Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

RADIOLA DO VELHO MAC CORD

Morbid Visions, do Sepultura: portal para um mundo alternativo.


Por: Marcelo Mac Cord

   No Brasil, os anos 1980 ficaram conhecidos como "década perdida". O país estava estagnado economicamente. A ditadura civil-militar ainda dominava corações e mentes de muitos brasileiros. Apesar da instabilidade conjuntural, os jovens mais pobres, filhos da classe trabalhadora, tinham alguma esperança no processo de redemocratização, mesmo que o horizonte fosse pouco animador... A escola pública consolidava uma fase de sucateamento, a universidade pública era destinada aos privilegiados e a falta de oportunidades no mercado de trabalho impedia que a garotada conquistasse o primeiro emprego.

   Nos subúrbios e favelas do Rio de Janeiro, nos anos 1980, os filhos da classe trabalhadora enfrentavam mais um problema social: o crescimento do crime organizado vinculado ao tráfico de drogas. As conjunturas nacionais permitiram que a bandidagem seduzisse uma série de meninos e meninas ávidos por autonomia financeira. Em seus espaços de sociabilidade, os indivíduos que entraram na "firma" conquistaram status, dinheiro, roupas de marca, respeito, poder e autoestima.

   Os jovens cariocas mais pobres, que conseguiram escapar dessa maldita armadilha, encontraram outro grande desafio. A grande mídia apresentava em sua programação um padrão estético burguês, afinado com os bairros "descolados" da zona sul. Roupas, relógios, tênis, entre outros produtos caríssimos, eram inacessíveis para os bolsos da classe trabalhadora. Muitos filhos pressionavam seus pais para comprá-los, desejando aceitação e destaque entre seus amigos e colegas.

   Entre a cruz e a espada, pessoas como eu, adolescentes na "década perdida", encontraram nos movimentos punk e headbanger uma identidade alternativa, uma forma de defesa pessoal em grupos alternativos. Não éramos nem bandidos e muito menos "playboys". O disco Morbid Visions, do Sepultura, lançado em 1986, foi o portal que me permitiu negar dois mundos que queriam me oprimir. Dois mundos que não queria participar.

5 comentários:

  1. Muito bom o artigo. Além da capa do disco ter servido como uma negação a hipocrisia religiosa.

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  2. Rapaz a escola pública ainda não saiu do ferro velho hahahaa
    Rapaz essa coluna não é só uma aula de rock, é uma aula de Brasil =]]]
    CURTI!

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  3. Limerique

    Muito bom esse Mac Cord, Marcelo
    Antenado e radical com pedicelo
    Colocando dedo na ferida
    Terá missão cumprida
    Quando bater com vara de marmelo.

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