Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CRISTINA

O ideal seria que eu fosse três:
a primeira para a família,
outra só para trabalhar
e a derradeira, por sua vez,
viveria apenas para amar.


Os filhos precisam de atenção,
marido precisa de sexo,
e eu preciso dos meus momentos;
esforço-me com dedicação
para ser três ao mesmo tempo.


Eu trabalho em dupla jornada:
trabalho de dona-de-casa
e para ganhar o dinheiro;
eu fico, de fato, cansada
de trabalhar pelo dia inteiro.


Minha situação não é especial,
é rotina para as mulheres;
nos acostumamos a ver
o nosso caso como normal,
achando que é o nosso dever.


A revolução já foi feita,
já fizemos a nossa parte,
ainda assim, grande é nosso fado:
garantir de forma perfeita
que o amor seja comemorado.


Para cumprir o meu dever
tenho o apoio da minha família,
a minha força de vontade
e o meu desejo de vencer
e de estar na felicidade.


Ainda preciso me cuidar,
pois, como toda mulher,
também sou amiga da beleza;
sei que quanto mais eu me amar,
mais espantarei a tristeza.


Não estou reclamando da vida,
eu só reclamo do relógio,
o qual sempre me fora cruel;
logo, queria ser dividida
para desempenhar meu papel.


Sou mãe, esposa e mulher,
tenho família e emprego,
sou um mistério e sou uma certeza;
mantenho unida a minha fé
e conservo a minha pureza.


Certamente serei bem feliz,
a minha alma descansará;
triplicarei esse meu coração,
irei ser o que sempre quis
amarei com imensa paixão.

Fred Caju

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