Viajantes Interplanetários

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sábado, 10 de maio de 2014

Sábados Vadios

Regresso a José Afonso.
Balada do Outono. Esta musica é considerada o ponto de inflexão da trajectória musical do cantor-compositor-poeta. Aliás foi recebida com indiferença pelos mais puristas do Canto de Coimbra.
A simplicidade do acompanhamento musical, onde ainda permanece a guitarra, e onde o violão se faz sentir um pouco mais indica também a referida inflexão.
Coloco também a letra.



Águas passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar
Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

2 comentários:

  1. Não rio do rio

    Quando do rio as águas passadas
    Deixa um vazio de fonte que chora
    Será como acordar e não ver nada
    Será como ter tempo sem ter hora.

    Porque rios que vão dar ao oceano
    São como olhas chorosos de amor
    Que lembram o recente desengano
    E que dão azo ao virtuoso rimador.

    Contudo vejo águas do rio correndo
    Só então permito meus olhos secar
    Para apreciar os poentes morrendo.

    Todos os rios vão para algum lugar
    A ribeira chora e volta então cantar
    Porque sei que um dia vai me amar.

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    Respostas
    1. Um belo soneto merecedor da arte do Zeca.
      Bom fim de semana.
      Abraço.

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