Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

À alegria



Hoje o dia nasceu mais colorido.
Um vem-vem vem cantando alvissareiro.
Eu, canário fugindo do viveiro,
Vou sentindo que a vida faz sentido.
Ele está, neste instante, refletido
no vigor da florada da jurema,
qual bucólica cena de um cinema
que ora tenho ao alcance dos sentidos,
na mistura de luzes e ruídos
Da manhã que norteia o meu poema.

A leveza das garças boiadeiras
enfeitando de paz o azul celeste,
esse vento macio que vem do leste,
o aroma das flores catingueiras,
o piar matinal das lavandeiras,
rouxinóis encantando em cantoria,
esses sons, esses tons, a sinfonia
e outros tantos sinais de sutileza
são acenos da mão da natureza
me apontando os motivos da alegria;

O orvalho em gotículas piscantes
cintilando nos galhos mais pendentes
são partículas vivas reluzentes
num delírio de cores vislumbrantes.
O azul dos serrotes mais distantes
destacado do azul do firmamento
é visão que liberta o pensamento
de quem sempre viveu de nostalgia,
é o instinto mais puro da poesia
sublimando as razões do sentimento.

É preciso cantar da vida a essência
libertar-se do medo onipresente
resgatar a pureza, o bem latente
que se esconde no vão da inconsciência.
vislumbrar o semblante de inocência
que ornamenta o sorriso da criança,
alcançar o que o homem só alcança
quando a alma se faz desinibida,
conceber o prazer de amar a vida
e abraçar o sentido da esperança.


Lamartine Passos
São José do Egito-Pe

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