Viajantes Interplanetários

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sábado, 10 de janeiro de 2015

MILKSHAKE LITERÁRIO

O Desenrolar de Uma Paixão – Parte 3

“Ninguém pode falar de ninguém sem contar uma história. Nenhuma figura humana pode ser estudada em termos literários num vácuo, pois ela pertence a um tempo e a um espaço, tem um passado, vive um presente. É também um contínuo devir, um processo transitivo e não um produto acabado.” 

- Erico Verissimo, em "ALEV - Acervo Literário Erico Verissimo, 03e0789-74".

Erico Verissimo com sua IBM trabalhando em mais uma obra. Foto: Leonid.

Aloha! :D

A prosa de hoje se desenrolará sobre a última parte da Trilogia O tempo e o vento, O Arquipélago. Esta foi subdividida em III tomos lançados mais de 10 anos depois da publicação de O Retrato.

 Confiram as sinopses (cortei algumas informações para evitar spoilers):
Tomo I –
“O arquipélago, última parte da trilogia O Tempo e o Vento, encerra a saga da família Terra Cambará. Neste primeiro volume, o Brasil, o Rio Grande do Sul e Santa Fé se modernizam, Não cabem mais aos planos das oligarquias tradicionais. Os Cambarás retiram o apoio ao governo e aderem à revolução libertadora em 1923: retomam o caminho das armas e das coxilhas ao lado dos maragatos, antes arqui-inimigos.”

Tomo II –
“Neste segundo volume de O Arquipélago, os conflitos delineados no primeiro se adensam. A revolução de 23 chega ao fim e ao Rio Grande do Sul é pacificado, mas por pouco tempo. As novas contradições do Brasil chegam à família Terra Cambará: guarnições militares das Missões se rebelam e Toríbio, o irmão mais velho de Rodrigo, une-se a elas na formação de uma coluna revolucionária que tem um "ilustre desconhecido" à frente, um certo capitão Luiz Carlos Prestes. No plano da memória, em 1945, o escritor Floriano Cambará se deixa tomar por sua paixão pela cunhada, desenhando um conflito ameaçador na já precária paz familiar.”

Tomo III –
“A trilogia O Tempo E O Vento chega ao fim. Os caudilhos gaúchos se rebelam, tomam a capital federal e inauguram uma nova era política no Brasil. Na cidade fictícia de Santa Fé, a família Terra Cambará é abalada por novos conflitos: Toríbio rompe com o irmão e vai ao encontro de seu inapelável destino. Nessa atmosfera tumultuada, Sílvia, a amada do escritor Floriano, revela seu mundo num diário surpreendente, impregnado pela época sombria da Segunda Guerra Mundial. Tudo converge para uma encruzilhada de tempos e memórias: Rodrigo Cambará tem um acerto de contas definitivo com o filho, Floriano, que começa a escrever o grande romance de sua vida.”

O Arquipélago - Volumes 1,2,3 

Nestes volumes fugimos um pouco do Rio Grande do Sul e conhecemos o Rio de Janeiro ainda como capital do Brasil, com a presença de algumas personagens da vida real como Getúlio Vargas e Carlos Prestes. Como sempre, os costumes da época estão presente, revoluções, guerras e contradições do começo até meados do século XX.
O arquipélago foi o comecinho de um dos meus maiores amores literário: Floriano Cambará. Que dizem ser o alter ego de Erico, então...
A personalidade singular, estudiosa, tímida e reservada do primogênito de Rodrigo Neto me encantou. Tão diferente do Pai! Certo, eu sei que ele possui uma tendência à apatia e ao conformismo, medo de entrar em conflitos. O quanto ele amadurece durante a trama me enche de orgulho, no entanto tem uma decisão que ele toma que até hoje não pude concordar... É, ninguém é perfeito.
No último volume também temos um pouco da visão de Sílvia, mais tarde seria publicado a parte sob o título de Do Diário de Sílvia. Apesar de amar Floriano, achei muito bom esse escape de visão, aprendemos e percebemos um pouco mais sobre os outros personagens e sobre o próprio Floriano.

Ahhh, quanto mais eu lia mais queria ler! Os fatos são tão amarrados, a conexão entre todos os acontecimentos, desde o primeiro volume, se faz clara. A essa altura do campeonato os nomes são tantos e a árvore genealógica já está tão extensa, que por vezes torna-se confusa. Mas, nada que intimide ou prejudique o entendimento da leitura. Tudo requer apenas atenção.

Uma mãozinha da Wikipédia, clique na imagem para ampliar.

E as citações então? Cada uma melhor que a outra! Vocês podem conferir as que eu selecionei em minha estante do Skoob ;-)
Essas são algumas das favoritas:

"- Estive pensando...- continuou Floriano.- Nenhum homem é uma ilha... O diabo é que cada um de nós é mesmo uma ilha, e nessa solidão, nessa separação, na dificuldade de comunicação e verdadeira comunhão com os outros, reside quase toda a angústia de existir." (VERISSIMO, p. 264 2004)*.
"Ser maragato ou republicano na verdade não significa nada. As revoluções se fazem para melhorar as condições sociais. Que é que esperas dessa revolução? O voto secreto? Mas de que serve isso se o povo não se educa, não aprende a usar o seu voto, a escolher o seu candidato? O que pode resultar dessa choldra toda é uma mudança padrão. O povo continuará na mesma, mal alimentado, malvestido, infeliz..."  (VERISSIMO, p.18, 2004)*

"Olha. Os grandes arranha-céus têm a capacidade de oscilar com o vento... sabias? Pois é. Se não oscilassem viriam abaixo. Assim é a fé. Uma fé dura e inflexível pode transformar-se em fanatismo ou então quebrar-se. A fé que se verga como um junco quando passam as ventanias, essa resiste intata. Portanto, não te preocupes. Continua a duvidar. Deus está acostumado a essas nossas fraquezas.” - (Irmão Zeca no Diário de Silvia)" (VERISSIMO, p. 348, 2004)*



Chegamos ao nosso 4º e último encontro com Erico Verissimo e O tempo e o vento sob meu ponto de vista. Sinto que fui tão incompleta, que ainda tem tanta coisa que eu gostaria de falar (como a importância da figueira na praça e do sobrado dos Cambará, por exemplo), tantas personagens queridas que merecem ao menos uma pontinha, tantas emoções que me atacaram antes e pós a leitura...
Mesmo assim, espero que todos tenham divertido-se tanto quanto eu (mesmo quase um ano depois). Erico voltará em breve a comparecer por aqui, a próxima etapa ainda é segredo :X
Enquanto isso... Quem se habilita a encarar as aventuras de O tempo e o vento?


Coleção Completa - sonho de consumo esse box *-*

* VERISSÍMO, Érico. O tempo e o vento: o arquipélago III. 3.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. 3v. (Obras de Erico Verissimo) [Citações do 1º, 2º e 3º volume respectivamente]


Mahalo :*

4 comentários:

  1. No futuro próximo Érico vai entrar nas minhas leituras.

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    1. Eba! :D
      Não vejo a hora de trocarmos ideias sobre Erico, Everson.
      Beijinhos :*

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  2. Agora deu mais vontade ainda de reler esta saga fantástica. O Tempo e o Vento é incrível e sua visão da obra tornou mais tentador o retorno às páginas desta obra-prima de Érico Veríssimo. Parabéns pelas postagens!

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    1. Obrigada Wesley! :D
      Foi muito bom contar com a sua companhia durante as releituras das minhas aventuras com Erico.
      Um abraço :*

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