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domingo, 26 de julho de 2015

Cinemarte

A (des)importância do crítico

      O crítico de cinema sempre foi uma figura à parte no universo do cinema. O contraponto imperfeito ao público que lota (ou não) as salas de cinema. É difícil lembrar quem se notabilizou apenas por dizer o que achava dos filmes que chegavam ao circuito de exibição. Muitos reclamam maldosamente que o crítico é um cineasta frustrado, por não dirigir filmes, dá seus pitacos em obras de outros diretores sobre o que acertaram e o que eles deveriam ter feito. Na verdade, muitos desses filmes passariam em branco pela história do cinema, pois a unanimidade crítica é também responsável por evidenciar neles aquilo que são: clássicos.

Jean-Luc Godard e François Truffaut
      São poucos os que se destacaram pela capacidade escrita de avaliar as obras cinematográficas. Alguns extrapolam a análise e passam para detrás das câmeras para comprovar o próprio olhar do fazer cinema. O exemplo mais famoso são os colaboradores da célebre Cahiers du Cinema, onde François Truffaut, Jean-Luc Goddard e companhia trouxeram ao mundo a visão do “cinema de autor”, resgatando do ostracismo e do desprezo de intelectuais a obra de Hitchcock, Nicholas Ray, entre outros, identificando no trabalho destes realizadores uma unidade temática e estilística que poucos entreviram. Logo depois foram responsáveis pela nouvelle vague e o cinema mundial não seria o mesmo.

Paulo Emílio Sales Gomes
      Paulo Emílio Sales Gomes pode ser o representante máximo desta nova onda de críticos no Brasil, vinda de uma formação acadêmica, influenciada também pelas ideias filosóficas do marxismo, fazendo uma visão, ao mesmo tempo, sociológica e artística das obras brasileiras e estrangeiras, refletindo sobre um cinema ideal. Como contraponto também temos, como exemplo popular de crítico, o nome de Rubens Ewald Filho, das coberturas do Oscar, da memória enciclopédica que ganhou a televisão e a mídia escrita e até hoje tem sua relevância, simpatia e reconhecimento do público.

Rubens Ewald Filho
      Assisti há alguns dias o documentário Life Itself, sobre o crítico de cinema Roger Ebert. O filme alterna imagens dos últimos meses de vida de Roger, convalescendo de um câncer, arquivos dos tempos em que trabalhou no Chicago Sun Times (onde ganhou o Prêmio Pulitzer) e a popularidade alcançada ao lado de Gene Siskel num programa sobre filmes para a televisão. Ebert está, ao lado de Pauline Kael, como um dos críticos de cinema mais populares que, com sua visão, poderia destruir a carreira de um filme, como também poderia alavancá-la, principalmente daqueles que não teriam tanta audiência e bilheteria assim.


Roger Ebert
      A opinião de algum crítico sempre me encorajou a conhecer obras que, por elas mesmas, talvez não me convencesse a vê-las. Além disso, o texto bem escrito amplia o olhar sobre a obra cinematográfica ou até mesmo acrescenta uma informação que ajudaria na fruição de um filme. Infelizmente temos poucas pessoas dispostas, hoje em dia, a fazer uma crítica séria e consistente. Escrever sobre cinema não é somente dizer “gostei” ou “não gostei” (o crítico não vai substituir a experiência de assistir ao filme), é ajudar a perpetuar a paixão por uma arte que ainda cativa bilhões de pessoas, mesmo com a concorrência de outras mídias que disputam o território centenário ocupado pelo cinema. 

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