Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

É NODA! — #05

RECITAÇÕES E OUTRAS RECRIAÇÕES
“o que pesa é ter que criar/ (...)/ não o versinho lindo/
mas o jeitinho dele ser lido por você”
(Chacal)

Tô nem aí se o autor é tímido ou não queira apresentar a sua obra através da recitação. Tem gente muito competente que pode recitar por aí. Alguns performers nem estão diretamente ligados à escrita. Afinal esta não é pré-requisito para aquela.
Mas quero falar dos que recitam. Só para ficar entre exemplos da minha terrinha... Quem já viu sabe que é difícil ficar indiferente ao Miró da Muribeca e a sua linguagem corporal durante seus poemas. Zé de Lara e a sua pegada “trash”, amadurecida ao longo de décadas é outro caso. Não ponho em plano inferior uma poesia bem lida em voz alta, ou quase sussurrada apenas para um ouvido próximo.
Cada interpretação recria uma obra; cada um tem a sua estratégia. Tudo bem, tranquilo, concordo. Tanto que já não tenho nem mais dedos nas mãos para contar quantos poemas passei a amar depois de ter ouvido alguém recitá-lo.
Ainda não achei um formato de sarau atrativo para meus gostos arrogantes. Vejo sempre uma tendência à imitação de shows de músicas em recitais. Lamentável, pois é um espaço bem mais propício para a descentralização da voz e do microfone.
É uma escolha recitar ou não. E é natural existirem poetas em cima do muro. Encarar o público não é fácil para quem é tímido. Mas acho que há alternativas.  Encaro o “vídeo-poema” como uma ótima opção para quem deseja começar a quebrar o gelo. A questão é só encontrar o jeitinho certo para o engate, daí é só gozar.
Com a tecnologia de hoje, rapidinho se captura um áudio, e talvez até mais facilmente, uma imagem. A hospedagem na internet é sem custos e há uma caralhada de softwares livres e gratuitos para edição do vídeo. “E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo”. Com um pouco de criatividade se vence a ausência de grandes recursos. E com a iniciativa de se fazer algo diferente, se derrete o gelo da timidez. Até porque a vida é ao vivo, camarada.
  
__________
Fred Caju responde pelas suas próprias opiniões, que não estão necessariamente em unanimidade com a equipe do blog, que preza pela livre iniciativa de seus colaboradores.
    

16 comentários:

  1. Fred,
    Muito bem esplanada sua opinião sobre "declamar ou não declamar, eis a questão", concordo que o meio de divulgação empregado não influi na qualidade da obra, como sou tímido, jamais pensaria em expor-me em qualquer situação para divulgar o que produzo, prefiro o anonimato da palavra escrita. Abraços e bom feriado, JAIR.

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    1. A palavra escrita ainda é pra mim a principal via do poeta, Jair. Já até falei na edição passada sobre isso. Mas você me pareceu tão extremo no comentário. Nem uma entrevistinha vale? Olhe que o Marcell já publicou uma sua!

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    2. Entrevistinha escrita, lembra?

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    3. Jair, pare de fazer "doce"(rsrsrs)!

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  2. Cajuíno amigo,

    Não acredito haver uma fórmula mágica, nem pessoas que nascem com um dom único e exclusivo para recitação de poemas ou textos. Já vi Maria bethânia declamar Eros e Psiquê, do Pessoa, de modo a causar inveja à muitos atores.Interessante enfocar que, quando disse que passou a amar poemas após ouví-los de modo muito bem recitados, ao meu ver, graças aos céus, é via de mão única:quando ouço alguém estripar um texto ao recitá-lo, fico com pena do poema e tento lê-lo, para confirmar se o interlocutor não conseguiu a façanha de assassiná-lo.

    O poema não tem culpa!

    Aqui, no Poetas de Marte, podíamos(auxiliado pela tecnologia que você cita) fazer um projeto piloto, experimentando com cada um de nós, lendo ou interpretanddo poemas uns dos outros(ou poetas renomados). Com edições,ou não...(é um detalhe a ser discutido)

    Bela Noda!

    Muita paz!

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    1. Também acho que tem gente com o talento inato da recitação, mas dá uma olhadinha em como o Lara chegou ao seu estilo no conto Catarse da sua Miscelânea Estapafúrdia (http://castanhamecanica.wordpress.com/2012/05/07/lara-ze-de-miscelanea-estapafurdia-2012/). E bote fé que tem gente que estraga poemas quando vai ao microfone.

      E muito massa essa sua ideia. E Daniel já acabou até dando um pontapé parecido com a sua proposta.

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  3. hoje ele está bem ameno hehehe
    Reciatar ou não recitar? és a questão. Há alguns anos atrás, 2003 ou foi 2004, não recordo, o amigo Davi San Cruz (um poeta muito louco e politizado) invadiu o Centro de Artesanato de Pernambuco e quando foi flagrado para não cair em apuros sacou lá do fundo da malandragem um: "eu gostária de fazer um recital aqui no auditório do Centro", pronto! Estava armado o circo, a diretora do Centro não só engoliu a história do malandro como também semanas depois recebeu todo o bando dele. O evento foi filmado, nossa eu era tão jovem, um dos cangaceiros me mostrou o vídeo ano passado. Em fim foi por lá a primeira vez que recitei em público, que me recordo, e que gritei: "eu sou de Marte não dessa parte..." de lá para cá, decorado ou agarrado ao papel, nunca mais deixei de passar minha mensagem. No entanto me agrada mais a ideia de ver o filho poema caminhar em salivas estranhas: quando uma outra pesso me recita é como se o poema desse seu primeiro passo e falasse: papai!.
    A primeira vez que vi um poema meu sendo recitado em público, foi uma atriz ajudou muito, me emocionei e até respinguei um lágrima.
    Depois antigos eneleios amorosos recitavam poemas meus e passei mais a gostar da arte. Vieram poemas que viraram música, Marcell foi a última pessoa a fazer tal alquimia de musicar um poema meu. Acho que o poema que tem vida própia fora da saliva do poeta é o mais válido, o mais bonito, o mais emocionante - claro, os poetas performáticos do tipo Miro e Zé de Lara são de outro Planeta. Caju tb não fica p trás.

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    1. Poxa!
      Eu te recitei também Everson.
      Em públicooo e tu nem lembrou de mim... Estou cortando relações, kkkkkkkkkkkk :P

      O amor

      O amor não tem fronteiras distâncias preconceitos.
      O amor é andar na linha mantendo sempre o respeito.
      O amor faz milagres expulsa os defeitos.
      O amor é a alegria, é do bem o direito.
      O amor é o mais puro de um ser de um sujeito.
      O amor é eterno porque foi bem feito.
      O amor é para o erro sempre o conserto.
      O amor é o único que nasce perfeito.

      D.Everson 16.08.2001

      Lindo, Lindo, Lindo!
      :*

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    2. Taí uma coisa interessante. Ver o próprio poema recitado por alguém surpreende bastante mesmo. Lembro que uma vez você me pegou de surpresa recitando Litoral num sarau. E olhe aí você injustiçando Ialy!

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  4. Aprendi a soltar meus versos na blogosfera por saber que os seres que a visitam respeitam a liberdade de expressão. Mas minha timidez me impede de recitar ou até mesmo de confessar que escrevo, confesso que tenho medo das pessoas não gostarem ou dos especialista falarem: "é só mais um". Esse meu medo não se justifica, mas para um tímido todo medo é pouco!
    Quem sabe um dia?

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    1. Kleves, Cristiano e eu até debatemos algo parecido no É NODA! — #04.

      http://poetasdemarte.blogspot.com.br/2012/04/e-noda-03.html#comment-form

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  5. Um poema quando bem recitado por alguém é capaz de mudar nossa opinião sobre ele e até lançar novos olhares e percepções. Também cheguei a gostar mais de um poema depois de ouví-lo da boca de alguém muito inspirado. Afinal a origem do poema está na música e deve ser cantado por aí, por vozes competentes de preferência rsrs. Belo tema, Caju!!!

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    1. Rapaz, no É NODA! anterior eu assumo a posição contrária à fidelidade do caráter de musicalidade original do poema:

      http://poetasdemarte.blogspot.com.br/2012/05/e-noda-04.html

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  6. Nada contra a recitação, acho até que com ela se cria um gênero misto. Pelo que vejo nos vídeos, você e o Daniel o fazem bem. Poxa, assim isolada a epígrafe do Chacal é meio bobinha. Não há jeitinho lindo de recitar uma bula de remédio. Hum, sei lá, de repente há. Mas tô implicando mesmo é com o final do texto: poxa, eu escrevo os meus poemas ao vivo! Nada de transe psicográfico, e acredito que também neguinho os lê ao vivo, rs, se bem que seria demais ter leitores também no plano astral.

    Abração.

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    1. Marcantonio, a coluna é feita pra implicar mesmo! O poema completo do Chacal não é tão bobo como acabou parecendo: http://cronisias.blogspot.com.br/2012/04/no-rastro-de-torquato-neto-chacal.html
      E sendo a vida ao vivo, o ato de ler e escrever estão inclusos, bem como fazer um vídeo que passa por edições e cortes.

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  7. Prezados,

    muito legal a conversa por aqui, opinião de gente que vive e faz não é "sobre", mas por dentro da coisa...

    Então: existem poemas que foram feitos para serem lidos intimamente, existem poemas que foram feitos para serem compartilhados coletivamente, existe todo tipo de poema como existe todo tipo de "recitador"/falante do poema. Seria o caso do falante escolher o poema adequado aos seus recursos [técnica, voz etc] e ao seu "espírito", como um cantor inclui uma música no seu repertório? Uma questão de acordo entre sensibilidades, portanto... Pois o poema também fala por si, também "se diz" e, se dizendo, induz - a um tipo de leitura.

    Mas sendo o "recitador" antes de mais nada um leitor, tem o direito de se apropriar do poema - desde que amorosamente. "Ama e faze o que quiseres", está escrito em algum texto de um desses santos padres da igreja... E se é amor o que está em jogo [não o ego do recitador] alguma poesia ACONTECERÁ, independente de qualquer qualidade meramente técnica do desempenho.

    Curioso é pensar que o "acordo entre sensibilidades" envolva o poema e o recitador, apenas - o autor do poema, esse deixa de existir - para o bem ou para o mal - depois de existir no poema...

    Abraços e bons caminhos a todos!

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