Viajantes Interplanetários

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

MilkShake Literário #4 Sessão Extra


“TODA COERÊNCIA É, NO MÍNIMO, SUSPEITA.”


Aloha Marcianos!

Dando continuidade a nossa semana Nelson Rodrigues no Poetas de Marte, revelo que Nelson permaneceu pouco tempo em terras pernambucanas. Mudou-se do Recife ainda criança para o Rio de Janeiro com sua família, e foi na Cidade Maravilhosa que iniciou sua carreira jornalística. Com apenas 13 anos de idade, começou a escrever na sessão policial do jornal de seu Pai, Mario Rodrigues, intitulado A Manhã. Além da carreira jornalística, outra paixão marcou a infância de Nelson: O Futebol. Mas, isso é assunto para outro post :)
E outra cosita, podem não acreditar, mas o futuro dramaturgo era um garoto tímido e leitor compulsivo de livros românticos do século XIX. 
Confiram agora alguns dos textos selecionados para hoje.
Mahalo :*
@LyCintra





Nelson Rodrigues Adolescente



Eu lia absolutamente tudo. Lia Zolá, mas comecei a ler num tempo em que eu não conhecia certos óbvios da natureza. Tinha uma cena no Alegria de Viver de Zolá, por exemplo, onde ele contava que, de repente, um dia começou a ter um fio de sangue na urina da mocinha e eu fiquei numa perplexidade amarga: mas por que este sangue ali, naquela hora? Eu não tinha a menor noção deste fato mensal na vida feminina. Eu era tão inocente que eu lia Zolá e não sabia o que era nádega.
[22 de Nov. 2011]



Parece incrível dizer que aos 13 anos fui repórter de polícia. O sujeito pode dizer: “Esse cara aí está fazendo o interessante”. Mas realmente, aos 13 anos – tinha botado calças compridas para isso – fui trabalhar no jornal de meu pai, “A Manhã”, como repórter de polícia. Hoje é dificílimo descobrir o repórter de polícia na paisagem da redação, porque ele acabou. Hoje são os outros, inclusive as estagiárias, e até redatoras, que fazem a reportagem policial, sobretudo o grande crime. Ah, o grande crime não é mais matéria policial. Qualquer um pode fazer.
Antigamente tinha uns gênios. Por exemplo, havia o “Rui Barbosa do telefone”, um nossa amizade que na redação telefonava para qualquer lugar, para qualquer delegacia, e sabia de tudo. Então, quando cheguei, me apontaram: “Aquele é o Rui Barbosa do telefone”.
[5 de outubro de 2011]


Eu sou um robótico, um pierrô do Méier.
Sou um homem que chora. Meu sentimentalismo é meu ponto forte.
[13 de out. de 2011]



Fontes:
* Textos publicados no Site Oficial - Nelson Rodrigues.
   Obs: As datas são das postagens no site.


4 comentários:

  1. Um homem além de seu tempo, e com uma visão cortante da realidade.

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  2. Limerique

    Era uma vez um cronistas das ruas
    Em seus textos era terror das peruas
    Dissecava a sociedade
    Do país e da cidade
    Nelson Rodrigues aprontou as suas.

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  3. Me parece que todos deixavam seus burgos e iam à Cidade Maravilhosa... Bem, nem todos. A maioria?
    E, quando não vamos em corpo, vamos com a mente.
    Imaginação a nos dar asas. E ele lia os românticos do século XIX. E era um sentimentalista? Qualquer semelhança terá sido mera coincidência. =D A Ly me compreende.
    Rio.
    Que inspirador!
    Cidade Literária!

    Ainda não li nada dele, exceto por umas assistidas furtivas nas adaptações que globo fez. Mas tenho muita vontade. Hum, tava com saudade de dar uma bocadinha nesse MilkShake, Dinda!

    bjos ;***

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