Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Dois poemas de Alberto da Cunha Melo

AEROPORTO

Tempo gigantesco é um  dia,
para quem perdeu a viagem,
o endereço para onde iria,
seu bilhete, sua bagagem,


para sua alma não vadia,
tempo gigantesco é um dia,

para quem sonhava distância
da própria história e não consegue,
sem asco, lembrar-se da infância,

mesmo com Deus por companhia,
tempo gigantesco é um dia.

ANÁFORAS

A palavra sabe doer 
quando esfria o sangue no rosto,
assim de surpresa, navio
atropelando o próprio porto;

sabe degolar a sereia;
chamar de gorda a moça feia;

sabe emudecer os aplausos
que aconteceram anteontem
depois de décadas de atraso;

sabe matar pelo distrito
sem deixar marcas do delito.



Alberto da Cunha Melo em Meditações sob os lajedos

2 comentários:

  1. Limerique

    Perder-se na extensão do dia
    Morder palavra na boca vadia
    Palavra do inferno
    Dia quase eterno
    Poeta sem peias e sem covardia.

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  2. Ambos são excelentes, mas "Aeroporto" me arrebatou!
    Salve Alberto da Cunha Melo.
    Beijo, Lucas.

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