Viajantes Interplanetários

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terça-feira, 29 de abril de 2014

Cinemarte



Filmes sombrios, filmes solares

Donnie Darko é um adolescente problemático, tem crises de sonambulismo e interage com a visão de um coelho de 1,70m que salvou a sua vida, livrando-o de ser atingido por uma turbina de avião que misteriosamente caiu em seu quarto. Leo é um adolescente cego que está descobrindo a sua sexualidade e vê-se apaixonado por Gabriel, seu novo amigo da escola. O primeiro é personagem-título da obra de 2003 que tornou-se cult. O segundo é o protagonista do filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho que foi premiado no Festival de Berlim e tem recebido diversos elogios da crítica especializada.
Dois extremos. Um retrato sombrio e perturbador. Outra abordagem solar e inspiradora. Dois filmes que facilmente farão o telespectador refletir um pouco sobre a realidade, ou sobre as pessoas que o cercam, por alguns dias ou semanas, dependendo do impacto que suas histórias causarem.
Tenho uma tendência ao pessimismo. Adoro os livros e os filmes que não têm um final feliz. As músicas que tenham um pé na fossa e na tristeza também entram neste repertório. Parecem mais condizentes com a nossa vida do que aqueles trabalhos que pintam uma existência com grandes possibilidades de felicidade. Por outro lado, algumas obras surgem como opções mais cativantes para amenizar um pouco o duro dia-a-dia tão duro e lá estamos nós admirando canções com sonoridades mais alegres, vibrando com as cenas musicais de uma comédia e romances de autores que sabem nos entreter como poucos. Temos o bem e o mal dentro de nós. O universo se alimenta deste maniqueísmo. Mas qual dos dois está certo? O mundo é feito desses opostos e também de seus intermediários. E precisamos destas gradações representadas na arte como um todo. Nada é somente 08 ou 80.
O tema da viagem do tempo abordado com resquícios de genialidade por Richard Kelly vai martelar na sua mente. E se aquele coelho estiver certo a respeito da viagem no tempo? E se a Vovó Morte também estiver correta? E se cumprimos caminhos pré-estabelecidos por uma grande força, toda a noção de divino e até da autonomia e do livre arbítrio humanos cairiam por terra. Assim como todo o preconceito é desmistificado quando estamos diante de uma história de amor tão sutil e incontestável como a representada no trabalho dirigido por Daniel Ribeiro. Afinal se um garoto cego tem despertado seu desejo por alguém do mesmo sexo sem nunca ter enxergado tal pessoa isto coloca em xeque qualquer teoria de que a atração homossexual é provocada por fatores externos (beleza, físico, discursos de terceiros, influências de amigos), comprova que existe uma disposição natural, intrínseca na pessoa.
E assim os filmes, sejam solares ou sombrios, chacoalham nossas crenças, nos põe desconfiados daquilo que tomamos por verdadeiro ou até mesmo nos tornam mais esperançosos dos indivíduos ou da sociedade num geral, depende da abordagem tomada pelos realizadores em comunhão com o elenco e equipe de suas obras cinematográficas.
E pensar que toda esta reflexão surgiu a partir de dois personagens adolescentes, aqueles que, cotidianamente, ignoramos ou vivemos a criticar pela sua puerilidade ou ingenuidade ou suas preocupações exacerbadas e inerente passionalidade. Personas tão sombrias e solares ao mesmo tempo e que refletem os filmes que as retratam com verossimilhança e maestria.



5 comentários:

  1. O Wesley, como sempre, propõe uma leitura original e instigante dos filmes que comenta. Ele é o melhor colaborador "não poeta" deste blogue. Sou fã de suas postagens e dou-lhe parabéns por mais esse excelente abordagem cinéfila. JAIR.

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    Respostas
    1. Obrigado, Jair! Fico lisonjeado e que bom que tenha gostado
      dos meus humildes textos para este blogue interplanetário. Grande Abraço!

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