Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

FILOSOFANDO A TOA 23

  
SOBRE AS QUERELAS BRASILEIRAS
Por: Célio limA.
“Na certeza de que as visões do Brasil a partir de suas coisas oficiais, sagradas, sérias e legais são as mais correntes e familiares, quero aqui revela-lo por meio de outros ângulos e de outras questões (...) uma leitura do Brasil que deseja ser maiúsculo por inteiro: o BRASIL do povo e das suas coisas. Da comida, da mulher, da religião que não precisa de teologia complicada nem de padres estudados. Das leis da amizade e do parentesco, que atuam pelas lágrimas, pelas emoções do dar e do receber, e dentro das sombras acolhedoras das casas e quartos onde vivemos o nosso quotidiano. Dos jogos espertos e vivos da malandragem e do carnaval, onde podemos vadiar sem sermos criminosos e, assim fazendo, experimentamos a sublime marginalidade que tem hora para. começar e terminar. Deste Brasil que de algum modo se recusa a viver de forma totalmente planificada e hegemonicamente padronizada pelo dinheiro das contas bancárias ou pelos planos... dos ministérios encantados pelos vários tecnocratas e ideólogos que aí estão á espera de um chamado. BRASIL commaiúsculas, que sabe tão bem conjugar lei com grei, indivíduo com pessoa, evento com estrutura, comida farta com pobreza estrutural, hino sagrado com samba apócrifo e relativizador de todos os valores, carnaval com comício político, homem com mulher e até mesmo Deus com o Diabo. Por tudo isso é que estamos interessados em responder, nas páginas que seguem, esta pergunta que embarga e que emociona: afinal de contas, o que faz o brasil, BRASIL?” (Roberto da Mata)
A final quem nós somos? Existimos? A que será que se destina? Tal nosso desatino? Exilamos em nosso próprio país? Para nada? Para algo? Para todos? Para que?
O homem talvez seja uma ponte entre o macaco de Darwin e o além do homem, como assim me falara o amigo Frederico Espirro. Portanto vou aquém e me digo ser uma ponte entre o que for sagrado e o que for profano. Digo que apesar de ser brasileiro vejo que ser brasileiro não se define só por gostar de samba ou de futebol, eu to mais com um pé no rock e outro no mato, ando por entre uma balada e um blues, exemplificando-me-ser!
Creio que essa ponte brasileira ou relação se dá no limiar/transitar do individual para o social. É o fator que aguça a capacidade individual criativa/potenciadora de um povo perante as necessidades já históricas pra não dizer por natureza. Ela é o que mantém as relações desse povo em casa, festas, trabalho, etc. É o que faz ser um povo individuo/coletivo carnavalizante-ser!
Outro fator importante que caminha de mãos dadas nesse processo e que vem do coletivo para o individual é a esperança. Seja a fé nas religiões, fé ideológico-utópica (política ou anárquica) a fé como fator de esperança no progresso, ciência, evolução ou simplesmente de que as coisas mudem. Tanto faz se seja através do jogo, da solidariedade ou do amor (amorismo).
Sim, fomos colonizados por portugueses, espanhóis, franceses, holandeses, jesuítas entre outros fdp´s... Ainda somos? Por americanos? Pela polarização PT-PSDB? Pela midiatização Globo-Record? Pelas empreiteiras e o financiamento de campanhas eleitorais? Pelo agronegócio ou pela globarbarização? Pelas bancadas evangélico-ruralista?
Apesar de discordar do preconceito do professor Ariano Suassuna e ver que não fomos horiginalizados dos mouros ou das cores de suas cabras criadas... Pois apesar de sermos uma mistura de todo esse processo historicamente a ferro e fogo. Antes dos mouros o som dos relâmpagos, dos trovões e dos: “pingos de chuvas chorados por fúrias de felicidades” já nos educavam e nos misturávamos ao outro nos rituais antropofágicos.
Se os nossos jovens andam de skate, embolam/duelam um rap, caem num funk ou teclam a noite-madrugadadentro em telas de tablets, celulares ou em pc’s um consumismo americanonizado, eles aindam amam o futebol arte, mesmo diante de todo falatório chato em prol do tic tac espanhol. Eles não trocaram ainda a magia do carnaval das ladeiras de Olinda, das ruas de São Salvador, do curral do samba ou embriagando-se na pauliceia, fora de época: Fortaleza. Não trocaram o frevo pelo vale cultura de algum show da Lady Gaga ou de algum mega evento internacional. Continuamos querendo comer o outro sim, feito sardinha, degustar o sol estrangeiro, o universal. Sem correr o risco de esquecer o bom dos costumes, e da cultura popular. Como no São João do Nordeste, das folias de momo e de reis ou mitificação da espera do “tempo do espírito santo”, eterno retorno de Dom Sebastião personificado na procissão do meu Rio de Janeiro, da multidão fervorosa no Círio, no Juazeiro de pedras que choram por sobre cabeças do rebanho da fé, nos duelos dos bois, no Recife pegando fogo na pisada do maracatu etc e tal.
Vejo que da para transitar tanto no Shopping Center como na feira de Caruaru, ler quadrinhos da Marvel Comics como devorar os Cordéis do mestre J. Borges, da para comer o Hambúrguer do Mac... com Coca-Cola (sem rato), como Tapioca com Café São Braz ou degustar um bom Caldo de Cana com pão doce, ir no Rancho da Pamonha ou comer aquele espetinho da esquina com aquela Pitú fabricada em Santo Antão do Egito como diz o “poeta”, ou  cair na night com Whisky com Red Bull.
Por fim ou por enquanto, concordo com outro brasileiro: “amar e mudar as coisas me interessa mais”.
“O povo brasileiro pagou, historicamente, um preço terrivelmente alto em lutas das mais cruentas de que se tem registro na história, sem conseguir sair, através delas, da situação de dependência e opressão em que vive e peleja. Nessas lutas, índios foram dizimados e negros foram chacinados aos milhões, sempre vencidos e integrados nos plantéis de escravos. O povo inteiro, de vastas regiões, às centenas de milhares, foi também sangrado em contra-revoluções sem conseguir jamais, senão episodicamente, conquistar o comando de seu destino para reorientar o curso da história.(...) "O espantoso é que os brasileiros, orgulhosos de sua tão proclamada, como falsa, "democracia racial", raramente percebem os profundos abismos que aqui separam os estratos sociais.O mais grave é que esse abismo não conduz a conflitos tendentes a transpôlo, porque se cristalizam num modus vivendi que aparta os ricos dos pobres, como se fossem castas e guetos. Os privilegiados simplesmente se isolam numa barreira de indiferença para com a sina dos pobres, cuja miséria repugnante procuram ignorar ou ocultar numa espécie de miopia social, que perpetua a alternidade. O povomassa, sofrido e perplexo, vê a ordem social como um sistema sagrado que privilegia uma minoria contemplada por Deus, à qual tudo é consentido e concedido. Inclusive o dom de serem, às vezes, dadivosos, mas sempre frios e perversos e, invariavelmente, imprevisíveis. (...)A história nos fez, pelo esforço de nossos antepassados, detentores de um território prodigiosamente rico e de uma massa humana metida no atraso mas sedenta de modernidade e de progresso, que não podemos entregar ao espontaneísmo do mercado mundial. A tarefa das novas gerações de brasileiros é tomar este país em suas mãos para fazer dele o que há de ser, uma das nações mais progressistas, justas e prósperas da terra”. (Darcy Ribeiro)

OBS: Célio limA. (ATIVISTA CULTURAL) É filosofo por natureza; anarquista por tesão  e poeta por diversão. Membro fundador dos movimentos literanarkos: A Sociedade dos Filhos da Pátria; A Liga Espartakista-Sempre Mais!!!.                                                                 Atua nos Blogs: http://salveopoetasalve.blogspot.com.br/http://sexopoemaserocknroll.blogspot.com/http://poetasdemarte.blogspot.com/ http://tribunaescrita.blogspot.com/                                                           

4 comentários:

  1. Limerique

    Macunaíma, o povo brasileiro
    Mas vota em político quadrilheiro
    Acha-se esperto contudo
    Mas sempre eleitor mudo
    Obedece o pobre, manda o dinheiro

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    1. JAIR CLOPES: "Sabe com quem tá falando?
      Eu sou amigo do Rei...
      Que importa o nome que eu tenho
      Que importa aquilo que eu sou
      Se eu tenho um sonho impossível
      Pra mim o tempo parou
      Meu nom, meu nome é Peri
      Meu nom, meu nome é Zumbi

      Meu nom, meu nome é Galdino
      Meu nome é Brasil
      Um gigante-menino
      Um navio sem destino
      No ano dois mil
      CORO
      Se eu pudesse atrasaria
      Este relógio dois mil
      Pra rezar na primeira missa
      Pelo futuro do Brasil
      ACALANTO
      Inhem inhem inhem
      Inhem inhem inhem
      Nhem ... nhem nhem
      Nhem nhem
      CORO
      Iê Peri iê Peri iê camará
      Iê Peri camará
      Peri Brasil
      PERI
      E eu, o que sou?
      E eu, o que sei?
      Macunaíma, sou eu?
      Tiradentes, sou eu?
      Sou eu um poeta
      Sou eu um pião?
      Quantos anos eu tenho
      Quantos anos terei?
      Eu que vivo sem, jamais saberei
      Ó meu pai, não me abandone,
      Minha mãe, como é meu nome
      Este mundo tem lei?
      Este mundo tem Rei?
      CORO
      Se eu pudesse atrasaria ...

      Link: http://www.vagalume.com.br/tom-ze/perisseia.html#ixzz2o02yWish

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  2. Boa noite,gostei muito em conhecer seu blog,é um blog inteligente parabéns!
    Voltarei mais vezes um abraço.

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    1. PREZADA NELMA LADEIRA BEM VINDA A ESSE RECANTO, SE ESQUENTE NESSA LAREIRA & PASSEI LIVREMENTE POR ESSA ALDEIA PLANETARIA !!!

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