Viajantes Interplanetários

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Eustanásia


        Empurrou lentamente a porta do quarto. A escuridão do interior se desfazia geometricamente num trapézio de luz invertido que vinha do corredor.
        Sobre o estrado da cama sem colchão ele o via, com olhos inertes e escuros estrebuchando com as costas coladas na armadilha que comprara na casa de ração.

         A vida se esvaia daquele ser aos poucos num se debater impotente....
 

         De pé, vassoura em punho, o homem refletiu uns poucos segundos e concluiu que aquilo seria o melhor a se fazer.
        Desferiu um golpe hercúleo e certeiro aplacando o sofrimento do bicho e expurgando o asco que o acompanhava por saber que aquelas patas trafegavam pelos cômodos durante aquela semana.
        Houve um barulho seco! Uma só pancada cujo som fora abafado pelo assentar das piaçavas.
        Suado e trêmulo de nojo, ao colocar o rato morto dentro do saco preto de lixo, prenhe de propriedade, sussurrou:

       _ Mesmo você, que disseminou o pânico se esgueirando à noite pelos cantos de minha casa, merece uma morte digna!
Cristiano Marcell

3 comentários:

  1. Um conto digno.
    ps.Carinho respeito e abraço.

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  2. Não penso muito em dignidade quando vejo um rato, porque perco a minha. x)
    Apareça mais vezes Marcell, Marte sente sua falta.

    Grande abraço :*

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  3. Esse rato tava na lista, da "Lava Jato". Então ,não lamentemos. Grande abraço, brother tricolor!

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