Viajantes Interplanetários

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

depois de 3 horas de engarrafamento meu poema da noite é esse aqui:

Meios de transporte
O câncer é aquele ônibus
que ninguém quer mas com que conta;
não se corre atrás dele,
mas quando ele passa se toma;

que ninguém quer mas sabe;

e que um dia ao sair-se do sono,
lá está, semi-surpresa,
quase pontual, no seu ponto.

                           
Sem pontos de parada,
solto nas ruas como um táxi,
sem o esperar, querer,
sem ter por que, se toma o enfarte:

táxi que, de repente,

ao lado de quem não se pensava,
pára, no meio-fio,
toma, quem não o vira ou chamara. 


João Cabral

2 comentários:

  1. Bem referido... sinto por vc...
    andei tanto de ônibus, e sei que é muito ruim.
    Haja ânimo, paciência...

    O dia que recebi alta da maternidade tive de vir de ônibus para casa. Dá para imaginar?
    Nosso carro estava, sim, consertado, mas oh, que horror, o valor dos estacionamentos na região central - e fora dela - em Curitiba é um assalto!
    Um táxi de lá até aqui daria para mais de 60 reais.
    A Raquel tinha ficado, e eu, ah, acho que nunca alguém ficou tão triste por receber alta médica como eu naquele dia.

    Eu olhava a plaquinha do preferencial:
    Idosos, gestantes, mães com crianças de colos e portadores de necessidades especiais.
    Não tinha opção "romancista parida arrasada por dentro e com pontos por fora."
    Perdoa se parece que faço drama, mas sua postagem remoeu em mim um momento por demais emotivo. O calor daquela tarde, o ônibus lotado e nenhuma cortesia... Nenhuma.
    mas como alguém ia desconfiar?
    Então uma gestante se ergueu de seu lugar e eu pedi para o filho dela, um adolescente que se trajava todo de preto, com semblante de rapaz educado e tímido, se eu podia sentar lá, e quase em lágrimas eu disse: "E que eu acabo de sair da maternidade, Qndo fui para lá domingo nunca imaginei que voltaria de lá sozinha." Não estava só, mas a Sarah, o Matheus, minha sogra estavam comigo... mas vc, que sabe a história da Raquel sabe o que quero dizer com sozinha. A minha dor física não era tão grande qnto a emocional. Eu não tinha direito da cadeira naquele ônibus cheio, e ficava torcendo para não avistar um idoso... Então eu comecei a refletir que direito e justiça são coisas relativas. E pedia numa prece muda nunca mais precisar pegar ônibus. Eu ainda peguei outra vez naquela mesma noite, pois precisava voltar para casa depois de ter ido lá amamentá-la (ainda bem que um anjo me levou lá de carro), e na manhã seguinte para passar o dia no hospital sem imaginar, que alegria!, ela receberia alta. Os mesmos desgastes... lotação, trânsito, frio, um cheiro 'humano' nada agradável, a poluição, os sem noções da vida que nos obrigam a ouvir o gosto musical deles... e eu a pensar "ainda bem que não é minha rotina, ainda bem que não mais."
    Sinto muito pelo seu congestionamento. Pelas horas que jamais serão devolvidas... E faço sincero voto que hora dessas ache uma saída sustentável para essa rotina que é a de tantas almas nesse mundo grande. Ninguém merece 3 hrs congestionado. Ainda estamos melhores que os passageiros dos trens japoneses... Ainda.

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  2. "O câncer é aquele ônibus
    que ninguém quer mas com que conta;
    não se corre atrás dele,
    mas quando ele passa se toma;"

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