Viajantes Interplanetários

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sob a luz feroz do teu rosto

Amar um leão usa-se pouco,
porque não pode afagá-lo
o nosso desejo de afagá-lo,
como tantas vezes cão ou gato
aceitam-nos a mão a deslizar
sobre seu pêlo;
amar um leão não se devia,
agora que já não somos divinos,
quando a flauta que tudo
encantaria, gentes animais
pedras, nós a quebramos contra
a ventania; amar
um leão é só distância: tê-lo ao lado,
não poder beijá-lo, o deserto
que habita em torno dele;
era mais certo amar um barco,
era mais fácil amar um cavalo;
amar um leão é não poder amá-lo;
e nada que façamos adoça
o que nele nos ameaça se
amar um leão nos acontece:
à visão de nosso coração
ofertado, tudo nele se eriça,
seu desprezo cresce;
amar um leão, se nos matasse;
se nos matasse o leão que amamos
seria a dor maior, mais que esperada:

presas patas fúria cravadas em nossa carne;
mas o leão, que amamos,
não nos mata.

EUCANAÃ FERRAZ

4 comentários:

  1. Limerique

    Era uma vez um amado leão
    Um belo feroz felino bem grandão
    Mas é fera que não fere
    Dele amor então espere
    Afinal come apenas o coração.

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  2. JairCLopesando

    Se lido na ordem natural
    Mostra como é amar animal.
    Mas se lido ao contrário
    No sentido anti-horário
    Mostra-nos o sobrenatural.

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    Respostas
    1. Limerique

      Desfez-se esse mistério afinal
      Mostrou-nos você um amor natural
      Não era texto perverso
      Mas capricho inverso
      Dum poeta de criação sem igual.

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