Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

É NODA! — #08


PELO DIREITO DE SER BOM
“O medo superou todas as possibilidades/ (...)/ Nos deu sapiência
para saber que a poesia/ Não põe mesa na terra dos fracos”
(Lucas Holanda)


Se um bom professor consciente da sua capacidade profissional, do trabalho que realiza em sala de aula e do seu valor social disser: “sou bom”, acho que nenhum filho da puta vai olhar torto ao honrado cidadão. Policiais, advogados, jardineiros, jornalistas, prostitutas, ou seja lá o que for, também tem esse direito(?) de demonstrar a sua utilidade pública.
Entretanto, entre nós existe uma categoria maldita que vive andando pelo mundo de cabeça baixa; que quando muito, classifica o seu trabalho como razoável. Platão estava certo, essa galera realmente não deveria ter vez...
Se uma pessoa em pleno gozo de juízo todos os dias vai à sua estante ou dá um rolê pelas bibliotecas para ler clássicos, bem como todo santo dia liga seu pecezinho e navega atrás de novidades, tomando notas e rabiscando um ou outro poema ali e aqui diariamente, batendo aquele papo com quem também tá na mesma missão for ruim... Realmente, temos um profissional em incompetência.
Agora se o poeta faz o seu dever de casa e diz: “sou bom”, a casa caiu. Garanto que vai ter gente sem levá-lo a sério, gente pra diminui-lo ou algum bom cristão para lhe enfiar uma colherada de humildade goela a baixo. E sabe qual é o resultado? Porco capitalista curtiu isso. Taí um mercado editorial perverso colocando o cabisbaixo poeta no seu lugar.
Bukowski fala que a autoconfiança e o não se por em dúvidas geram obras ruins. Tudo bem, tranquilo, concordo. E muita gente morreu sem saber a grandeza que deixou. Não adianta dizer que é o tampa de crush, a obra que deve se impor. E por vezes ela não está inserida dentro dos padrões estéticos ou ideológicos de seu tempo.
Mas se não houver uma voz, mesmo que interna, baixinha, longe, dizendo: “eu posso, vou tomar o que é meu”, já era. Menos um poeta no mundo. Ainda bem.


__________
Fred Caju responde pelas suas próprias opiniões, que não estão necessariamente em unanimidade com a equipe do blog, que preza pela livre iniciativa de seus colaboradores.
   

18 comentários:

  1. Limerique

    Era uma vez um poeta do balacobaco
    Um carinha que punha fé no seu taco
    Mas vivia encucado
    Pois olhava ao lado
    E via obras de poetas que eram um saco.

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  2. Eu acho que excesso de humildade é tão ruim quanto a presunção. O importante, é ter equilíbrio. E você é bom.

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    1. Nem P e nem E, esse núcleo só funciona mesmo é com N = neutralidade

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    2. Por aí mesmo, Ana.

      E Daniel, assim vai acabar rolando uma química entre a gente.

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    3. Química não, física! Sai p lá com essa química! kkkkkkkkkkk

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  3. Penso que essa coluna é mais quente que um acarajé recheado, ao invés de massa, apenas com pimentas das mais fodas. Se a obra e consciência são a voz do poeta, que essas duas tratem logo de brandir meu canto aos quatro ventos, por que pior do que ser poeta é carregar um catatau de poemas que ninguém leu, e, que vc acha que seria legal que alguém lê-se. Um dia essa vontade de ser isso que eu sou... hahahaha já diria o Paulo, mais ou menos por aí.

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    1. A bronca não é nem que o catatau de poemas não seja lido. A bronca é não tentar fazer que ele seja lido. Como disse, por vezes ela [a obra] não está inserida dentro dos padrões estéticos ou ideológicos de seu tempo.

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  4. Limerique

    Uns fazem poesia, outros como eu
    Que não foi chamado mas se meteu
    Fica brincado
    Atrapalhando
    Quem faz poesia que Deus lhe deu.

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    1. Jair não faça choradeira, vc tb é poeta hahaha

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    2. Jair, você é bom de bola,
      então vê se não me amola.
      Deixe de ser trágico,
      você é um mágico,
      tira verso da cartola.

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  5. Cajuíno amigo,

    nem tanto céu nem terra. A criação de uma poesia é sempre muito discutida, pois, para um pequeno grupo (que se nomeia com elite)versos são dignos apenas de uma reduzidíssima plêiade.Creio realmente que devamos ser mais impetuosos e críticos positivamente para com as nossas obras, de fato. Você, eu, Lucas, Daniel, Jair, Raul, Vilma e tantos outros mais(perdoem-me se não citei alguns outros de igual ou maior importância) somos bons poetas. Talvez o receio de sermos tidos como demasiadamente presunçosos e, com isso, rechaçados pelos que nos lêem, nos faça evitar dizer isso.

    A melhor maneira de confirmarmos nossa competência é permanecer corajosos, publicando nossos escritos na blogosfera assim como um cristão se deixa levar para a cova dos leões.

    Gostei muito da noda de hoje!

    Com continuada admiração, seu amigo Cristiano Marcell

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    1. Por aí. E procurar transcender o espaço de publicações, como diria o Torquato Neto: um poeta não se faz só com versos. Assumir determinadas posturas pessoais e sociais é uma contribuição até maior que muito poema bom.

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  6. "tudo bem, tranquilo, concordo!" hehehe.
    Não é presunção, Cristiano. É um pouquinho de senso crítico... É já ter lido um pouco outras pessoas, bons autores, inclusive, e confiar no seu taco. Há excessos? Sim, pode haver! Ou melhor, deve haver. Como já falei para nosso amigo cajuíno: de manias esquizofrênicas são também feitos os bons poetas.
    Um grande mal que há na poesia hoje em dia, principalmente a da blogosfera, é q: como todo mundo qr ser artista, mas n toca, n pinta, mas foi alfabetizado desde os 6 anos de idade, isto autoriza imediatamente a ser poeta. Mesmo sem nunca ter sequer gostado de ler, muito menos poesia. Então, as letras de axé music e sertanejo universitário vem se tornando "influência literária". Teremos uma geração recitando "meteoro da paixão", em alguns anos.
    O Chacal, por exemplo, disse q há princípio n tava nem aí para ter lido uma galera antes dele, o que eles estavam construindo com sua poesia marginal era o q acontecia a partir deles para frente, n para o passado. Claro q depois ele leu, depois ele se aprofundou em outros atores, mas desse sentir o mundo desde essa perspectiva também surgiu um cara genial como ele e outros de sua geração. Só que ele não é uma regra.
    Acho meio ridículo ter q pedir para alguém, q se diz poeta: "vá ler um livro!", "escute, vez por outra, uma música com uma poética profunda" ou ainda q simplesmente se posicione de forma inteligente.
    Fico grato por ser lembrado tanto por Caju como pelo Cristiano. Se achar bom é saudável. Vai de encontro ao pensamento de pequenez da cultura judaico-cristã, mas justamente por isso é q é muito saudável. Não é q eu devo me achar melhor q o mundo ou a última tampa de crush, realmente, mas ser pelo menos criterioso com seu material.
    Se vc não se acha bom, por favor, esconda tudo o q escreve e faça um favor a humanidade: toque fogo.
    PS.: dia em q eu achar q só to escrevendo merda, paro de escrever, meu pirraia.

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    1. Sobre a questão do bastar ser alfabetizado e/ou não precisar ler, dá pra retomar a discussão do É NODA! — #01. Pra mim, pior que letras de músicas (incluindo as boas) se tornarem influência literária, é o modismo dentro da própria literatura, que faz com que, não vou nem dizer clássicos, mas básicos, acabem se tornando mais desconhecidos. A não elimina B. Mas isso é outra história...

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  7. Tem que ter o bordão do Caju: TUDO, TRANQUILO, CONCORDO HAHAHAHA
    OLha eu eu acho q eu continuarei botando meu bloco na rua, e quem quizer que vá atrás do trio por que eu souo antigo, quadrado, e baixinho hahahaha
    sei de uma coisa: é muito bom quando a pessoa que vc menos espera leu, comprou, ou se lembrou daquele seu poema. =]]]

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