Viajantes Interplanetários

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

CANÇÃO DE ALTA NOITE

Alta noite, lua quieta,
muros frios, praia rasa.

Andar, andar, que um poeta
não necessita de casa.

Acaba-se a última porta.
O resto é o chão do abandono.

Um poeta, na noite morta,
não necessita de sono.

Andar...Perder o seu passo
na noite, também perdida.

Um poeta, à mercê do espaço,
nem necessita de vida.

Andar... — enquanto consente
Deus que seja a noite andada.

Porque o poeta, indiferente,
anda por andar — somente.
Não necessita de nada.


Cecília Meireles
 

7 comentários:

  1. Perdido na noite

    Cair na estrada
    Sem qualquer acalanto
    Pela noite calada.

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  2. Grande Cecília Meirelles, sabia tudo da essência do poeta.
    Abraços!

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  3. Te vi por aí. Vim conhecer teu planeta vermelho e as poesias perdidas no espaço, achadas no verso. Muito bom!

    Beijo!

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