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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Cinemarte


A volta do Cine Belas Artes

Aqui em São Paulo o fechamento de um dos cinemas mais tradicionais da cidade gerou muito protesto entre o público que o frequentava. O Cine Belas Artes tinha uma programação alternativa que fugia das onipresentes superproduções hollywoodianas. Acredito que todo paulistano cinéfilo tenha tido alguma história para contar daquele local, desde a obra que marcou sua trajetória de filmes até um momento especial que tenha ocorrido antes, durante ou após a sessão. Assim como em qualquer região do país alguém
Pelos idos de 2002, eu fazia um curso livre aos domingos na USP e o ônibus que eu pegava passava em frente ao Cine Belas Artes, situado na Rua da Consolação, com os letreiros tradicionais divulgando os filmes em cartaz em sua fachada. Contorcia-me para saber os nomes dos filmes. No retorno para casa o mesmo ônibus passava por lá e a fila formada que ia para o lado de fora do local me fazia sentir um enorme desejo de estar lá, mas a falta de tempo e o vazio de minha carteira eram maiores que minhas vontades.
Até que enfim consegui, em um dia útil de semana mesmo, ir ao tão almejado cinema. O primeiro filme visto foi Cidade de Deus. Uma das sessões que mais me impressionaram foi o sombrio trabalho de Clint Eastwood, Sobre Meninos e Lobos. O cinema fechou meses depois e passou por uma reforma e levou o nome e o patrocínio do banco HSBC. Lá aconteceram os famosos Noitões, sessões de 3 filmes seguidos (uma estreia, um clássico e um filme com pouco tempo em cartaz). O último que eu vi foi o drama Aproximação, de Amós Gitai, com a sempre radiante Juliette Binoche no elenco, na época em que o banco multinacional não era mais o principal parceiro do Belas Artes.
O cinema foi também local de encontros e conversas cinéfilas com meu amigo Dácio, que mora muito longe (Embu das Artes) de São Paulo, mas que se dispunha passar duas ou mais horas de sessão e depois um tempo extra para discutir sobre o filme assistido e compartilhar nossa paixão sobre o cinema e conversar sobre outras preocupações da vida. Filmes indicados ao Oscar, trabalhos esperados de nossos diretores e/ou atores preferidos eram pretextos para reencontros cada vez mais espaçados, mas sempre divertidos, como o é toda boa amizade. Bons tempos...
Saber do retorno do Cine Belas Artes (a prefeitura alega que a reinauguração poderá ocorrer até o fim de maio a preços mais populares e fidelidade à programação alternativa que sempre foi a marca do lugar) é ter de volta um pouquinho desta memória afetiva que devotamos a determinados espaços ou pessoas. Os cinéfilos paulistanos agradecem.

Observação: Apesar do atraso de uma semana, é impossível deixar de registrar aqui a perda trágica de dois grandes talentos do cinema mundial: um dos melhores atores de sua geração, Philip Seymour Hoffman, e o nosso mestre Eduardo Coutinho.

4 comentários:

  1. Limerique

    Resgata saudoso a sua maneira
    Cinema de arte, Wesley Moreira
    Sabe do que está falando
    Do quanto, e até quando
    Porque cinema não é brincadeira.

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  2. sempre o descaso do poder público com as coias boas

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    Respostas
    1. Se os prazos e promessas forem cumpridos, o erro vai ser corrigido desta vez... Assim espero... Abraço!

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