Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cinemarte






O Mestre

Quando um diretor é responsável por um de seus filmes favoritos, o cinéfilo logicamente decide segui-lo em toda sua anterior ou posterior cinematografia (verificar se esta certa). Há também aquele que, mesmo não tenha visto os todos os filmes deste diretor, pelo menos não deixa de prestigiar cada novo trabalho dele. Acredito que eu me encaixe mais neste perfil. Acontece com Paul Thomas Anderson, o cara não somente dirigiu um dos filmes da minha vida, Magnólia, como também tem se superado em cada novo trabalho. Podem até considerar um exagero, mas Anderson chegou já, ao alto de seus 43 anos, à categoria de mestre do cinema. Anderson faz filmes como poucos nos Estados Unidos. Inteligentes, complexos, humanos, sóbrios e críticos.
Poderia desfiar outras qualidades, mas prefiro não dar prosseguimento sob o risco deste texto cair num tietismo desnecessário. Esta empolgação toda é porque assisti ao fantástico O Mestre, seu 6º longa metragem, em que repete a parceria com Philip Seymour Hoffman e arranca de Joaquin Phoenix sua atuação mais surpreendente. Paul Thomas Anderson, que também é responsável pelos roteiros de seus filmes, usa a famosa seita da Cientologia (que tem em Tom Cruise e John Travolta seus adeptos mais famosos) como pretexto para retratar um homem em ruína, sem rumo, sem possibilidades de futuro pela frente. Freddie Quell é um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial que vive de bicos e subempregos, tem a habilidade de produzir bebidas alcoólicas e consequentemente vive embriagado. Acusado de ter envenenado um colega que ingeriu um de seus destilados, Freddie foge e se abriga no barco conduzido por Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), líder de uma nova religião intitulada “A Causa”. A religião é desacreditada por alguns círculos enquanto angaria a simpatia de outros, geralmente na alta sociedade americana.


Anderson está mais preocupado com o desenvolvimento de Freddie e sua relação com a família de Lancaster do que com as ideias pregadas pela religião que Lancaster defende ao lado de sua também obstinada e ambiciosa esposa (Amy Adams), apesar de não deixar de mostrar as contradições e os absurdos desta nova crença que é mostrada neste filme como um elemento que preenche a lacuna das vidas de pessoas tão perdidas quanto Freddie, um vazio que nunca será ocupado por algo mais consistente. Na verdade, religiões mexem mais com a nossa subjetividade do que com fatores mais concretos.
Joaquin Phoenix se desfigura para dar vida a Freddie Quell, contorcido em uma postura corcunda, um corpo estranho na harmonia da "Causa" e seus seguidores, um soldado que como outros não sabem mais o que fazer ou o que lhes reserva após lutarem na guerra, descobrem que não há lugar para eles na sociedade e restam-lhes apenas subexistir. Enquanto Philip Seymour Hoffman faz de Lancaster a figura que usa de seu carisma para dar consistência às suas teorias, que não gosta de ser confrontado pelos seus detratores e pelos seus mais fiéis seguidores. Dois opostos que se simpatizam e entram em atrito, como pai e filho, se completam e se repelem, inevitavelmente.
Para quem já destrinchou o nada glamouroso universo dos filmes pornôs nos anos 70 com Boogie Nights, o mesmo glamour que foi descortinado da Los Angeles que une a vida de diversas personagens em um tumultuado dia com Magnólia, ter feito Adam Sandler atuar decentemente em Embriagado de Amor e mostrado os limites ou (a falta de) para a ambição de um explorador de petróleo, que por outro lado é um retrato do próprio americano em Sangue Negro, é ainda mais animador que esta escala em sua carreira continue ascendente com esta obra-prima que é O Mestre, a inscrever o nome de Paul Thomas Anderson na história do cinema atual.


2 comentários:

  1. Rapaz só vi mesmo Magnólia, mas dicas foi o que não faltou nessa postagem.

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  2. Magnólia é o meu favorito de todos, mas você não vai se arrepender de conhecer os outros filmes, que são grandes trabalhos, D. Everson.

    Um grande abraço!

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