornar diarreia,
serei mais que da vingança uma ideia.

E matarei talvez todos teus filhos,
contaminarei plantações de milho,
nesta  minha tão impiedosa reestreia.

E, no desfecho de minha sombria ópera,
todos sentirão sem mover um cílio
a dor mais terrível de minha cólera.

diretamente da periferiadomundo

3 comentários:

  1. Niilismo e lirismo, antíteses que se completam com cola de talento. Parabéns, JAIR.

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  2. Repito o que disse no comentário lá no periferiadomundo: a ideia do soneto amputado é demais!

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  3. Dessa vez não vou arriscar como a melhor postagem do blog, mas ponho no Top Top!

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