Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sabe o Sabina? (VISÃO PERIFÉRICA)


En directo de la periferia del mundo, les traigo novedades.
Hoje, nesse espaço de seus dias que por vocês me foi gentilmente cedido, trago um cantor pouco conhecido do grande público brasileiro, mas que já é consagrado, há muito tempo, pelo público “hispano hablante”. O espanhol Joaquín Sabina é conhecido por sua veia poética incontestável e por uma linguagem musical que mistura influências regionais e pessoais com o rock’n’roll, o blues etc.
 Os versos de Sabina são densos, porém não sérios. Brinca com as palavras, fala as verdades na cara e, diversas vezes, pode ser considerado brega por parte do público. Mas tudo isto sem medo.
Inimigo declarado de alguns músicos argentinos consagrados com quem já manteve boas relações, tal qual Charly García e Fito Páez, a ambos dedica a canção Cuando me hablan del destino do seu disco Dimelo en la calle (2002), na qual afirma que quando estava encarando a morte de perto “Charly não teve um detalhe, nem Fito um ‘Que necessitas?’”. Com Fito, inclusive, chegou a gravar o álbum Enemigos Íntimos por meros fins comerciais.
Sabina não esconde seu gosto por dinheiro, mulheres, bebida e drogas. E com todos quatro prazeres teve problemas. No entanto, afirma que atualmente, aos 62 anos, após ter um acidente vascular cerebral e passar alguns anos em depressão: “de las drogas solo siento nostalgia".
Além de ser músico também é autor de 12 livros, incluindo alguns de poesias, que sinto não poder comentar muito por não ter tido acesso ainda.
Disponibilizo aqui um grande sucesso seu: 19 días y 500 noches, que encabeça o álbum homônimo lançado em 1999. A explicação para o título vêm de um fora homérico levado pelo autor e que diz em sua letra: “demorei para esquecê-la 19 dias e 500 noites”. Explica que os dias tristes até passaram rápido, mas à noite é que homem se sente só verdadeiramente.
Bem, vou deixar o falatório de lado para que vocês saquem o som e as letras por conta própria. Ponho abaixo também a tradução. Mais informações em seu site oficial: www.jsabina.com ou deem-se o trabalho de buscar no Google!





19 Días y 500 Noches

Lo nuestro duró
lo que duran dos peces de hielo
en un güisqui on the rocks,
en vez de fingir,
o estrellarme una copa de celos,
le dio por reír.
De pronto me vi,
como un perro de nadie,
ladrando, a las puertas del cielo.
Me dejó un neceser con agravios,
la miel en los labios
y escarcha en el pelo.
Tenían razón
mis amantes
en eso de que, antes,
el malo era yo,
con una excepción:
esta vez,
yo quería quererla querer
y ella no.
Así que se fue,
me dejó el corazón
en los huesos
y yo de rodillas.
Desde el taxi,
y, haciendo un exceso,
me tiró dos besos...
uno por mejilla.
Y regresé
a la maldición
del cajón sin su ropa,
a la perdición
de los bares de copas,
a las cenicientas
de saldo y esquina,
y, por esas ventas
del fino Laina,
pagando las cuentas
de gente sin alma
que pierde la calma
con la cocaína,
volviéndome loco,
derrochando
la bolsa y la vida
la fui, poco a poco,
dando por perdida.
Y eso que yo,
paro no agobiar con
flores a María,
para no asediarla
con mi antología
de sábanas frías
y alcobas vacías,
para no comprarla
con bisutería,
ni ser el fantoche
que va, en romería,
con la cofradía
del Santo Reproche,
tanto la quería,
que, tardé, en aprender
a olvidarla, diecinueve días
y quinientas noches.

Dijo hola y adiós,
y, el portazo, sonó
como un signo de interrogación,
sospecho que, así,
se vengaba, a través del olvido,
Cupido de mi.
No pido perdón,
¿para qué? si me va a perdonar
porque ya no le importa...
siempre tuvo la frente muy alta,
la lengua muy larga
y la falda muy corta.
Me abandonó,
como se abandonan
los zapatos viejos,
destrozó el cristal
de mis gafas de lejos,
sacó del espejo
su vivo retrato,
y, fui, tan torero,
por los callejones
del juego y el vino,
que, ayer, el portero,
me echó del casino
de Torrelodones.
Qué pena tan grande,
negaría el Santo Sacramento,
en el mismo momento
que ella me lo mande.

Y eso que yo,
paro no agobiar con
flores a María,
para no asediarla
con mi antología
de sábanas frías
y alcobas vacías,
para no comprarla
con bisutería,
ni ser el fantoche
que va, en romería,
con la cofradía
del Santo Reproche,
tanto la quería,
que, tardé, en aprender
a olvidarla, diecinueve días
y quinientas noches.
Y regresé...

19 Dias e 500 Noites

O nosso durou
O que duram dois peixes de gelo
Em um uísque on the rocks,
Em vez de fingir,
Ou estalar-me uma taça de ciúme,
começou a rir.
De repente, me vi
Como um cão de ninguém
Latindo, às portas do céu.
Me deixou uma nécessaire com queixas,
O mel nos lábios
E geada no cabelo.
Tinham razão
minhas amantes
nisso de que, antes
o mau era eu,
Com uma exceção:
Esta vez
Eu queria querê-la querer
E ela não.
Então ela se  foi
Me deixou o coração
Nos ossos
E eu de joelhos.
Desde o táxi,
E fazendo um excesso
Me jogou dois beijos ...
Um por bochecha.
E voltei
À maldição
Da gaveta sem suas roupas,
À perdição
De bares de taças,
Às cinderelas
De saldo e esquina
E por essas vendas
Do fino Laina,
Pagando as contas
De gente sem alma
Que perde a calma
Com a cocaína,
Ficando louco,
Desperdiçando
A carteira e a vida
Fui, pouco a pouco,
Dando-a por perdida.
E isso porque eu,
Para não sobrecarregar com
Flores a Maria
Para não assediá-la
Com minha antologia
De lençóis frios
E quartos vazios
Para não comprá-la
Com bijuterias,
Nem ser o fantoche
Que vai em romaria,
Com a confraria
da Santa Repreensão,
Tanto a queria,
que demorei em aprender
a esquecê-la, dezenove dias
E quinhentas noites.

Ela disse: Olá e adeus
E o bater a porta tocou
Como um ponto de interrogação
Suspeito que, assim,
Vingava-se, por meio do esquecimento,
Cupido de mim.
Eu não me desculpo,
Para quê? se você vai me perdoar
porque já não lhe importa ...
Sempre teve a testa muito alta,
A língua muito longa
E a saia muito curta.
Me abandonou
Como se abandonam
Os sapatos velhos,
Destroçou a lente
Dos meus óculos para longe
Tirou do espelho
Seu vivo retrato,
E  fui,   tão toureiro,
Pelos becos
do jogo e do vinho
Que, ontem, o porteiro,
Me expulsou do cassino
De Torrelodones.
Que pena tão grande,
Negaria o Santo Sacramento,
No mesmo momento
Que ela me mande.

E isso porque eu,
Para não sobrecarregar com
Flores a Maria
Para não assediá-la
Com minha antologia
De lençóis frios
E quartos vazios
Para não comprá-la
Com bijuterias,
Nem ser o fantoche
Que vai em peregrinação,
Com a fraternidade da
Santa Repreensão,
Tanto a queria,
Que demorei em aprender
A esquecê-la, dezenove dias
E quinhentas noites.
E regressei...

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